Faltando cerca de 700 dias para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, pelo menos 12 atletas cearenses aparecem com possibilidades de representar o Brasil na maior competição esportiva do mundo. A lista reúne nomes do atletismo, tênis, triatlo, handebol, ciclismo, remo, judô, skate e vôlei de praia.
Alguns já acumulam participações olímpicas e chegam ao novo ciclo como nomes consolidados de suas modalidades. Outros tentam chegar aos Jogos pela primeira vez. Entre os destaques estão Matheus Lima, Thiago Monteiro, Manoel Messias, Vittória Lopes, Adriana Doce, Felipe Manerim, Manu Abreu, Yasmim Lima, Lucas Rabelo, Rebecca Silva, Carol Horta e Hegê Almeida.
Matheus Lima vive fase de ascensão no atletismo
Aos 23 anos, Matheus Lima aparece como um dos cearenses em melhor momento no ciclo olímpico. Em junho, conquistou a prata nos 400 metros com barreiras da etapa de Estocolmo da Diamond League, marcando 47s37, recorde pessoal que o colocou na terceira posição do ranking mundial da temporada. Dias depois, venceu o Golden Spike de Ostrava com 47s64.
O atleta, que esteve em Paris 2024, também quebrou em 2026 o recorde sul-americano dos 400 metros em pista curta, com 45s71, durante o Mundial Indoor. Para Los Angeles, pode buscar classificação tanto nos 400 metros rasos quanto nos 400 metros com barreiras, além de integrar o revezamento brasileiro. A preparação é comandada pelo ex-velocista Sanderlei Parrela e mira não apenas uma segunda participação olímpica, mas a disputa por pódio.
Thiago Monteiro precisa recuperar posições no ranking
No tênis, Thiago Monteiro enfrenta um caminho mais difícil. Aos 32 anos, o ex-número 61 do mundo tenta reconstruir a carreira depois de uma sequência de lesões nos pés e no tornozelo.
Atualmente na 276ª posição do ranking da ATP, o cearense tem disputado torneios Challenger para recuperar ritmo e posições. A concorrência brasileira também aumentou com a ascensão de nomes como João Fonseca e Thiago Wild.
Para chegar à terceira Olimpíada, após Tóquio e Paris, Monteiro terá de retornar aproximadamente à faixa dos 56 melhores do ranking mundial até junho de 2028, observando ainda o limite de quatro jogadores por país na chave de simples.
Manoel Messias busca terceira Olimpíada
O triatleta Manoel Messias também tenta disputar os Jogos pela terceira vez. Depois de Tóquio 2020 e Paris 2024, ele integra o Grupo A do Projeto Olímpico LA 2028 da Confederação Brasileira de Triathlon, destinado aos principais atletas brasileiros da modalidade.
No início de agosto, Messias terminou em quinto lugar na World Triathlon Cup do Rio de Janeiro, mesmo após se recuperar de uma lesão na costela. O cearense registrou o melhor tempo de corrida da competição, completando os cinco quilômetros em 13min52s.
A classificação olímpica já está em andamento e seguirá até maio de 2028. O objetivo é acumular pontos suficientes para permanecer entre os brasileiros mais bem colocados no ranking internacional.
Vittória Lopes também mira os terceiros Jogos
Outra representante do triatlo, Vittória Lopes também participou de Tóquio e Paris e já manifestou o desejo de disputar sua terceira Olimpíada consecutiva.
A cearense integra o Grupo A do projeto olímpico da Confederação Brasileira e vem conciliando provas da distância olímpica com competições mais longas. Entre os resultados recentes estão o vice-campeonato do Ironman 70.3 Florianópolis e o título do Ironman 70.3 Aracaju.
A corrida pelas 55 vagas femininas do triatlo vai até 18 de maio de 2028. Se o Brasil tiver três atletas entre as 30 melhores do mundo, poderá levar três representantes; caso contrário, o limite pelo ranking individual será de duas.
Adriana Doce depende da classificação do handebol brasileiro
A ponta-direita Adriana Cardoso, a Adriana Doce, segue entre os nomes experientes da Seleção Brasileira Feminina de Handebol.
Aos 35 anos, acumula passagens por ligas da Dinamarca, Espanha, França e Montenegro e chegou à marca de 100 partidas oficiais pela Seleção Brasileira.
Diferentemente dos esportes individuais, sua presença em Los Angeles depende da classificação da equipe brasileira. O caminho passa por competições como Mundial, Jogos Pan-Americanos e, se necessário, os Pré-Olímpicos Mundiais da Federação Internacional de Handebol.
Felipe Manerim tenta vaga no BMX Freestyle
No ciclismo, Felipe “Manerim” disputa o BMX Freestyle Park. O fortalezense de 27 anos foi nono colocado no Campeonato Pan-Americano de 2025 e chegou à vice-liderança do ranking nacional da Confederação Brasileira de Ciclismo.
Também conquistou bronze no Campeonato Brasileiro e vem acumulando experiência em competições internacionais.
A dificuldade está no número reduzido de vagas olímpicas. Em Paris, apenas 12 atletas por gênero disputaram a modalidade. Para chegar a Los Angeles, Manerim precisará pontuar no ranking internacional e obter bons resultados na Copa do Mundo e no Olympic Qualifier Series.
Manu Abreu enfrenta mudança importante no remo
A remadora Manu Abreu, natural de Reriutaba, ficou perto de Paris 2024 ao terminar na quarta colocação da final do Pré-Olímpico das Américas.
Agora, prepara uma nova tentativa e formará dupla com a capixaba Cássia Brito no Double Skiff.
O ciclo, porém, traz uma dificuldade adicional: as categorias de peso leve foram retiradas do programa olímpico. Manu terá de se adaptar às categorias abertas ou avaliar uma transição para o novo formato de velocidade em mar aberto que fará parte de Los Angeles 2028.
Yasmim Lima disputa vaga em categoria de alto nível
No judô, Yasmim Lima integra a Seleção Brasileira na categoria até 52 kg. No fim de 2025, conquistou o Campeonato Sul-Americano, em Assunção, e recentemente ficou com o bronze no Troféu Brasil Interclubes, chegando à marca de seis medalhas consecutivas na competição.
O maior obstáculo é a concorrência interna. A categoria conta com Larissa Pimenta, medalhista de bronze individual e por equipes em Paris 2024. Como cada país pode inscrever apenas uma judoca por categoria, Yasmim terá de acumular pontos em Opens, Grand Prix e Grand Slams para assumir a liderança brasileira na corrida olímpica.
Lucas Rabelo volta à corrida olímpica após lesão
Nascido no Pirambu, em Fortaleza, Lucas Rabelo tenta chegar aos primeiros Jogos depois de ter o ciclo de Paris prejudicado por uma grave lesão no joelho e uma infecção após cirurgia.
Recuperado, o skatista conquistou bronze no Jackalope Mississauga 2026, no Canadá, e prata na etapa de Florianópolis do STU.
A concorrência brasileira no skate street masculino é forte. Cada país pode levar no máximo três atletas por gênero, e Lucas disputa espaço com nomes como Giovanni Vianna, Kelvin Hoefler, Felipe Gustavo e Filipe Mota.
Ceará tem três nomes no vôlei de praia
O vôlei de praia é a modalidade com maior número de cearenses na lista: Rebecca Silva, Carol Horta e Hegê Almeida.
Rebecca, que disputou Tóquio 2020, vive grande fase ao lado de Carol Solberg. A parceria chegou a liderar o ranking mundial em 2025 e acumulou resultados importantes em 2026, com ouro no Elite 16 de Brasília, prata no Rio de Janeiro e bronze em Hamburgo. A corrida brasileira pelas duas vagas olímpicas começa oficialmente em novembro.
Carol Horta, por sua vez, começou o ciclo ao lado de Elize Maia e conquistou a primeira etapa do Circuito Brasileiro. O desempenho lhe rendeu ainda a oportunidade de formar uma parceria temporária com a campeã olímpica Ana Patrícia no circuito internacional. Para entrar na disputa por Los Angeles, terá de acumular pontos nos torneios Challenge e Elite16.
Já Hegê Almeida, que atua ao lado de Vitória Rodrigues, começou a temporada entre as quatro principais duplas brasileiras. A parceria conquistou bronze em Navegantes e prata em Copacabana e busca ampliar a participação no circuito mundial para acumular pontos nas categorias Future e Challenge.
Com atletas experientes e novos candidatos tentando estrear nos Jogos, o Ceará chega à metade do ciclo de Los Angeles com representantes em nove modalidades. Até 2028, o desempenho em rankings, seletivas e competições internacionais será determinante para definir quantos dos 12 nomes conseguirão transformar a possibilidade em vaga olímpica.

