Em meio às parabenizações de lideranças mundiais à esquerda e à direita pela vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de domingo (25) chamou a atenção o silêncio do mandatário americano, Donald Trump.
Antes da divulgação dos resultados, o presidente dos Estados Unidos manteve um tom de neutralidade, afirmando apenas que “estamos observando” a disputa ao ser questionado por repórteres sobre se apoiava Lula ou o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Enquanto isso, presidentes de direita da América Latina parabenizaram Lula pela reeleição à Presidência do Brasil. Entre eles estão os presidentes da Colômbia, Abelardo de la Espriella, do Equador, Daniel Noboa, do Chile, José Antonio Kast, do Paraguai, Santiago Peña, e da Bolívia, Rodrigo Paz.
Eles foram eleitos na chamada “onda azul“, que elegeu líderes conservadores em vários países do continente. Outros representantes da guinada à direita, como o argentino Javier Milei e o colombiano Abelardo de la Espriella, ainda não haviam se manifestado até a última atualização desta matéria.
As manifestações destacaram a disposição de manter a cooperação com o Brasil em áreas como integração econômica, segurança e desenvolvimento regional, apesar das diferenças ideológicas entre os governos
Às vésperas de completar 81 anos, o que ocorrerá na próxima terça-feira (27), o petista se tornou, ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL), o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto popular.
O silêncio de Trump
No primeiro turno das eleições presidenciais, ele também evitou declarar seu endosso a um ou outro: “Estou acompanhando a corrida muito de perto”, disse à época.
A postura contrasta com aquela adotada diante de outros pleitos na América Latina, em que Trump declarou apoio expresso aos candidatos de direita e extrema direita na Colômbia (Abelardo de la Espriella), Argentina (Javier Milei), Honduras (Nasry Asfura), El Salvador (Nayib Bukele) e Equador (Daniel Noboa).
Pouco antes do início oficial da campanha eleitoral, porém, o governo americano impôs uma nova rodada de tarifas sobre mercadorias brasileiras, com taxas de até 25%, declarando que as negociações comerciais com a gestão Lula haviam sido infrutíferas porque o mandarário brasileiro seria “egoísta”.
Além disso, Trump recebeu Flávio na Casa Branca para uma reunião muito aguardada pelo campo bolsonarista, depois da qual classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras, uma pauta defendida pelo senador do PL e criticada pelo petista por potenciais riscos à soberania nacional.
“Lula se transformou em Nicolas Maduro”
Em paralelo, um dos advogados de Trump, Martin de Luca, questionou se o domingo havia sido o dia em que “Lula se transformou em Nicolas Maduro”, alertou para o suposto roubo nas eleições e indicou que que “ninguém reconheceria” a eleição.
A publicação foi compartilhada pelo bilionário Elon Musk, dono do X, com um comentário: “Uou”. Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente americano, também compartilhou a postagem.
Na semana passada, a Casa Branca recusou-se a se comprometer com o reconhecimento do resultado eleitoral brasileiro, em resposta a três cartas de congressistas democratas que cobravam o Departamento de Estado e seu chefe, Marco Rubio, a prestar explicações sobre a suspeita de interferência americana no processo democrático brasileiro.
“Os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo. Continuaremos a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade em ambos os países”, respondeu o Departamento de Estado.
Líderes de direita parabenizam Lula
Abelardo de la Espriella, presidente da Colômbia, afirmou que ele e Lula não têm afinidade e são de lados opostos do espectro político, porém reconheceu o resultado e estendeu a mão para que os países continuem cooperando.
“O presidente Lula e eu temos grandes e profundas diferenças políticas e ideológicas, mas concordamos em algo fundamental: Brasil e Colômbia precisam um do outro. (…) Temos muito a fazer e a trabalhar em benefício de nossos povos. O respeito mútuo, a soberania e a cooperação devem nortear nossas relações, assim como a luta contra o narcoterrorismo e a mineração ilegal, a proteção da Amazônia e o bem-estar de nossos cidadãos”, afirmou.
O presidente equatoriano Daniel Noboa parabenizou Lula pela vitória e afirmou que a América Latina tem inimigos em comum e desafios compartilhados. Ele defendeu a cooperação entre os países da região e disse que há muito a ganhar com o trabalho conjunto.
O presidente do Chile Kast afirmou que conversou com Lula e o parabenizou pelo resultado da eleição. O presidente chileno disse que os dois países têm um futuro em comum e defendeu o fortalecimento das relações bilaterais, com foco na integração econômica e no combate ao crime organizado na região.
Peña, que lidera o Paraguai, também felicitou Lula e afirmou que Paraguai e Brasil compartilham uma agenda de integração e desenvolvimento. Segundo ele, os dois governos continuarão trabalhando juntos pelo bem-estar de suas populações.
O líder boliviano, Rodrigo Paz, por sua vez, parabenizou o presidente brasileiro pela vitória e destacou os laços históricos e os desafios compartilhados entre Bolívia e Brasil. O presidente boliviano afirmou que pretende manter a cooperação bilateral para fortalecer as relações entre os países e ampliar oportunidades para suas populações.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, também felicitou Lula e o povo brasileiro pela jornada democrática. Ela defendeu o fortalecimento da aliança estratégica entre os dois países, com ênfase na integração, na cooperação e no desenvolvimento sustentável da Amazônia compartilhada.

