Os recentes ataques de tubarão registrados na Região Metropolitana do Recife reacenderam uma dúvida comum entre moradores de cidades litorâneas: o mesmo poderia acontecer em Fortaleza? Segundo o professor da Universidade Federal do Ceará e especialista em tubarões Vicente Faria, a resposta é tranquilizadora: não há registros de ataques de tubarões na capital cearense e as características da costa local ajudam a explicar esse cenário.
De acordo com o pesquisador, o relevo submarino do litoral de Fortaleza não favorece a aproximação de grandes tubarões às áreas frequentadas por banhistas. Embora o Ceará possua pelo menos 38 espécies de tubarões registradas em seu ambiente marinho, a presença desses animais não significa, necessariamente, risco para a população.
Por que Recife registra mais incidentes?
Os dois ataques ocorridos em Pernambuco envolveram espécies conhecidas mundialmente por estarem associadas a incidentes com humanos: o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata.
Mesmo assim, Vicente Faria destaca que ataques de tubarão são eventos extremamente raros em escala global.
“A costa de Fortaleza é apenas mais uma região do mundo sem incidência de acidentes dessa natureza”, afirmou o pesquisador.
Segundo ele, os casos registrados na Grande Recife estão ligados a fatores ambientais muito específicos daquela região e não podem ser automaticamente associados a outras áreas do litoral brasileiro.
Tubarões existem no Ceará?
Sim. Espécies de tubarões habitam naturalmente o litoral cearense, mas a grande maioria vive distante das zonas de banho.
Entre as espécies encontradas no Estado está o tubarão-lixa, conhecido por seu comportamento geralmente tranquilo e baixa agressividade.
Segundo o especialista, o tubarão-lixa normalmente não representa perigo, a menos que seja provocado, encurralado ou capturado.
Cuidados recomendados em qualquer praia
Mesmo em locais considerados seguros, o pesquisador recomenda algumas medidas preventivas:
- Respeitar sinalizações de risco;
- Evitar entrar no mar ao amanhecer, entardecer ou à noite;
- Não nadar sozinho;
- Evitar águas turvas;
- Não permanecer próximo a cardumes;
- Evitar áreas de pesca;
- Não entrar no mar com ferimentos ou sangramentos;
- Evitar movimentos bruscos na água;
- Evitar maré alta;
- Não utilizar objetos muito brilhantes ou refletivos;
- Evitar roupas excessivamente chamativas;
- Manter distância de animais marinhos.
Cenário tranquilo no Ceará
Apesar da repercussão dos casos em Pernambuco, especialistas reforçam que Fortaleza permanece entre as capitais brasileiras sem histórico de ataques de tubarão. A combinação entre características geográficas, relevo costeiro e comportamento das espécies presentes na região torna o risco extremamente baixo para banhistas.

