Uma cena incomum chamou a atenção de profissionais de saúde e usuários do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) nos últimos dias. Conhecida há décadas pela superlotação e pela presença constante de pacientes acomodados em macas nos corredores da emergência, a unidade conseguiu esvaziar completamente esses espaços após um processo de transferência de pacientes para outras unidades da rede estadual.
A mudança começou há cerca de 20 dias, quando pacientes passaram a ser remanejados para o Hospital Universitário do Ceará (HUC), localizado no bairro Itaperi. A unidade, inaugurada em 2025, vem ampliando sua capacidade de atendimento e assumindo parte da demanda de hospitais de referência da Capital.
Durante visita realizada nesta segunda-feira (8), foi possível constatar corredores vazios em áreas que historicamente permaneciam ocupadas por pacientes à espera de leitos. Parte desses espaços também passa por obras de reestruturação.
Segundo relatos de profissionais que atuam na unidade, muitos dos pacientes transferidos apresentavam doenças vasculares, perfil assistencial que pode ser absorvido pelo Hospital Universitário. O processo de transferência vem sendo realizado diariamente, com apoio de ambulâncias que fazem o transporte dos pacientes entre as unidades.
A reorganização foi comemorada por profissionais da saúde nas redes sociais. Publicações compartilhadas durante o fim de semana destacaram que, em alguns setores, a ausência de pacientes nos corredores não era registrada há mais de duas décadas.
Desafio histórico
O Hospital Geral de Fortaleza é uma das principais referências da rede pública estadual em atendimentos de alta complexidade, urgência e emergência. Ao longo dos anos, a unidade enfrentou sucessivos períodos de superlotação, tornando-se símbolo das dificuldades estruturais enfrentadas pelo sistema de saúde.
Um dos episódios mais conhecidos ocorreu na antiga área apelidada de “piscinão”, espaço improvisado que chegou a concentrar centenas de pacientes em condições inadequadas de acomodação. Em alguns períodos, mais de 300 pessoas permaneceram no local aguardando vagas para internação.
Ao longo dos anos, diferentes estratégias foram adotadas para reduzir a pressão sobre o hospital, incluindo reformas internas, ampliação de enfermarias e transferência de pacientes para unidades de retaguarda.
Ampliação da rede estadual
O atual esvaziamento dos corredores ocorre em um contexto de fortalecimento da rede hospitalar do Ceará, especialmente após a entrada em operação do Hospital Universitário do Ceará. A nova unidade vem absorvendo parte da demanda de hospitais tradicionais da Capital, contribuindo para a redistribuição dos atendimentos especializados.
Embora a retirada dos pacientes dos corredores represente um avanço importante, profissionais da área destacam que a manutenção desse cenário dependerá da continuidade das ações de regionalização, ampliação de leitos e integração entre os hospitais da rede estadual.
A expectativa é que as mudanças contribuam para oferecer mais conforto, segurança e dignidade aos pacientes, além de melhorar as condições de trabalho das equipes de saúde que atuam diariamente no maior hospital público do Ceará.
Foto: OPOVO

