O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, decretou estado de emergência neste sábado (20) após mais de 50 dias de protestos e bloqueios de estradas que vêm provocando desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em diversas regiões do país.
A medida amplia os poderes do governo para atuar na liberação das rodovias e tentar conter a crise social e econômica que se agravou nas últimas semanas.
O que motivou a crise
Os protestos começaram após decisões econômicas adotadas pelo governo, especialmente relacionadas à redução de subsídios aos combustíveis, medida tomada em meio à escassez de dólares e às dificuldades financeiras enfrentadas pelo país.
A mobilização ganhou força entre trabalhadores, agricultores, indígenas, mineiros, professores e transportadores, transformando-se em uma ampla onda de manifestações contra o governo.
Ao longo das últimas semanas, manifestantes bloquearam importantes rodovias bolivianas, interrompendo o transporte de mercadorias e provocando dificuldades de abastecimento em cidades como La Paz, El Alto e Cochabamba.
O que muda com o estado de emergência
Com o decreto, o governo poderá mobilizar as Forças Armadas em apoio às operações de segurança para desobstruir estradas e garantir o funcionamento de serviços considerados essenciais.
Segundo a legislação boliviana, o Congresso deverá analisar a medida nos próximos dias.
Ao anunciar a decisão, Rodrigo Paz afirmou que o objetivo é proteger a população e restabelecer a normalidade diante do agravamento da crise.
Mortes e prejuízos
A crise já deixou ao menos 14 mortos, segundo informações divulgadas por autoridades e veículos internacionais.
Além das vítimas, os protestos causaram impactos significativos na economia boliviana. O bloqueio das estradas elevou os preços de produtos básicos, dificultou o abastecimento de combustíveis e afetou diversos setores produtivos.
Em várias cidades, moradores enfrentam longas filas em postos de combustíveis, enquanto hospitais e estabelecimentos comerciais relatam dificuldades para receber suprimentos.
Divisão entre manifestantes
O governo chegou a firmar um acordo parcial com a Central Operária Boliviana (COB), uma das principais entidades sindicais do país.
Mesmo assim, grupos camponeses e indígenas decidiram manter os bloqueios e acusaram lideranças sindicais de terem cedido às negociações com o governo.
A permanência desses grupos nas estradas foi um dos fatores que levaram o Executivo a adotar medidas mais rígidas.
Tensão política
O governo também acusa setores ligados ao ex-presidente Evo Morales de incentivar parte das manifestações, acusação que é negada por aliados do ex-mandatário.
A crise ocorre em um cenário de forte polarização política e representa um dos maiores desafios enfrentados pelo governo Rodrigo Paz desde o início de sua gestão.
Com o estado de emergência em vigor, a expectativa é que as próximas semanas sejam decisivas para definir se o governo conseguirá restabelecer a circulação nas estradas e reduzir a tensão social que atinge o país.

