Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pressionou Flávio Bolsonaro (PL) em diferentes momentos do debate da Band, realizado neste domingo (18), cobrando explicações sobre Daniel Vorcaro, compra de imóvel, licença-maternidade, relações com integrantes do chamado Escritório do Crime e até propondo a abertura dos sigilos bancários e telefônicos das duas famílias.
Levantamento feito pelo Brasil de Fato a partir da íntegra do programa apontou que, das 21 perguntas dirigidas a Flávio por Lula e pela mediação, o candidato respondeu diretamente ao ponto central de cinco. Em outras 11, a resposta foi considerada parcial, enquanto em cinco houve mudança de assunto ou contra-ataque.
O caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro foi o tema sobre o qual Lula mais insistiu. Segundo o levantamento, o presidente cobrou explicações pelo menos sete vezes durante o confronto.
Lula perguntou sete vezes sobre Vorcaro
Lula voltou repetidamente ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro que teve recursos negociados com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A principal cobrança do presidente era sobre o caminho percorrido pelo dinheiro destinado ao projeto.
Flávio afirmou que os recursos foram utilizados na produção cinematográfica e disse já ter explicado o assunto diversas vezes. No entanto, não detalhou durante o debate a movimentação financeira cobrada pelo adversário.
QUADRO — VORCARO
Lula retomou o assunto pelo menos sete vezes.
Flávio afirmou que o dinheiro foi destinado ao filme sobre Jair Bolsonaro, mas não detalhou durante o debate todo o percurso dos recursos questionados pelo presidente.
Em uma das discussões, Lula também questionou Flávio sobre a compra de um imóvel e citou uma operação envolvendo o Banco de Brasília (BRB).
Flávio respondeu que não havia problema em comprar um imóvel com recursos provenientes do próprio trabalho, mas não respondeu diretamente à pergunta sobre a participação do BRB na operação citada pelo adversário.
Voto contra ampliação da licença-maternidade entrou no debate
Outra cobrança feita por Lula foi sobre uma votação ocorrida quando Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro.
O presidente perguntou por que o então parlamentar teria votado contra a ampliação da licença-maternidade das servidoras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Lula chegou a questionar o adversário sobre sua relação com as pautas das mulheres.
Flávio respondeu que não tinha nada contra as mulheres, mencionou a esposa e as filhas e passou a falar sobre Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva.
Lula insistiu para que ele explicasse especificamente o voto, mas a justificativa não foi apresentada durante aquele momento do debate.
QUADRO — LICENÇA-MATERNIDADE
Pergunta de Lula: por que Flávio votou contra a ampliação da licença-maternidade?
Resposta: Flávio afirmou não ter nada contra as mulheres, citou familiares e direcionou a discussão para outro assunto.
A razão daquele voto não foi explicada no confronto.
Lula cobra explicação sobre Escritório do Crime
O presidente também questionou Flávio sobre a contratação de parentes de pessoas associadas ao chamado Escritório do Crime, grupo investigado no Rio de Janeiro.
Em resposta, Flávio direcionou a discussão para pessoas ligadas a antigos escândalos políticos envolvendo governos petistas.
Lula reagiu afirmando que havia feito diversas perguntas e que o adversário não respondia diretamente às questões apresentadas.
Milei foi citado três vezes
A política econômica do presidente argentino Javier Milei também entrou no confronto.
Lula perguntou repetidamente se Flávio considerava Milei uma referência e se pretendia aplicar no Brasil uma política de cortes semelhante à defendida pelo argentino, simbolizada durante sua campanha por uma motosserra.
Flávio respondeu falando sobre governos estrangeiros relacionados à esquerda, afirmou que pretendia realizar cortes naquilo que chamou de privilégios e corrupção, mas não respondeu diretamente com um “sim” ou “não” sobre considerar Milei um modelo.
QUADRO — MILEI
Lula perguntou três vezes sobre a relação de Flávio com o modelo econômico adotado por Javier Milei.
Flávio criticou governos aliados à esquerda e falou em realizar cortes, mas não definiu diretamente se considera o presidente argentino um modelo para seu eventual governo.
Situação dos hospitais federais também foi cobrada
Lula questionou Flávio sobre os seis hospitais federais localizados no Rio de Janeiro.
A cobrança fazia parte da discussão sobre saúde pública e gestão federal.
Flávio contestou as afirmações feitas pelo presidente e passou a abordar outros problemas da área, sem entrar especificamente na situação dos hospitais citados.
Lula questionou atuação em caso envolvendo policial
Outro momento de confronto ocorreu quando Lula perguntou sobre a atuação de Flávio em favor de um policial envolvido na morte de uma criança de cinco anos.
O presidente perguntou por que o senador teria interferido para evitar a prisão do agente.
Flávio respondeu questionando o perfil eleitoral da população carcerária e, posteriormente, afirmou que Lula não poderia criminalizar a atuação de advogados e que o policial não havia sido julgado.
A razão específica de sua atuação no caso não foi detalhada.
Terras raras e relação com os Estados Unidos
A política externa também entrou na lista de questionamentos.
Lula perguntou se um eventual governo Flávio Bolsonaro entregaria terras raras e minerais críticos brasileiros aos Estados Unidos.
Flávio chamou a acusação de falsa e passou a explicar uma proposta de cooperação regional que chamou de Escudo das Américas, voltada ao combate ao narcotráfico.
A destinação de terras raras e minerais críticos, que estava no centro da pergunta, não foi abordada de forma específica na resposta.
Lula lança desafio para abertura dos sigilos
Um dos momentos mais repercutidos ocorreu na reta final.
Depois de sucessivas acusações de corrupção entre os candidatos, Lula propôs que ambos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos e entregassem as informações às autoridades antes da eleição.
O presidente estendeu o desafio às famílias dos dois candidatos.
QUADRO — DESAFIO DE LULA
Lula propôs a abertura:
• dos sigilos bancários;
• dos registros telefônicos;
• e das informações financeiras das duas famílias.
A proposta seria permitir que as autoridades analisassem os dados antes da votação do segundo turno.
Flávio afirmou que não tinha nada a esconder e voltou a acusar Lula de movimentar recursos de forma irregular.
Durante o debate, porém, não disse expressamente que aceitava o desafio nem apresentou uma negativa direta.
A proposta ganhou repercussão após o confronto e foi apontada pelo cientista político Paulo Roberto Sousa, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, como um dos momentos de maior destaque de Lula no debate.
Flávio respondeu diretamente a cinco questões, aponta levantamento
O levantamento identificou também perguntas às quais Flávio respondeu de forma direta.
Entre elas está a acusação de que manteria escritório com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Flávio negou.
O senador também negou ter defendido a retirada da numeração de munições, contestou dados apresentados por Lula sobre armas e munições e explicou que o “tesouraço” mencionado em sua campanha atingiria aquilo que classifica como privilégios.
Também apresentou resposta sobre produtividade quando questionado pela mediação.
QUADRO — BALANÇO DAS RESPOSTAS DE FLÁVIO
21 perguntas recebidas
5: resposta ao ponto central
11: respostas parciais
5: mudança de assunto ou contra-ataqueClassificação feita pelo Brasil de Fato com base na íntegra do debate.
Lula também deixou perguntas sem resposta
O levantamento aplicou o mesmo critério às respostas de Lula.
Das 17 perguntas dirigidas ao presidente por Flávio Bolsonaro e pelos apresentadores, três foram classificadas como respondidas diretamente, seis tiveram respostas parciais e oito tiveram desvios do ponto principal.
Entre os exemplos está a pergunta sobre Roberta Luchsinger. Lula afirmou que o caso era assunto da Polícia Federal, mas não respondeu diretamente se conhecia a empresária.
Outras coberturas do debate também registraram que os dois candidatos recorreram a ataques, acusações e mudanças de assunto em diferentes momentos.
Insistência de Lula colocou perguntas no centro do confronto
A diferença apontada pelo levantamento esteve principalmente na repetição de algumas cobranças.
Lula retomou diversas vezes questões sobre Vorcaro, licença-maternidade e outros casos, chamando atenção para a ausência de respostas específicas.
A cobrança culminou no desafio para que as duas famílias abrissem seus sigilos bancários e telefônicos.
Com um novo confronto previsto para a reta final da campanha, algumas dessas perguntas podem voltar ao debate, especialmente as relacionadas a Vorcaro e à proposta de abertura dos sigilos.

