Com o início da Copa do Mundo de 2026 e a expectativa em torno dos jogos da Seleção Brasileira, muitas empresas voltam a discutir a flexibilização da rotina durante o torneio. Embora seja comum a adoção de horários especiais e a liberação para acompanhar as partidas, especialistas alertam que o ambiente de trabalho continua exigindo responsabilidade e profissionalismo.
A estreia do Brasil acontece neste sábado (13), diante do Marrocos. As partidas seguintes da fase de grupos também ocorrerão em datas que podem coincidir com o expediente de parte dos trabalhadores, reacendendo dúvidas sobre folgas, compensação de horas e regras para assistir aos jogos.
De acordo com especialistas em recursos humanos, não existe obrigação legal para que empresas liberem funcionários durante as partidas da Copa. A decisão cabe a cada organização, que pode optar por flexibilizar horários, liberar colaboradores ou manter a rotina normal de trabalho.
Para quem pretende acompanhar os jogos durante o expediente, a recomendação é consultar previamente as normas internas ou alinhar a situação com gestores e lideranças.
Segundo Renato Mendes Baptista, CEO da Mendes Talent, torcer e participar de ações relacionadas ao Mundial pode até fortalecer a integração entre as equipes, desde que isso não comprometa as atividades profissionais.
“Torcer, comentar as partidas e participar de ações internas pode fortalecer a integração entre os times, desde que isso não comprometa as entregas, o atendimento aos clientes ou o respeito entre colegas”, afirma.
Excesso pode prejudicar imagem profissional
Especialistas destacam que alguns comportamentos comuns durante grandes eventos esportivos podem gerar desconforto no ambiente corporativo e até trazer consequências disciplinares.
Gritos excessivos, provocações constantes, discussões, palavrões, abandono das atividades e uso exagerado do celular estão entre as atitudes que devem ser evitadas.
Outro ponto destacado é o respeito aos colegas que não acompanham futebol ou que não desejam participar das atividades relacionadas à Copa.
“A descontração não é um passe livre para esquecer que estamos em um ambiente corporativo”, ressalta Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP).
Segundo ela, o limite é ultrapassado quando o comportamento começa a afetar a rotina da equipe, comprometer entregas ou incomodar outros profissionais.
Planejamento é a principal recomendação
Para Fernando Pedro, diretor-geral da Assigna, o sucesso das ações durante a Copa depende de organização e alinhamento prévio entre empresas e colaboradores.
Segundo ele, muitas organizações conseguem transmitir os jogos, flexibilizar horários ou permitir compensação de jornada sem prejudicar a operação.
“O importante é alinhar previamente expectativas, prioridades e responsabilidades”, destaca.
O especialista também defende que as empresas estabeleçam regras claras sobre horários, uso de espaços comuns, código de vestimenta, consumo de bebidas alcoólicas e postura esperada durante os jogos.
Boas práticas para acompanhar a Copa no trabalho
Entre as principais recomendações dos especialistas estão:
- Verificar previamente as regras adotadas pela empresa;
- Evitar exageros nas comemorações;
- Não abandonar atividades ou compromissos profissionais;
- Utilizar celular e redes sociais com moderação;
- Respeitar colegas que não acompanham futebol;
- Evitar provocações, discussões e comportamentos agressivos;
- Participar das ações internas com bom senso;
- Retomar as atividades normalmente após o término das partidas.
Apesar do clima festivo que acompanha o Mundial, os especialistas reforçam que o equilíbrio entre lazer e responsabilidade é fundamental para preservar o ambiente profissional.
Quando bem conduzida, a Copa pode contribuir para a integração das equipes, fortalecer o engajamento dos colaboradores e criar momentos de convivência positiva dentro das organizações. Por outro lado, atitudes inadequadas podem gerar conflitos, prejudicar a produtividade e afetar a imagem profissional dos trabalhadores.
Com informações do G1

