Uma apresentação da quadrilha junina Estrela do Luar terminou em confusão na noite da última sexta-feira (5), em um shopping de Sobral, na Região Norte do Ceará. Integrantes do grupo cultural acusam um casal de interromper o espetáculo após associar o símbolo da quadrilha, uma estrela, ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Segundo relatos dos organizadores, os suspeitos invadiram o espaço da apresentação e constrangeram artistas e participantes diante do público. O grupo afirma ainda que houve ofensas de cunho racista e LGBTfóbico durante o episódio.
De acordo com a quadrilha, a situação se agravou quando a mulher envolvida tentou interromper a atuação do marcador do grupo e abordou de forma agressiva a cantora responsável pela apresentação, prejudicando o encerramento do espetáculo.
Em nota divulgada nas redes sociais, a Estrela do Luar classificou a atitude como um ataque à cultura popular e à liberdade artística. O grupo destacou ainda que os principais alvos das agressões foram integrantes negros da quadrilha.
“A Estrela do Luar é um grupo comprometido com a valorização da cultura, da diversidade e do respeito às diferenças. Não há espaço para qualquer forma de intolerância em nossas atividades”, afirmou a organização.
Caso foi registrado pela Polícia Civil
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que uma mulher de 69 anos e um homem de 66 anos foram conduzidos pela Polícia Militar à Delegacia Regional de Sobral.
No local, foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por constrangimento ilegal. Após serem ouvidos, os dois foram liberados. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
O crime de constrangimento ilegal está previsto no Código Penal e consiste em impedir ou forçar alguém a praticar determinada ação mediante violência, ameaça ou outro tipo de coação. A pena pode variar de três meses a um ano de detenção, além de multa.
Shopping repudia episódio
Em nota oficial, o Sobral Shopping manifestou solidariedade aos integrantes da quadrilha e repudiou qualquer forma de violência ou discriminação.
A administração informou que colaborou com as autoridades para o esclarecimento dos fatos e reforçou que o espaço não compactua com atitudes racistas, homofóbicas, transfóbicas ou qualquer manifestação de intolerância.
“O shopping é um ambiente de convivência, cultura e respeito. Rejeitamos qualquer comportamento que atente contra a dignidade das pessoas ou das manifestações culturais”, destacou o empreendimento.
Federação das quadrilhas se manifesta
A Federação das Quadrilhas Juninas do Ceará (Fequajuce) também divulgou nota de repúdio. A entidade classificou o episódio como um ataque à liberdade de expressão artística e à diversidade cultural presente nas festas juninas.
Para a federação, a associação indevida entre o símbolo da quadrilha e uma legenda partidária motivou uma reação incompatível com os valores de respeito e convivência que marcam as tradições do São João cearense.
A Fequajuce prestou solidariedade aos integrantes da Estrela do Luar e defendeu a adoção das medidas cabíveis para apuração dos fatos.

