O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo e gás natural, deverá ser reaberto após a formalização do acordo de paz entre Irã e Estados Unidos. A informação foi divulgada neste domingo (14) por fontes ligadas ao governo iraniano e confirmada em declarações do presidente norte-americano Donald Trump.
Segundo informações divulgadas pela agência iraniana Mehr, a retomada da navegação integra o conjunto de medidas negociadas para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro deste ano. A assinatura oficial do acordo está prevista para ocorrer em 19 de junho, durante uma cerimônia em Genebra, na Suíça.
Em publicação nas redes sociais, Trump celebrou o entendimento entre os dois países e afirmou que o corredor marítimo voltará a funcionar sem restrições.
“Autorizo plenamente a abertura sem cobrança de pedágio do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo o levantamento imediato do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua”, escreveu o presidente norte-americano.
Horas depois, contudo, Trump esclareceu que a reabertura efetiva da passagem deverá ocorrer após a assinatura oficial do acordo.
Corredor estratégico para a economia mundial
Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o Estreito de Ormuz é considerado um dos principais gargalos energéticos do planeta. Estima-se que cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo passe diariamente pela região.
O fechamento da rota durante o conflito provocou impactos significativos na economia internacional, pressionando os preços dos combustíveis, elevando custos logísticos e afetando cadeias globais de abastecimento.
Além do petróleo, a interrupção do tráfego marítimo dificultou o transporte de fertilizantes e outras commodities essenciais para diversos países.
O que prevê o acordo
Embora o texto oficial ainda não tenha sido divulgado, veículos internacionais informam que o memorando de entendimento negociado entre Washington e Teerã prevê uma série de compromissos bilaterais.
Segundo informações obtidas pela CNN Internacional junto a fontes iranianas, o acordo inclui:
- cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes do conflito, incluindo o Líbano;
- reabertura do Estreito de Ormuz;
- suspensão da cobrança de taxas sobre embarcações que utilizam a rota;
- normalização do fluxo marítimo aos níveis anteriores à guerra em até 30 dias;
- retirada do bloqueio naval norte-americano;
- flexibilização gradual das sanções econômicas impostas ao Irã;
- compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares.
Paquistão atuou como mediador
O anúncio do entendimento foi feito simultaneamente pelo presidente Donald Trump e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que desempenhou papel central na mediação entre os dois governos.
Segundo Sharif, as reuniões técnicas para implementação do acordo ocorrerão nos próximos dias e servirão para definir os detalhes operacionais do tratado.
“Essas discussões estabelecerão as bases para a implementação do acordo e para a cerimônia oficial de assinatura”, afirmou o líder paquistanês.
Irã fala em fim imediato da guerra
Na televisão estatal iraniana, o vice-ministro das Relações Exteriores do país, Kazem Gharibabadi, afirmou que o entendimento representa o encerramento imediato das hostilidades.
“Em primeiro lugar, o acordo estabelece o fim imediato e definitivo da guerra e das operações militares nas diferentes frentes, incluindo o Líbano”, declarou.
Segundo o governo iraniano, a expectativa é que as negociações avancem para um acordo definitivo ao longo dos próximos 60 dias, consolidando uma das mais importantes iniciativas diplomáticas da região nos últimos anos.
Caso seja efetivamente implementado, o acordo poderá reduzir tensões no Oriente Médio, normalizar o fluxo energético internacional e aliviar os impactos econômicos provocados pelo conflito.

