Pioneira da televisão brasileira, atriz construiu trajetória com mais de 150 personagens no teatro, cinema e TV e trabalhou até os últimos anos de vida
A atriz Laura Cardoso morreu aos 98 anos, deixando uma das trajetórias mais longevas e importantes da dramaturgia brasileira. Com mais de 80 anos de carreira, ela atravessou diferentes gerações da televisão, do teatro e do cinema e acumulou mais de 150 personagens.
A carreira artística começou em 1944, quando Laura participou de uma adaptação teatral de Alice no País das Maravilhas. Poucos anos depois, estaria presente também nos primeiros passos da televisão brasileira.
Em 1950, ano da inauguração da TV Tupi, primeira emissora de televisão do Brasil, a atriz fez sua estreia nas telas. As primeiras participações ocorreram em teleteatros, formato que marcou os anos iniciais da televisão no país.
Mais de 150 personagens
Ao longo das décadas, Laura Cardoso construiu uma extensa lista de trabalhos em novelas, séries, filmes e peças. Na televisão, esteve em produções que se tornaram clássicos da dramaturgia nacional e também participou de remakes de grande repercussão.
Entre eles estão “Mulheres de Areia” (1993), “A Viagem” (1994) e “Gabriela” (2012).
Depois de passagens por emissoras como a extinta TV Excelsior, Laura estreou na TV Globo em 1981, na novela Brilhante, escrita por Gilberto Braga.
Durante um período em que esteve sem contrato fixo com a Globo, participou de Marcas da Paixão, exibida pela Record em 2000.
O retorno à Globo aconteceu no ano seguinte, em A Padroeira. A partir daí, Laura manteve presença frequente nas produções da emissora, consolidou uma parceria profissional com o autor Walther Negrão e conquistou contrato vitalício.
Sua última participação em uma novela foi em “A Dona do Pedaço”, exibida em 2019.
Uma vida dedicada também ao teatro
A extensa trajetória de Laura Cardoso não ficou restrita à televisão. Nos palcos, seu último trabalho foi “A Última Sessão”, em 2014.
Escrita e dirigida por Odilon Wagner, a montagem tinha Laura como protagonista e reunia um elenco formado exclusivamente por atores veteranos.
Mesmo já afastada das novelas, a atriz continuou trabalhando.
Em 2025, lançou o curta-metragem “Dona Rosinha”, filmado no segundo semestre de 2024. Laura interpretou a personagem que dá nome à produção, uma mulher idosa abandonada pela filha e posteriormente acolhida por uma nova família.
O filme acabou se tornando um dos últimos registros da atriz diante das câmeras.
Mais de oito décadas de história
Da chegada da televisão ao Brasil às produções contemporâneas, Laura Cardoso acompanhou e participou diretamente das transformações da dramaturgia nacional.
Foram mais de oito décadas de atividade profissional, passando pelos teleteatros pioneiros, pelas grandes novelas e por produções de cinema e teatro.
Com sua morte aos 98 anos, a dramaturgia brasileira perde uma de suas artistas mais longevas e uma das testemunhas privilegiadas da própria história da televisão no país.

