O número de pessoas em situação de extrema pobreza no Ceará caiu 35% entre 2023 e 2025, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). O estudo mostra ainda que a renda dos 10% mais pobres do Estado cresceu mais de 40% no período.
Os dados fazem parte do Enfoque Econômico nº 319 e foram apresentados durante evento comemorativo pelos 90 anos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa já considera a atualização feita pelo Banco Mundial em junho de 2025, que elevou a linha internacional da extrema pobreza de US$ 2,15 para US$ 3 por dia.
Segundo o estudo, cerca de 415 mil cearenses deixaram a condição de extrema pobreza no intervalo analisado. Caso fosse mantido o critério anterior do Banco Mundial, a redução poderia chegar a 453 mil pessoas, equivalente a 41,8%.
O levantamento aponta que o crescimento da renda foi mais intenso justamente entre os mais pobres. Entre os 10% da população com menor rendimento, a renda familiar per capita acumulou alta de 40,6% entre 2022 e 2025. Nas demais faixas de renda, o crescimento variou entre 15,2% e 21%.
Responsável pela pesquisa, o analista de políticas públicas do Ipece, Jimmy Oliveira, afirmou que a mudança no parâmetro internacional elevou artificialmente o número de pessoas classificadas em extrema pobreza, mas destacou que a renda da população mais vulnerável segue em crescimento.
Segundo ele, a melhora dos indicadores está relacionada principalmente à redução do desemprego e à ampliação de programas de transferência de renda voltados às famílias mais pobres.
O estudo também aponta que o Ceará vem registrando queda contínua nos índices de pobreza desde o período pós-pandemia de covid-19.

