A Ypê anunciou a suspensão do sistema de reembolso via Pix criado para consumidores que compraram detergentes de lotes afetados pela determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A decisão foi tomada após nova reunião entre a empresa e a agência reguladora nesta sexta-feira (15).
Até então, consumidores podiam solicitar a devolução de R$ 2,99 diretamente pelo site da companhia, sem necessidade de apresentar nota fiscal ou imagens do produto. O pagamento era feito automaticamente via Pix para itens pertencentes aos lotes com final 1, suspensos pela Anvisa.
Além de manter proibidas a fabricação, comercialização e distribuição de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos na unidade de Amparo (SP), a Anvisa determinou que a empresa apresente um plano detalhado para gerenciamento dos lotes já distribuídos ao mercado.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, o diretor jurídico da Química Amparo, Sergio Pompílio, afirmou que a empresa não contesta as determinações da agência, mas argumenta que o Brasil não possui regulamentação específica estabelecendo limites microbiológicos para produtos de limpeza.
Segundo ele, a legislação brasileira diferencia produtos saneantes de cosméticos e itens de higiene pessoal.
“Não existe um limite de bactérias para produtos de limpeza no Brasil”, afirmou o executivo ao jornal.
A crise envolvendo a fabricante ganhou novos contornos após a revelação de que denúncias apresentadas pela Unilever — dona de marcas como Omo, Comfort e Cif — antecederam a decisão da Anvisa. A concorrente informou às autoridades sanitárias ter identificado contaminação microbiológica em produtos da Ypê durante análises laboratoriais.
As inspeções realizadas pela Anvisa na fábrica da empresa apontaram falhas consideradas graves em processos produtivos e identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em diversos lotes.
Embora reconheça que não existe uma norma específica definindo limite microbiológico para saneantes, a Anvisa afirma que as regras de Boas Práticas de Fabricação obrigam as empresas a impedir qualquer tipo de contaminação durante a produção.
A agência também esclareceu que não determinou recolhimento obrigatório dos produtos já vendidos, mas recomenda que os consumidores não utilizem os itens afetados e os mantenham armazenados até nova orientação.
Segundo a Química Amparo, todos os produtos suspensos ficarão em “quarentena” até a conclusão de novos testes laboratoriais. A empresa informou que pretende contratar laboratórios no Brasil e no exterior para acelerar as análises, cujo prazo pode chegar a 90 dias.
A fabricante estima prejuízo diário em torno de R$ 10 milhões devido à paralisação das linhas de produção atingidas pela decisão sanitária.
Os produtos afetados incluem detergentes líquidos, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos entre janeiro e março deste ano. A restrição vale apenas para embalagens cujo número do lote termina em 1.
Entre os itens suspensos estão linhas como Lava-Louças Ypê Clear Care, Tixan Ypê Antibac, Tixan Ypê Coco e Baunilha, Ypê Premium e desinfetantes Bak Ypê e Atol.
A medida não inclui produtos em pó.
Para identificar se o item está entre os suspensos, o consumidor deve verificar o código do lote impresso na embalagem, normalmente precedido pela letra “L”.

