O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, relembrou a prisão durante a Operação Lava Jato e fez críticas à cobertura da imprensa brasileira sobre as investigações que o envolveram. As declarações foram dadas nesta quinta-feira (27), durante sabatina promovida pela TV Globo e conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Ao abordar o período em que foi investigado e condenado, Lula classificou o processo contra ele como uma articulação destinada a impedir sua candidatura à Presidência da República em 2018. O petista também relacionou a Lava Jato a prejuízos à indústria de engenharia brasileira e à imagem da Petrobras.
Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos processos envolvendo um tríplex no Guarujá e um sítio em Atibaia, ambos em São Paulo. As condenações foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos. Em decisão relacionada à Lava Jato, o STF também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no processo do tríplex.
Durante a entrevista, o presidente afirmou que poderia ter deixado o Brasil antes de ser preso, mas decidiu permanecer no País e cumprir a determinação judicial por acreditar que conseguiria demonstrar sua inocência e contestar a atuação de Moro e do então procurador Deltan Dallagnol.
Lula ficou preso por 580 dias, entre abril de 2018 e novembro de 2019, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Naquele período, ele chegou a ser registrado pelo PT como candidato à Presidência nas eleições de 2018, mas teve a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral.
Lula critica imprensa e Globo rebate
Um dos momentos de maior tensão da sabatina ocorreu quando Lula responsabilizou também a imprensa pela repercussão das acusações da Lava Jato. Segundo o presidente, veículos de comunicação deram credibilidade às acusações e não fizeram posteriormente um reconhecimento proporcional dos erros que, na avaliação dele, foram cometidos.
“A imprensa brasileira comprou a mentira, vendeu a mentira e nunca reconheceu”, afirmou Lula durante a entrevista.
Renata Vasconcellos respondeu à crítica defendendo a atuação jornalística do Grupo Globo. A apresentadora afirmou que a emissora cumpriu a obrigação de noticiar os fatos disponíveis à época.
Lula insistiu na crítica e citou especificamente Sergio Moro e Deltan Dallagnol. O presidente também recordou a apresentação em PowerPoint utilizada pelo Ministério Público Federal, em 2016, para expor as acusações contra ele.
O episódio tornou-se um dos símbolos da Lava Jato pela forma como Lula foi colocado no centro de um diagrama que reunia diferentes suspeitas levantadas pelos procuradores.
Durante a discussão sobre o assunto, César Tralli afirmou que houve retratação da Globo em relação a um PowerPoint. A intervenção, porém, gerou repercussão porque o jornalista inicialmente associou a fala de Lula a outro episódio. Tralli posteriormente reconheceu a confusão e pediu desculpas durante a própria entrevista.
Prisão entrou no debate sobre investigações envolvendo filho de Lula
A lembrança da Lava Jato surgiu durante uma discussão mais ampla sobre investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Questionado sobre o assunto, Lula afirmou que não pretende utilizar o cargo para proteger o filho caso alguma irregularidade seja comprovada. Segundo o presidente, se Fábio Luís tiver cometido algum ilícito, deverá responder como qualquer outro cidadão.
Ao mesmo tempo, o petista argumentou que, até o momento, existem suspeitas e informações provenientes de investigações, mas não uma condenação contra o filho. Lula comparou a situação à própria experiência na Lava Jato e defendeu que as conclusões sejam tomadas com base em provas.
O presidente afirmou ainda que não cabe a ele, na condição de chefe do Executivo e pai de Fábio Luís, desempenhar o papel de delegado, integrante do Ministério Público ou juiz. Para Lula, o filho terá de apresentar sua defesa e responder às autoridades caso seja necessário.
As declarações ocorreram em meio à campanha presidencial de 2026, na qual Lula tenta conquistar um novo mandato à frente do Palácio do Planalto.

