O Supremo Tribunal Federal tenta há mais de um mês intimar o deputado federal Mário Frias para que ele apresente esclarecimentos sobre possíveis irregularidades envolvendo recursos de emendas parlamentares destinados a uma ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação foi aberta após representação da deputada Tabata Amaral, que questiona repasses direcionados ao Instituto Conhecer Brasil, entidade vinculada à produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo longa.
Segundo o pedido encaminhado ao STF, Mário Frias — que atua como produtor executivo do filme — teria destinado cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares à organização.
O caso ganhou repercussão após revelações sobre o financiamento privado de Dark Horse por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Reportagens recentes apontaram que o banqueiro teria repassado aproximadamente R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso na Operação Compliance Zero.
Em março, o ministro Flávio Dino determinou que Mário Frias se manifestasse no prazo de cinco dias sobre os fatos apresentados pela ação. Desde então, oficiais de Justiça tentam localizar o parlamentar.
De acordo com registros do Supremo, houve tentativas de intimação no gabinete do deputado, na Câmara dos Deputados, além de buscas em endereços em Brasília e São Paulo. Até o momento, o parlamentar não foi localizado.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (13), Frias afirmou que o filme foi produzido exclusivamente com recursos privados e negou qualquer utilização de dinheiro público.
“Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado”, declarou o deputado.
O parlamentar também afirmou que deixou a Secretaria Especial da Cultura, durante o governo Bolsonaro, “com as mãos limpas” e rebateu suspeitas envolvendo os recursos das emendas.
Já a Câmara dos Deputados informou ao STF que analisou as emendas parlamentares citadas na ação e que, até o momento, não encontrou irregularidades nos procedimentos.
Segundo a área técnica da Câmara, a prestação de contas das entidades beneficiadas ainda está em andamento e caberá às instituições comprovar a correta aplicação dos recursos públicos.

