O padre Rodrigo de Oliveira da Silva foi excomungado da Igreja Católica após aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), movimento católico ultraconservador que rejeita mudanças promovidas pela Igreja a partir do Concílio Vaticano II. A decisão foi comunicada pela Diocese de Jundiaí, em São Paulo, que também informou que o sacerdote entrou em situação de cisma.
Com a medida, os atos ministeriais praticados pelo padre passam a ser considerados ilícitos pela Igreja. A Diocese informou ainda que sacramentos como confissões e casamentos celebrados por ele são considerados inválidos e nulos.
A nota pastoral que comunica a decisão foi assinada pelo bispo Dom Arnaldo Carvalheiro Neto.
O que significa entrar em cisma?
Dentro da Igreja Católica, o termo cisma é utilizado para caracterizar a recusa formal à autoridade do Papa ou à comunhão com os demais integrantes da Igreja.
No caso de Rodrigo de Oliveira da Silva, a Diocese relacionou a situação à adesão do sacerdote à Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
A instituição também fez um alerta aos católicos e recomendou que atividades ligadas à FSSPX sejam evitadas pelos fiéis. Segundo a Diocese, a aproximação com o movimento representa risco de uma adesão gradual ao cisma e, consequentemente, de excomunhão.
O que é a Fraternidade Sacerdotal São Pio X?
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada pelo bispo francês Marcel Lefebvre, que viveu entre 1905 e 1991.
O movimento reúne, segundo estimativas citadas pela reportagem, cerca de 600 mil fiéis e defende uma interpretação rígida da tradição doutrinária e litúrgica católica.
Um dos principais pontos de conflito está na posição da fraternidade em relação ao Concílio Vaticano II, realizado na década de 1960 e responsável por uma série de mudanças na Igreja Católica.
A FSSPX rejeita transformações promovidas a partir daquele período e sustenta posições tradicionalistas sobre a organização da Igreja e da sociedade. Segundo a reportagem, o grupo também defende um modelo social patriarcal e um ideal de Estado teocrático.
Ordenação de bispos agravou conflito com o Vaticano
A tensão entre a fraternidade e a Igreja Católica ganhou um novo capítulo recentemente.
Em 1º de julho, a FSSPX realizou na Suíça a ordenação de quatro novos bispos sem autorização do Vaticano. O ato foi considerado uma insubordinação direta e classificado como cismático pela Igreja Católica.
Antes da cerimônia, o papa Leão XIV havia solicitado que a comunidade abandonasse o projeto. O pedido não foi atendido.
Após as ordenações, os quatro bispos envolvidos foram excomungados.
Outro padre brasileiro foi excomungado em julho
Rodrigo de Oliveira da Silva não é o primeiro sacerdote brasileiro a receber a punição neste ano por ligação com a Fraternidade São Pio X.
Em julho, o padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, de 47 anos, também foi excomungado após aderir ao mesmo grupo.
Os episódios ocorrem em meio ao aumento das tensões entre o Vaticano e a fraternidade, sobretudo após as ordenações episcopais realizadas sem autorização da Santa Sé.
A excomunhão é uma das sanções mais graves previstas pelo direito da Igreja Católica e restringe a participação do religioso ou fiel excomungado na vida sacramental e em determinados atos e funções eclesiásticas.

