A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), revelou uma mudança importante no cenário eleitoral para 2026: o avanço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os chamados eleitores independentes, grupo que representa cerca de um terço do eleitorado brasileiro e pode ser decisivo na disputa presidencial.
Segundo o levantamento, os independentes são aqueles que não se identificam como lulistas, bolsonaristas, de esquerda ou de direita. Atualmente, eles correspondem a 32% dos eleitores, percentual semelhante ao dos grupos alinhados aos dois principais polos políticos do país.
De acordo com a pesquisa, 33% do eleitorado se define como lulista ou de esquerda, enquanto outros 33% se identificam como bolsonaristas ou de direita. Nesse cenário de equilíbrio, os independentes surgem como o segmento capaz de desempatar a disputa.
Lula cresce entre independentes
O principal movimento observado pela Quaest ocorreu justamente nesse grupo. Em uma simulação de segundo turno entre Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), o presidente abriu vantagem de 13 pontos percentuais entre os eleitores independentes.
Enquanto Lula passou de 29% para 37% das intenções de voto nesse segmento entre maio e junho, Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 24%.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, houve uma migração significativa desse eleitorado.
“Os independentes trocaram Flávio por Lula”, avaliou.
Cenário do primeiro turno
Na simulação de primeiro turno, Lula também lidera entre os independentes, com 28% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 14%.
Na sequência estão Ronaldo Caiado (PSD), com 6%; Aécio Neves (PSDB) e Romeu Zema (Novo), ambos com 4%; Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP), com 2% cada; e Joaquim Barbosa (DC), com 1%.
O levantamento também mostra que uma parcela expressiva desse grupo ainda não está totalmente engajada na disputa. Entre os independentes, 19% se declaram indecisos, enquanto 18% afirmam que pretendem votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas.
Perfil menos ideológico
Para a Quaest, os independentes possuem características diferentes dos eleitores mais alinhados aos campos políticos tradicionais.
Segundo Felipe Nunes, trata-se de um eleitorado mais pragmático e menos ideológico, que costuma priorizar temas como democracia, segurança pública, combate à corrupção e redução da burocracia.
A pesquisa também identificou que parte significativa desse grupo demonstra certo distanciamento do debate político. O percentual dos que afirmam não votar caiu de 35% para 30%, enquanto os indecisos passaram de 5% para 9%.
Lula abre vantagem no cenário geral
Considerando todo o eleitorado, Lula aparece com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que registra 38%.
O resultado marca o fim do cenário de empate técnico observado desde março. Na pesquisa anterior, divulgada em maio, Lula tinha 42% e Flávio Bolsonaro 41%.
A pesquisa Quaest foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

