A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo nesta quarta-feira (24) em que afirma ter sido “maltratada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante uma conversa sobre a articulação política entre o Partido Liberal e o ex-ministro Ciro Gomes no Ceará. O episódio reacendeu a crise interna no bolsonarismo em torno da tentativa de aliança no estado.
Segundo Michelle, a aproximação entre o PL e Ciro foi conduzida por Flávio Bolsonaro e pelo deputado federal André Fernandes sem o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela voltou a afirmar que sempre foi contrária ao acordo e declarou que não apoiaria uma composição com um político que, segundo ela, atacou Jair Bolsonaro e sua família durante anos.
O Ceará tornou-se o principal foco da divergência dentro do grupo bolsonarista. As negociações buscavam construir uma aliança entre o PL e Ciro Gomes para disputar o Governo do Estado em 2026. Michelle, no entanto, passou a atuar publicamente contra a articulação, defendendo o apoio ao senador Eduardo Girão e classificando a aproximação com Ciro como um projeto motivado por interesses de poder, e não pelo objetivo de enfrentar o PT.
No vídeo, a ex-primeira-dama afirma que foi tratada de forma ríspida por Flávio Bolsonaro ao manifestar sua posição contrária ao acordo. Ela diz ter sido desrespeitada durante a conversa e relata que decidiu tornar o episódio público por considerar que sua versão dos fatos precisava ser conhecida.
A crise evidencia um novo desgaste entre Michelle e integrantes da família Bolsonaro. Nos últimos meses, divergências sobre a estratégia eleitoral para o Ceará já haviam provocado atritos internos, especialmente após lideranças do PL defenderem uma composição com Ciro Gomes.
As declarações também têm repercussão nacional por ocorrerem em meio à reorganização da direita para as eleições de 2026. Enquanto o PL tenta definir sua estratégia nos estados, o impasse no Ceará expõe divisões sobre alianças regionais e sobre o papel de Ciro Gomes no cenário político.

