A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato presidencial colocou o Brasil no centro das manchetes internacionais nesta segunda-feira (26). Jornais, agências de notícias e portais de diferentes partes do mundo destacaram principalmente a dimensão histórica da virada protagonizada pelo presidente, que saiu derrotado do primeiro turno e conquistou mais de 10 milhões de votos adicionais até vencer Flávio Bolsonaro (PL) na votação decisiva.
Veículos dos Estados Unidos, França, Espanha, Reino Unido, Itália e Argentina classificaram o resultado como surpreendente, extraordinário ou histórico e ressaltaram a capacidade de Lula de recuperar terreno eleitoral em apenas três semanas.
Com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, Lula tornou-se o primeiro candidato desde a redemocratização a vencer uma eleição presidencial brasileira depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar.
A vitória também garantiu ao petista um feito inédito: quatro mandatos conquistados pelo voto popular.
New York Times destaca influência de Lula
Nos Estados Unidos, o The New York Times colocou a trajetória política de Lula no centro da cobertura.
O jornal descreveu o presidente brasileiro como o “estadista mais influente da América Latina” e tratou sua recuperação entre os dois turnos como uma reviravolta política de grandes proporções.
A publicação lembrou que Lula entrou no segundo turno em situação desfavorável, após Flávio Bolsonaro liderar a primeira votação, mas conseguiu reorganizar a campanha, mobilizar eleitores e ampliar significativamente sua votação.
O resultado foi apresentado como mais um capítulo de uma carreira política marcada por retornos considerados improváveis em diferentes momentos.
QUADRO — DESTAQUES DA IMPRENSA INTERNACIONAL
The New York Times: destacou Lula como um dos estadistas mais influentes da América Latina.
The Guardian: ressaltou a dimensão histórica do quarto mandato e a recuperação entre os turnos.
El País: tratou a vitória como uma virada histórica da esquerda brasileira.
Le Monde: destacou a extraordinária recuperação eleitoral.
La Repubblica: chamou atenção para a remontada de Lula após a derrota no primeiro turno.
Washington Post: apontou o impacto da vitória sobre o cenário político latino-americano.
‘Retorno histórico’, destaca El País
O espanhol El País abriu espaço de destaque para a vitória brasileira e classificou o resultado como um retorno histórico.
O jornal ressaltou que Lula derrotou Flávio Bolsonaro por uma diferença superior a 4 milhões de votos e conseguiu aquilo que nenhum outro candidato havia feito desde a implantação do sistema de dois turnos no Brasil: perder a primeira votação e vencer a segunda.
A publicação também chamou atenção para a projeção internacional de Lula e para sua posição como uma das principais lideranças progressistas da América Latina.
Para o periódico espanhol, o resultado reforça o papel do Brasil como um contrapeso político ao avanço de governos alinhados ao presidente norte-americano Donald Trump na região.
Guardian fala em virada extraordinária
No Reino Unido, o The Guardian também deu grande destaque à reeleição.
O jornal chamou atenção para a recuperação obtida por Lula depois de um primeiro turno desfavorável e destacou que o presidente conquistou seu quarto mandato aos 80 anos.
A cobertura britânica enfatizou a mobilização dos eleitores entre os dois turnos e a capacidade do presidente de ampliar sua votação em diferentes regiões.
O veículo também observou que a trajetória eleitoral de Lula atravessa mais de três décadas da história democrática brasileira.
QUADRO — A DIMENSÃO DA VIRADA
Lula ganhou aproximadamente 10,3 milhões de votos entre os dois turnos.
Saiu de uma desvantagem superior a 2,2 milhões de votos.
Terminou a eleição com vantagem de cerca de 4,4 milhões.
Cresceu em todos os estados e no Distrito Federal.
Le Monde destaca auge de trajetória política
Na França, o Le Monde dedicou reportagens à vitória e à repercussão internacional.
O jornal destacou que Lula conquistou mais de 10 milhões de votos adicionais entre os dois turnos e reproduziu avaliações da imprensa internacional que trataram o resultado como o ponto culminante de uma trajetória política de cerca de cinco décadas.
A publicação francesa também chamou atenção para a participação dos jovens e para o aumento da mobilização eleitoral na reta final.
O jornal observou, porém, que o novo mandato terá desafios importantes, especialmente diante de um Congresso com forte presença conservadora.
La Repubblica chama resultado de triunfo
Na Itália, o La Repubblica estampou a vitória brasileira destacando a remontada do presidente.
O jornal classificou o resultado como um triunfo de Lula e ressaltou que ele conseguiu superar a derrota no primeiro turno depois de uma campanha intensa.
A publicação chamou atenção também para as grandes mobilizações realizadas durante a reta final, citando manifestações que reuniram multidões em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
Para o periódico italiano, a vitória interrompeu a tentativa da direita bolsonarista de retornar ao Palácio do Planalto.
Washington Post destaca impacto regional
O Washington Post analisou a reeleição a partir de seus efeitos sobre a política latino-americana.
O jornal lembrou que diferentes países da região haviam elegido governos conservadores nos últimos meses e afirmou que a vitória de Lula interrompeu essa sequência no maior país da América Latina.
A publicação também observou que o resultado representa um revés para os planos do governo Donald Trump de ampliar o número de aliados ideológicos na região.
O Brasil, maior economia latino-americana, permanece sob um governo que defende maior autonomia diplomática e relações com diferentes polos internacionais.
QUADRO — BRASIL NO CENÁRIO INTERNACIONAL
A imprensa estrangeira destacou a importância do resultado para:
• a política latino-americana;
• a relação do Brasil com os Estados Unidos;
• a integração regional;
• o comércio com Europa e Ásia;
• a agenda ambiental;
• o papel do Brasil em fóruns multilaterais.
Reuters destaca resultado surpreendente
A agência Reuters também classificou a vitória como surpreendente diante do cenário existente após o primeiro turno e das pesquisas divulgadas durante a campanha.
A agência ressaltou a capacidade de Lula de aumentar o comparecimento de seu eleitorado.
A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo, levando milhões de brasileiros adicionais às urnas.
A Reuters também destacou as manifestações de apoiadores depois da confirmação da vitória, com festas na Avenida Paulista, em São Paulo, e em outras cidades do País.
Mobilização popular chama atenção no exterior
As imagens das comemorações brasileiras também circularam amplamente pela imprensa estrangeira.
Fotografias e vídeos mostraram milhares de apoiadores de Lula ocupando ruas após a confirmação do resultado.
A Avenida Paulista tornou-se um dos principais símbolos da noite da vitória.
O local, que havia recebido grandes atos da campanha durante o segundo turno, voltou a ser ocupado por apoiadores depois que a Justiça Eleitoral confirmou matematicamente a reeleição.
Gritos de “É tetra”, bandeiras brasileiras e do PT e comemorações atravessaram a madrugada.
Imprensa destaca força da recuperação eleitoral
Um dos pontos recorrentes na cobertura estrangeira foi justamente a velocidade da mudança entre os dois turnos.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03%, contra 45,16% de Lula.
Três semanas depois, Lula alcançou 51,79%.
O presidente acrescentou aproximadamente 10,3 milhões de votos à votação anterior, enquanto o adversário cresceu cerca de 3,7 milhões.
A diferença que inicialmente favorecia Flávio em mais de 2 milhões de votos terminou convertida em vantagem superior a 4 milhões para Lula.
QUADRO — DE UMA ELEIÇÃO PARA A OUTRA
Primeiro turno
Flávio Bolsonaro: 47,03%
Lula: 45,16%
Segundo turno
Lula: 51,79%
Flávio Bolsonaro: 48,21%
Resultado: primeira virada presidencial entre os dois turnos desde a redemocratização.
Vitória interrompe sequência conservadora na América Latina
Outra leitura recorrente na imprensa internacional foi o significado regional da eleição.
A Associated Press e o Washington Post destacaram que diversos países latino-americanos haviam eleito governos de direita ou centro-direita recentemente.
A vitória brasileira interrompe essa sequência e mantém o maior país da região governado por uma liderança de esquerda.
A dimensão econômica também foi lembrada.
O Brasil possui a maior economia e a maior população da América Latina e tem peso relevante em organismos como Mercosul, Brics, G20 e Nações Unidas.
Líderes internacionais parabenizam Lula
A repercussão não ficou restrita à imprensa.
Chefes de Estado e autoridades de diferentes correntes políticas felicitaram Lula pela vitória.
Na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron defendeu o fortalecimento da parceria estratégica entre França e Brasil.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou democracia, multilateralismo e a intenção de aprofundar a cooperação com o Brasil em comércio e clima.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também parabenizou Lula e defendeu o aprofundamento das relações entre os dois países.
China, África do Sul, México, Uruguai, Paraguai, Panamá e outros países também enviaram mensagens.
QUADRO — REAÇÃO INTERNACIONAL
Entre os líderes e governos que felicitaram Lula estão representantes de:
• França;
• União Europeia;
• China;
• Índia;
• África do Sul;
• México;
• Uruguai;
• Paraguai;
• Panamá;
• Canadá.
Macron destaca parceria com Lula
Emmanuel Macron afirmou que França e Brasil têm muito a construir juntos e defendeu uma parceria voltada para os grandes desafios internacionais.
Os dois presidentes mantiveram relação próxima durante o terceiro mandato de Lula, principalmente nas discussões sobre clima, Amazônia, transição energética e reforma da governança global.
A continuidade do governo brasileiro mantém essa interlocução pelos próximos quatro anos.
União Europeia fala em democracia e multilateralismo
Ursula von der Leyen também destacou o significado político do resultado.
A dirigente europeia associou a eleição brasileira à defesa da democracia e do multilateralismo e afirmou que a União Europeia pretende continuar trabalhando com o Brasil.
Entre os temas citados estão comércio, mudanças climáticas e uma ordem internacional baseada em regras.
Vitória amplia projeção internacional de Lula
A cobertura mundial da eleição reflete também o espaço que Lula voltou a ocupar na política internacional desde seu retorno à Presidência em 2023.
Nos últimos quatro anos, o presidente buscou retomar a presença brasileira em fóruns internacionais, aprofundou a relação com países do Sul Global e defendeu reformas em instituições multilaterais.
A reeleição garante continuidade a essa política externa até 2030.
Quarto mandato entra para história
Além das análises geopolíticas, jornais estrangeiros destacaram repetidamente um dado simples: Lula será presidente do Brasil pela quarta vez.
Eleito inicialmente em 2002 e reeleito em 2006, retornou ao poder em 2022.
Quatro anos depois, conseguiu nova reeleição.
QUADRO — LULA NAS URNAS
2002: eleito presidente
2006: reeleito
2022: eleito novamente
2026: conquista o quarto mandato
Nenhum outro brasileiro foi eleito quatro vezes para a Presidência pelo voto popular.
Uma vitória brasileira com repercussão mundial
Do New York Times ao El País, do Guardian ao Le Monde, a narrativa que predominou no dia seguinte à eleição foi a dimensão incomum da recuperação política de Lula.
Os veículos também registraram os desafios que o presidente enfrentará no novo mandato, principalmente diante de um Congresso mais conservador e de uma sociedade politicamente dividida.
Ainda assim, o aspecto histórico apareceu de forma recorrente nas manchetes internacionais.
Depois de começar o segundo turno atrás, Lula conquistou milhões de novos votos, reverteu o resultado, tornou-se o primeiro presidente brasileiro a protagonizar uma virada entre os turnos e alcançou um quarto mandato.
A vitória que levou milhares de brasileiros às ruas na noite de domingo atravessou as fronteiras e colocou novamente Lula — e o Brasil — no centro da atenção política mundial.

