A Unilever informou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre indícios de contaminação microbiológica em produtos da Ypê meses antes da suspensão determinada pela agência reguladora.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (14), a multinacional realizou testes técnicos em produtos da concorrente e identificou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa.
As denúncias foram encaminhadas à Anvisa e também à Secretaria Nacional do Consumidor em outubro de 2025 e novamente em março deste ano.
Nos documentos enviados aos órgãos de fiscalização, a Unilever apontou “falhas evidentes nas boas práticas de fabricação” e alertou para o “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.
Após as notificações, equipes da Anvisa realizaram inspeções na fábrica da Química Amparo, localizada em Amparo, no interior de São Paulo.
Concorrente afirma que prática é comum no setor
Em nota enviada ao Diário do Nordeste, a Unilever afirmou que a realização de testes em produtos próprios e de outras marcas é uma prática rotineira da indústria.
“A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas”, declarou a empresa.
A companhia também ressaltou que quaisquer medidas de investigação e fiscalização são conduzidas exclusivamente pelos órgãos reguladores.
Mais de 100 lotes comprometidos
No último dia 7 de maio, a Anvisa determinou o recolhimento de diversos produtos da Ypê após identificar risco de contaminação microbiológica.
A medida atingiu detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes com lotes terminados em número 1.
Durante inspeções recentes, a agência encontrou 76 irregularidades na unidade fabril e mais de 100 lotes comprometidos.
Entre os problemas apontados estão falhas nos sistemas de controle de qualidade, produção e garantia sanitária.
Recurso será analisado nesta sexta
A Anvisa deve analisar nesta sexta-feira (15) o recurso apresentado pela Química Amparo contra a suspensão da fabricação e comercialização dos produtos afetados.
Enquanto não houver nova decisão, a recomendação da agência é que consumidores não utilizem os itens incluídos na resolução sanitária.

