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    Em carta, deputados dos EUA questionam papel de Trump na fuga de Flávio Bolsonaro e emissão de visto

    By Agência Cearenseoutubro 30, 2026 Brasil
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    A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, após descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringia suas viagens internacionais, virou também uma crise política nos Estados Unidos. Um grupo de 25 deputados do Partido Democrata enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando explicações sobre uma possível participação do governo de Donald Trump na viagem do senador e em sua entrada em território norte-americano.

    Os congressistas querem saber se recursos diplomáticos, migratórios ou logísticos dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a saída de Flávio do Brasil, sua passagem pela Argentina e pelo Equador e, posteriormente, sua chegada a Miami.

    A carta foi encaminhada na noite de quinta-feira (29) e apresenta 15 questionamentos ao Departamento de Estado.

    Os parlamentares estabeleceram o dia 13 de novembro como prazo para receber respostas por escrito e também pediram que representantes do governo estejam disponíveis para prestar esclarecimentos ao Congresso.

    Democratas querem saber se governo sabia da ordem do STF

    Uma das principais perguntas é quando o governo norte-americano tomou conhecimento da decisão do STF que determinou que Flávio entregasse seus passaportes e restringiu sua possibilidade de deixar o Brasil.

    Os deputados querem saber se a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, o Departamento de Estado ou qualquer outra agência recebeu ou analisou uma cópia da ordem judicial antes da viagem.

    Também questionam se Washington verificou se Flávio estava legalmente autorizado a deixar o território brasileiro antes de conceder qualquer autorização migratória ou facilitar sua entrada nos Estados Unidos.

    Entre as principais questões apresentadas estão:

    • quando os EUA souberam da decisão do STF;

    • se autoridades receberam cópia da ordem;

    • se verificaram se Flávio poderia legalmente sair do Brasil;

    • quem autorizou sua entrada nos Estados Unidos;

    • se houve auxílio logístico para a viagem;

    • se a Casa Branca participou das tratativas;

    • se Argentina e Equador foram consultados.

    ‘A questão central é direta’

    Na carta, os democratas resumem a principal dúvida que desejam esclarecer.

    Eles perguntam se o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência norte-americana ajudou Flávio a viajar ou entrar nos Estados Unidos apesar da restrição judicial brasileira.

    Para os deputados, existe interesse público em saber se estruturas do governo norte-americano foram mobilizadas para beneficiar uma figura política estrangeira submetida a uma investigação judicial em seu próprio país.

    Os parlamentares afirmam ainda que o tema envolve relações bilaterais delicadas e exige transparência sobre a aplicação das políticas migratórias dos Estados Unidos.

    Carta é assinada por 25 deputados

    A iniciativa foi liderada pelas deputadas democratas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada.

    Kamlager-Dove é uma das lideranças da bancada parlamentar dedicada às relações com o Brasil.

    Entre os demais signatários estão integrantes do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, como Joaquin Castro, além de Pramila Jayapal, Greg Casar, Rashida Tlaib e Delia Ramirez.

    25 deputados democratas assinaram o documento.

    A carta foi enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio.

    Prazo solicitado para as respostas: 13 de novembro.

    Os parlamentares também querem representantes do governo disponíveis para prestar esclarecimentos ao Congresso.

    Governo Trump teria garantido entrada de Flávio

    Os democratas demonstram preocupação particular com relatos de que integrantes do governo Trump já haviam sinalizado que Flávio e seus familiares poderiam entrar nos Estados Unidos.

    A CNN Brasil informou ainda na terça-feira (27) que uma autoridade do Departamento de Estado havia confirmado que o governo norte-americano facilitaria a entrada do senador e da família.

    Isso ocorreu quando ainda havia incerteza sobre o paradeiro de Flávio.

    Posteriormente, foi confirmado que ele atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina, embarcou em um jato privado, passou pelo Equador e chegou a Miami.

    Os congressistas agora querem saber quando a autorização foi concedida e quais informações o governo Trump possuía naquele momento.

    Democratas questionam concessão migratória

    Outro ponto central é o processo utilizado para autorizar a permanência de Flávio e da família em território norte-americano.

    Os deputados pedem que Marco Rubio informe quem tomou a decisão, quando ela foi tomada e quais critérios foram utilizados.

    Eles também querem saber se as investigações conduzidas no Brasil foram consideradas antes da autorização.

    A cobrança ganha peso porque o governo Trump endureceu fortemente as regras migratórias e o tratamento dado a solicitantes de refúgio e outros estrangeiros.

    Parlamentares democratas questionam por que Flávio teria recebido tratamento diferenciado.

    ‘Perder uma eleição não é motivo para asilo’

    O deputado democrata Joaquin Castro, do Texas, já havia criticado publicamente a recepção dada ao ex-candidato presidencial brasileiro.

    Segundo ele, perder uma eleição não constitui fundamento para obtenção de asilo político.

    Castro também cobrou explicações sobre eventual ajuda norte-americana para que Flávio deixasse o Brasil.

    Outros parlamentares democratas fizeram críticas semelhantes nos últimos dias.

    A discussão passou a ganhar repercussão justamente às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.

    Governo pode ter ajudado a conseguir jato, segundo imprensa dos EUA

    A controvérsia aumentou após reportagem do The New York Times apontar que Jason Miller, assessor político próximo a Donald Trump e à família Bolsonaro, teria ajudado a providenciar a aeronave usada na viagem.

    Miller mantém relação com integrantes da família Bolsonaro há anos e participou de articulações políticas envolvendo a direita brasileira.

    O avião particular transportou Flávio e sua família depois da passagem pela Argentina.

    Questionado sobre eventual participação na organização da viagem, Miller não esclareceu publicamente sua atuação.

    Os democratas querem saber se funcionários ou pessoas ligadas ao governo norte-americano ajudaram com:

    • reserva ou disponibilização de aeronave;

    • transporte terrestre;

    • acesso a aeroportos;

    • documentação;

    • contatos consulares;

    • autorização de entrada nos Estados Unidos.

    Argentina e Equador entram nas perguntas

    A rota utilizada pelo senador também virou alvo das cobranças.

    Flávio atravessou a fronteira brasileira e entrou na Argentina acompanhado da mulher e das filhas.

    Depois, embarcou em um avião privado em Puerto Iguazú.

    A aeronave seguiu para Guayaquil, no Equador, antes de continuar rumo aos Estados Unidos.

    Os deputados querem saber se diplomatas ou autoridades norte-americanas na Argentina ou no Equador participaram de alguma articulação para permitir ou facilitar o deslocamento.

    Também perguntam se houve contato do governo Trump com autoridades desses países.

    Democratas perguntam sobre contatos com Flávio e seus representantes

    O documento exige ainda a divulgação de eventuais contatos entre funcionários do governo norte-americano e Flávio Bolsonaro.

    Os congressistas querem saber se houve conversas com:

    • o próprio Flávio;

    • familiares;

    • advogados;

    • assessores políticos;

    • intermediários;

    • integrantes da família Bolsonaro.

    A intenção é reconstruir a cronologia da viagem e descobrir em que momento Washington passou a atuar no caso.

    Departamento de Segurança Interna também é citado

    As perguntas não estão direcionadas apenas ao Departamento de Estado.

    Os democratas querem saber se houve coordenação com outras estruturas do governo norte-americano.

    Entre elas estão o Departamento de Segurança Interna, responsável por grande parte das políticas migratórias, e a agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras.

    Também há perguntas sobre eventual consulta ao Departamento de Justiça.

    A questão é saber se diferentes áreas do governo discutiram as implicações jurídicas de permitir a entrada de Flávio.

    STF havia proibido Flávio de sair do Brasil

    A controvérsia começou após decisão do ministro Alexandre de Moraes.

    Flávio havia sido obrigado a entregar seus passaportes e ficou submetido a uma restrição de viagens internacionais no âmbito de uma investigação da Polícia Federal.

    O senador afirmou inicialmente que cumpriria a determinação.

    O prazo terminou sem que os documentos fossem entregues.

    Horas depois, Flávio deixou o território brasileiro.

    A Polícia Federal já havia alertado o STF sobre um “risco concreto de evasão”.

    PF investiga movimentações financeiras

    As medidas contra Flávio foram impostas dentro de uma investigação que examina suas relações com o advogado Willer Tomaz.

    A Polícia Federal apura movimentações financeiras, empresas ligadas ao setor de apostas e suspeitas de lavagem de dinheiro.

    Flávio também aparece em outro inquérito relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

    O senador nega irregularidades.

    As investigações seguem em andamento e não representam condenação.

    Democratas querem saber se Brasil pediu informações

    Outro grupo de perguntas diz respeito à cooperação entre Brasília e Washington.

    Os congressistas questionam se autoridades brasileiras solicitaram informações sobre o paradeiro ou a entrada de Flávio nos Estados Unidos.

    Caso isso tenha ocorrido, querem saber como o governo Trump respondeu.

    Também perguntam se o Departamento de Estado recebeu alguma comunicação formal relacionada à restrição determinada pelo Supremo.

    Possível interferência nos assuntos internos do Brasil

    Uma das preocupações expressas na carta é diplomática.

    Os deputados querem saber se o Departamento de Estado avaliou o risco de uma eventual assistência a Flávio ser interpretada como interferência dos Estados Unidos em um processo judicial brasileiro.

    O questionamento ocorre em um momento especialmente sensível nas relações entre os dois países.

    Nos últimos meses, integrantes do governo Trump e aliados da família Bolsonaro fizeram críticas ao Supremo Tribunal Federal e às decisões tomadas no Brasil.

    A atuação norte-americana passou inclusive a integrar discussões sobre possível interferência estrangeira nas Eleições 2026.

    Dino mandou PF investigar interferência estrangeira

    Nesta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal investigue suspeitas de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.

    A apuração examina publicidade política paga no exterior, possíveis serviços prestados por entidades estrangeiras e outras ações destinadas a influenciar a eleição.

    A investigação é distinta do caso da saída de Flávio.

    Os dois episódios, porém, aumentaram a atenção sobre a relação entre setores da política norte-americana e a direita brasileira.

    Trump já havia defendido entrada de Flávio

    Donald Trump foi questionado publicamente sobre a possibilidade de receber Flávio nos Estados Unidos.

    O presidente norte-americano respondeu favoravelmente.

    Trump também voltou a lançar dúvidas sobre a eleição brasileira, classificando o processo como “estranho”, sem apresentar evidências de fraude.

    A eleição foi oficialmente concluída pelo Tribunal Superior Eleitoral.

    Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.

    Lula: 51,79%

    Flávio Bolsonaro: 48,21%

    Diferença: mais de 4 milhões de votos.

    Lula foi reeleito para o quarto mandato presidencial.

    Flávio deixou País após perder eleição

    A saída ocorreu dois dias depois da votação.

    Flávio havia terminado o primeiro turno à frente de Lula, mas perdeu a disputa final depois de uma virada inédita.

    Após a derrota, passou a enfrentar investigações judiciais e medidas cautelares.

    O senador deixou o Brasil antes que o STF pudesse impedir materialmente sua travessia.

    Depois de chegar aos Estados Unidos, divulgou uma carta contestando o resultado eleitoral sem apresentar provas de fraude.

    A postura não recebeu apoio nem mesmo de parte significativa de seus antigos aliados.

    Aliados reconheceram vitória de Lula

    Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio, afirmou que nem ele nem o PL possuem provas de fraude.

    Tarcísio de Freitas também defendeu respeito ao resultado das urnas.

    Outras lideranças conservadoras adotaram posicionamento semelhante.

    Enquanto isso, a viagem de Flávio passou a gerar repercussão não apenas no Brasil, mas dentro do próprio Congresso norte-americano.

    Caso chega ao Congresso dos Estados Unidos

    A carta dos 25 deputados representa uma nova etapa do episódio.

    Até então, as perguntas sobre a possível ajuda de Washington vinham principalmente da imprensa e de declarações individuais de parlamentares.

    Agora, existe uma cobrança formal dirigida ao chefe da diplomacia norte-americana.

    Os democratas querem documentos, informações sobre contatos, detalhes da autorização migratória e esclarecimentos sobre cada etapa da viagem.

    O prazo pedido é 13 de novembro.

    Até lá, o governo Trump terá de decidir quanto pretende revelar sobre uma questão que começou com a saída de um candidato derrotado do Brasil e agora alcança diretamente o Congresso dos Estados Unidos.

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