A chegada da Ferrovia Transnordestina a Quixeramobim, no Sertão Central, marca nesta sexta-feira (14) uma nova etapa de um projeto que pode transformar a dinâmica econômica da região. Além da conexão ferroviária, o município se prepara para receber um Porto Seco e uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), formando uma estrutura destinada a integrar produção, indústria e mercados nacionais e internacionais.
A chegada simbólica da composição ocorre justamente durante as comemorações pelos 237 anos de emancipação política de Quixeramobim e antecipa uma etapa ainda mais importante: o início dos testes de transporte comercial de cargas.
A previsão é que, em outubro, a estação do município receba uma locomotiva com mais de 20 vagões carregados de grãos provenientes do Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e considerada uma das principais fronteiras agrícolas do País.
Ferrovia já movimenta materiais para as próprias obras
Apesar de as obras do lote 6 da Transnordestina ainda estarem em andamento na região, os trilhos já recebem composições.
Atualmente, os trens são utilizados para transportar materiais necessários à própria construção da ferrovia, como trilhos, dormentes e brita.
A passagem para uma operação comercial, ainda em caráter de teste, representará uma mudança de patamar. A expectativa é que a nova infraestrutura permita transportar grandes volumes de mercadorias por ferrovia e, futuramente, conectá-los ao Porto do Pecém.
Essa integração pode reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade de empresas instaladas no Sertão Central.
Bacia leiteira pode ser uma das beneficiadas
Entre os setores que poderão sentir diretamente os efeitos da nova estrutura está a bacia leiteira cearense, que possui forte presença na região.
A ferrovia poderá facilitar tanto a chegada de matérias-primas e insumos quanto o escoamento da produção, diminuindo a dependência do transporte exclusivamente rodoviário em longas distâncias.
A perspectiva é que a redução dos custos de transporte também torne Quixeramobim e municípios próximos mais competitivos para receber novas indústrias, centros de distribuição e empreendimentos ligados ao agronegócio.
Porto Seco prevê investimento de cerca de R$ 1 bilhão
A ferrovia é apenas uma das estruturas previstas para o novo eixo logístico.
Quixeramobim também se prepara para receber um Porto Seco, empreendimento que terá como principal investidor o executivo Ricardo Azevedo, CEO do Value Global Group.
O projeto prevê investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão e ocupará uma área superior a 360 hectares.
A proposta é criar uma operação multimodal integrada à Transnordestina e, futuramente, ao Porto do Pecém, concentrando atividades relacionadas à movimentação e distribuição de cargas.
Na prática, o empreendimento pretende transformar o município em um ponto intermediário estratégico entre as regiões produtoras do interior e a infraestrutura portuária do Ceará.
Quixeramobim também planeja Zona de Processamento de Exportação
Outro projeto previsto é a implantação de um polo com Zona de Processamento de Exportação (ZPE).
A iniciativa é liderada pelo empresário Amarílio Macêdo, ex-presidente do Grupo J. Macêdo, e prevê aproximadamente R$ 20 milhões em investimentos iniciais.
A estrutura terá como foco empresas direcionadas ao comércio exterior e contará com uma área alfandegada associada a incentivos fiscais específicos.
Com isso, a estratégia não se limita a fazer de Quixeramobim um local de passagem de mercadorias. O objetivo é criar condições para atrair empresas e agregar atividades industriais e comerciais à cadeia logística.
Município pode se tornar elo entre Matopiba e Pecém
A posição de Quixeramobim ganha importância principalmente pela integração entre diferentes estruturas.
De um lado está o Matopiba, grande região produtora de grãos. Do outro, o Porto do Pecém, que oferece acesso aos mercados internacionais.
No meio desse corredor, Quixeramobim pretende combinar ferrovia, Porto Seco, ZPE e infraestrutura de distribuição.
A chegada prevista de mais de 20 vagões de grãos em outubro será um dos primeiros testes concretos desse potencial.
Transnordestina pode mudar dinâmica econômica do Sertão Central
A expectativa local é que os efeitos ultrapassem os limites de Quixeramobim.
Uma infraestrutura ferroviária conectada a centros de armazenamento, distribuição e exportação pode favorecer municípios de todo o Sertão Central ao ampliar as alternativas para o transporte de produtos e insumos.
Também poderá aumentar a atratividade da região para empresas que considerem a logística um fator determinante para decidir onde instalar fábricas, armazéns ou centros de distribuição.
Nesse cenário, a chegada do trem nesta sexta-feira tem caráter principalmente simbólico, mas representa um marco de uma transformação econômica mais ampla.
Com a conclusão da Transnordestina e a futura conexão ao Porto do Pecém, somadas aos projetos do Porto Seco de R$ 1 bilhão e da ZPE, Quixeramobim aposta em deixar de ser apenas uma cidade atravessada pela ferrovia para assumir uma posição estratégica como hub logístico e industrial do interior do Ceará.

