A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que a substância encontrada em uma propriedade rural de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, é petróleo cru. A conclusão foi divulgada após análise técnica realizada pela Agência a partir de amostras coletadas no sítio do agricultor Sidrônio Moreira.
A descoberta ocorreu no Sítio Santo Estevão, onde o agricultor perfurou poços artesianos em busca de água para irrigação e abastecimento dos animais. Em vez disso, um líquido escuro, com forte odor semelhante a óleo e asfalto, começou a jorrar do solo.
Segundo a ANP, a análise laboratorial foi concluída nesta terça-feira (19). Com a confirmação, a Agência abriu um processo administrativo para avaliar a área e estudar uma possível inclusão do terreno em blocos de exploração da Oferta Permanente de Concessão, modalidade usada pelo governo federal para licitar áreas destinadas à exploração de petróleo e gás.
Apesar disso, a exploração comercial da área ainda é incerta. A própria ANP informou que não existe prazo definido para a conclusão dos estudos e ressaltou que a inclusão do terreno em futuras rodadas de exploração “não é garantida”.
“A inclusão de blocos no edital da Oferta Permanente necessita de diversas etapas, não só internas da ANP como também de outros órgãos, como órgãos ambientais e ministérios”, informou a Agência.
Descoberta aconteceu durante perfuração de poço
O caso começou em novembro de 2024, quando Sidrônio Moreira, de 63 anos, decidiu perfurar dois poços artesianos em sua propriedade, localizada a cerca de 35 quilômetros da sede de Tabuleiro do Norte.
Durante a escavação, no lugar da água, surgiu um líquido escuro e viscoso, acompanhado de forte cheiro característico de derivados de petróleo. A situação chamou atenção de moradores da região e de pesquisadores do Instituto Federal do Ceará (IFCE).
A família procurou orientação técnica junto ao IFCE do campus de Tabuleiro do Norte. O engenheiro químico Adriano Lima orientou que o material fosse comunicado à ANP.
Mesmo acionada em julho de 2025, a Agência só realizou visita técnica ao local em março deste ano.
Orientação é evitar contato com a substância
Segundo o agricultor, os técnicos orientaram que ninguém tenha contato direto com o material encontrado e recomendaram que novas perfurações não sejam feitas até a conclusão dos estudos.
Há preocupação com possíveis riscos ambientais e contaminação do solo ou da água subterrânea.
Apesar da confirmação da presença de petróleo cru, especialistas avaliam que a exploração econômica pode não ser viável. Isso porque os custos de extração e operação podem superar o valor comercial do recurso encontrado na região.
Foto: Marcelo Andrade/IFCE.

