O deputado cassado Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, e tinha entre suas atribuições participar da captação de recursos para o projeto. As informações constam em contrato obtido pelo Intercept Brasil e confirmadas pela TV Globo.
A revelação ocorre após a divulgação de mensagens e áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso sob suspeita de comandar um esquema bilionário de fraudes financeiras investigado pela Polícia Federal.
Segundo a reportagem, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar “Dark Horse”. Em um dos áudios divulgados pelo Intercept, Flávio Bolsonaro cobra o envio de recursos e demonstra preocupação com os atrasos nos pagamentos relacionados à produção do longa.
O contrato do filme, assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em janeiro de 2024, o coloca ao lado do deputado Mario Frias como produtor-executivo da obra. O documento também inclui a GoUp Entertainment, sediada na Flórida, como produtora oficial do projeto.
De acordo com os trechos divulgados, os produtores-executivos deveriam atuar diretamente na busca por financiamento, investidores e incentivos para o filme. As funções incluíam participação em decisões estratégicas relacionadas ao orçamento da obra, preparação de documentos para investidores e articulação de mecanismos de financiamento, como incentivos fiscais, patrocínios e ações comerciais ligadas à produção.
A investigação também busca esclarecer se o dinheiro enviado por Vorcaro foi efetivamente utilizado no filme ou se parte dos recursos acabou sendo direcionada para despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele reside desde fevereiro do ano passado.
Segundo informações divulgadas pelo blog da jornalista Andréia Sadi, a Polícia Federal apura se o projeto cinematográfico teria servido, ao menos em parte, como justificativa para movimentações financeiras internacionais.
Eduardo Bolsonaro negou ter exercido função de produtor do filme. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que investiu US$ 50 mil no projeto e que posteriormente recebeu o valor de volta. Segundo ele, a transação não teria relação com fundos ligados a Daniel Vorcaro.
A produtora GoUp Entertainment também entrou no radar do Supremo Tribunal Federal. O ministro Flávio Dino determinou a abertura de uma apuração preliminar para investigar possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à empresa, entre elas o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, uma das sócias da produtora.
Na quinta-feira (14), o g1 revelou ainda que o STF tenta há mais de um mês intimar Mario Frias para prestar esclarecimentos sobre repasses de emendas ao instituto ligado ao ecossistema da produção de “Dark Horse”.
Com informações do G1 e Intercept

