A policial militar Júlia Natália Girão Gomes, presa sob suspeita de envolvimento na morte do soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, também é investigada por suposta participação em um esquema criminoso de criação e comercialização de contas falsas para motoristas de aplicativos de transporte.
Júlia foi presa em flagrante por homicídio na terça-feira (11), após o corpo de Raphael ser encontrado carbonizado dentro de um veículo em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do crime e a possível participação da policial e do marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior.
Além da investigação pela morte do soldado, Júlia já responde por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e valores e participação em organização criminosa, em um caso investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos.
Marido é apontado como articulador de esquema
As investigações sobre as contas falsas começaram em junho de 2025, após uma empresa de transporte por aplicativo apresentar uma denúncia à Polícia Civil.
Segundo a apuração, 13 pessoas fariam parte do grupo responsável pela criação de perfis fraudulentos na plataforma.
Antoneudo é apontado pelos investigadores como o articulador do esquema. Já Júlia teria atuado como colaboradora, fornecendo dados pessoais, instrumentos financeiros e meios de comunicação utilizados para viabilizar as atividades do grupo.
Em setembro de 2025, Antoneudo foi preso e indiciado por organização criminosa, falsa identidade, lavagem de dinheiro e fraude eletrônica.
Júlia, por sua vez, foi indiciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o enquadramento por organização criminosa decorre da prática reiterada dos crimes identificados durante a investigação conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos.
Marido voltou a ser preso após morte do policial
Antoneudo voltou a ser preso nesta terça-feira, durante as investigações relacionadas à morte de Raphael.
Na nova ocorrência, ele foi autuado em flagrante por posse de munições e documentos falsos.
Além dos crimes relacionados ao esquema de contas em aplicativos, ele responde por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
A Polícia Civil agora apura se o casal também teve participação no homicídio do soldado.
Júlia foi autuada por homicídio
Júlia foi levada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Fortaleza, onde acabou autuada em flagrante por homicídio.
A defesa da policial questiona a legalidade da prisão.
O advogado Walmir Medeiros argumenta que Júlia teria comparecido voluntariamente à delegacia e, por isso, na avaliação da defesa, não poderia ter sido presa em flagrante nessas circunstâncias.
A investigação, no entanto, permanece em andamento para esclarecer qual teria sido a participação da militar na morte de Raphael.
Policial ingressou na PM em 2024
Júlia passou a integrar efetivamente a Polícia Militar do Ceará em novembro de 2024, após concluir o Curso de Formação de Soldados.
A SSPDS esclareceu a cronologia do ingresso da policial na corporação diante da revelação das investigações criminais.
Segundo a pasta, Júlia participou do concurso público realizado em 2021 e foi convocada em 2022, quando estava grávida.
A investigação social prevista no concurso foi concluída em fevereiro daquele ano e, naquele momento, não existia registro que provocasse sua reprovação.
Em razão da gestação, Júlia não realizou inicialmente o Teste de Aptidão Física (TAF). Posteriormente, fez o exame, foi aprovada e prosseguiu nas demais etapas do concurso.
Em 2024, realizou o curso de formação e ingressou no efetivo da PMCE.
Investigação criminal começou depois do processo de ingresso na corporação
A Secretaria da Segurança ressaltou que a investigação relacionada ao esquema de contas falsas teve início somente em junho de 2025, depois de Júlia já ter ingressado na Polícia Militar.
Dessa forma, segundo a pasta, os fatos investigados pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos são posteriores às etapas de investigação social e ingresso da soldado na corporação.
Agora, além desse inquérito, a policial é investigada em um caso ainda mais grave: a morte de Raphael Sampaio da Silva, encontrado carbonizado dentro de um carro.
A Polícia Civil trabalha para determinar a dinâmica do homicídio, a motivação e o grau de participação de cada um dos suspeitos.

