Um míssil inflável com uma mensagem pedindo ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que realize um ataque nuclear contra o Brasil chamou atenção durante a manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) realizada neste domingo (18), na Avenida Paulista, em São Paulo.
O objeto carregado por manifestantes trazia a frase em inglês “Trump nuke Brazil”. O verbo “nuke”, em inglês, é utilizado para se referir a um ataque com armas nucleares. A inscrição pode ser traduzida como “Trump, ataque o Brasil com uma bomba nuclear”.
Imagens e vídeos do inflável circularam nas redes sociais durante o ato, realizado a uma semana do segundo turno da eleição presidencial.
QUADRO — O QUE ESTAVA ESCRITO
“Trump nuke Brazil”
Em tradução para o português, a mensagem pede que Donald Trump ataque o Brasil com armas nucleares.
Organização pediu retirada de bandeiras estrangeiras
A presença do míssil ocorreu em um ato no qual também foram exibidas bandeiras dos Estados Unidos e de Israel.
Antes dos discursos, a própria organização pediu aos participantes que recolhessem símbolos de outros países e priorizassem as cores e a bandeira brasileira.
Do carro de som, um integrante da organização afirmou que aquele seria um momento dedicado à “nação brasileira” e solicitou que as bandeiras estrangeiras fossem guardadas.
Apesar do pedido, imagens registradas durante a manifestação mostram participantes com bandeiras norte-americanas e israelenses.
Também foram vistos apoiadores utilizando bonés com a inscrição MAGA, abreviação de “Make America Great Again”, slogan político associado a Donald Trump.
QUADRO — PEDIDO DA ORGANIZAÇÃO
Antes dos principais discursos, integrantes da organização solicitaram que bandeiras de outros países fossem recolhidas.
Mesmo após a orientação, símbolos dos Estados Unidos e de Israel continuaram aparecendo entre os manifestantes.
Inflável repercutiu nas redes sociais
Fotos e vídeos do míssil se espalharam rapidamente pelas redes sociais e provocaram críticas de políticos e usuários.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) esteve entre os parlamentares que compartilharam imagens do objeto e criticaram a mensagem.
O episódio também passou a ser utilizado por adversários políticos de Flávio Bolsonaro para questionar a presença de referências aos Estados Unidos em manifestações que utilizam símbolos nacionais e discursos de defesa da soberania.
As imagens disponíveis mostram o objeto sendo carregado por participantes do ato. As reportagens sobre o episódio não atribuem a Flávio Bolsonaro a autoria da mensagem estampada no míssil.
Ato reuniu 71,9 mil pessoas, segundo levantamento
A manifestação, chamada de “Bloquinho do 22”, reuniu 71,9 mil pessoas no momento de maior concentração, segundo estimativa do Monitor do Debate Político, iniciativa ligada à Universidade de São Paulo (USP) e ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com a organização More in Common.
O ato contou com trios elétricos, músicas e jingles de campanha e foi convocado na reta final do segundo turno presidencial.
Participaram da mobilização, além de Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e outras lideranças políticas.
QUADRO — ATO NA PAULISTA
Data: 18 de outubro
Local: Avenida Paulista, São Paulo
Candidato: Flávio Bolsonaro (PL)
Público estimado no pico: 71,9 mil pessoas
Segundo turno: 25 de outubro
Flávio fez discurso antes de debate com Lula
Durante a manifestação, Flávio Bolsonaro fez um discurso breve e afirmou que pretendia preservar a voz para o debate presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para a noite deste domingo na Band.
O candidato fez críticas ao adversário e pediu aos apoiadores que acompanhassem o confronto pela televisão.
Flávio também afirmou que, caso seja eleito, pretende receber a faixa presidencial das mãos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O evento terminou no início da tarde, horas antes do primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Segundo turno será no próximo domingo
Lula e Flávio disputam o segundo turno da eleição presidencial no próximo domingo, 25 de outubro.
Com uma semana restante de campanha, os dois grupos políticos intensificaram atos de rua, entrevistas, mobilização nas redes sociais e participação em debates.
O episódio do míssil inflável ocorreu justamente durante uma dessas mobilizações e ganhou repercussão nacional pela mensagem dirigida ao presidente dos Estados Unidos pedindo um ataque nuclear ao território brasileiro.

