Com um jogador a menos, o Ceará mostrou resiliência – e ótima organização –, venceu o Fortaleza por 2 a 0, com gols de Fernando e Alex Silva, e segue vivo na Copa do Nordeste. Com o resultado, o Alvinegro de Porangabuçu também aumentou o tabu sobre o Tricolor: agora são 14 jogos consecutivos sem derrotas para o rival.
O Vovô também manteve o longo período sem revés para o Leão no torneio regional, que já dura 24 anos, desde 2002. Com os três pontos conquistados na Arena Castelão, o escrete preto-e-branco amenizou a situação delicada que vivia na Lampions, mantendo chances de classificação nas duas rodadas restantes.
O Fortaleza, apesar da derrota, manteve-se dentro do G-2 do Grupo C, com seis pontos conquistados, mesma quantidade do Retrô. O ABC, que venceu na rodada, é o terceiro colocado, com quatro pontos.
Ceará 2 x 0 Fortaleza: o jogo
Diante de um baixo público e sem o tradicional clima de Clássico-Rei na arquibancada, Ceará e Fortaleza protagonizaram, por cerca de 20 minutos, um duelo equilibrado e interessante. Diferente de outros confrontos deste ano, os clubes mostraram boa organização tática, com melhores articulações e menos erros, sobretudo nos passes.
O primeiro suspiro de empolgação veio do lado do Tricolor, logo aos quatro minutos, quando Lucas Emanoel acertou um lindo chute de fora da área que estufou as redes do gol defendido por Richard. No momento da batida, porém, o lance já tinha sido anulado por impedimento. Sem o auxílio do VAR, prevaleceu a decisão em campo – se o equipamento estivesse disponível, certamente haveria revisão do lance.
O Ceará respondeu pouco tempo depois, aos 13 minutos, em bonita jogada individual de Fernandinho. O atacante carregou a bola do meio-campo e foi costurando defensores do Leão até a intermediária, de onde arriscou a finalização. O goleiro Brenno, atento, fez ótima defesa e evitou o tento do Alvinegro de Porangabuçu.
O duelo, então, voltou a esquentar aos 21 minutos, mas não com a bola rolando. Após falta cometida por Ryan em Juan Alano, uma confusão generalizada se instaurou entre atletas do Vovô e do Leão. No meio do empurra-empurra, Fernandinho fez um movimento mais brusco, usando a cabeça contra Maílton, que caiu no chão.
Apaziguados os ânimos, o árbitro saiu distribuindo cartões amarelos para diversos atletas dos dois times. Para Fernandinho, vermelho. A terceira expulsão de um jogador do Ceará nos últimos quatro jogos. A partir disso, o contexto do embate mudou: o Fortaleza, naturalmente, assumiu o controle da posse de bola, enquanto o Alvinegro se fechou para tentar os contra-ataques.
Nesta dinâmica, melhor para o Vovô, que conseguiu neutralizar o pouco criativo Leão. Com exceção de uma cabeçada de Lucas Gazal, em escanteio aos 33 minutos, que passou próximo ao gol de Richard, nenhuma outra grande chance foi criada pelo escrete vermelho-azul-e-branco.
Na volta para o segundo tempo, os treinadores promoveram mudanças táticas. Do lado do Ceará, Alex Silva e Sánchez entraram nos lugares de Rafael Ramos e Matheusinho, o que fez a equipe passar a atuar no 5-3-1. Do lado do Fortaleza, Carpini tirou Kauã e Ryan e colocou Welliton e Pierre, abrindo mão do esquema com três zagueiros e tornando o time mais ofensivo.
Para o Ceará, com apenas Wendel Silva postado à frente, virou um jogo de sobrevivência, sem muitas alternativas para explorar as transições. Para o Fortaleza, virou um jogo de paciência, de encontrar meios de abrir espaços na compacta defesa rival. Assim como no primeiro tempo, prevaleceu a resiliência e a organização do Vovô diante de um fraco repertório ofensivo do Leão.
Quando o Clássico-Rei parecia morno, o roteiro mudou. Aos 26 minutos, em uma rara jogada de ataque do Ceará, João Gabriel achou ótimo passe para Wendel Silva, que disparou em velocidade com o campo livre. O centroavante, na intermediária, puxou para o meio e arriscou o chute. A finalização, embora sem muita força, foi suficiente para Brenno rebater a bola no pé de Fernando, que não desperdiçou: 1 a 0 para o Vovô.
No fim, após as sucessivas tentativas frustradas de ataque do Fortaleza, o Ceará deu o ultimato do jogo com Alex Silva, aos 51 minutos. No lance, o lateral aproveitou falha de Mucuri, dominou no peito e bateu por cima de Brenno, decretando a vitória merecida do Ceará, que mesmo com toda a dificuldade de atuar com um jogador a menos, mostrou mais força, organização e, principalmente, eficiência.
Consequentemente, o triunfo traz consigo muitos aspectos positivos para o técnico Mozart. Para o Fortaleza, apesar do resultado não causar grandes impactos no Nordestão em si, gera forte pressão em Carpini. Afinal, perder um clássico sempre tem consequências.
Com informações de OPOVO

