Páginas oficiais do Senado Federal e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) atribuíram ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) uma pós-graduação em “ciências políticas” que, segundo a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), não foi cursada pelo parlamentar.
A informação sobre a formação acadêmica aparecia em biografias públicas do político. No caso da página da Alerj, constava que Flávio teria realizado a suposta especialização na UFRJ.
Procurada após a identificação da inconsistência, a universidade informou que não existe registro de Flávio Bolsonaro no Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (Siga), implantado em 2001.
Campanha diz que informação é um erro
A assessoria da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que a informação é resultado de um erro ou equívoco e que o dado pode ter sido reproduzido a partir de fontes disponíveis na internet, como a Wikipédia.
Segundo a equipe do senador, pedidos de correção já foram encaminhados às plataformas que apresentavam a informação incorreta.
A campanha também esclareceu qual seria a formação acadêmica correta do candidato. Flávio Bolsonaro é graduado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, possui pós-graduação em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e MBA em Empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Essas são as qualificações apresentadas atualmente no site oficial da campanha.
Alerj diz que informações são fornecidas pelos próprios parlamentares
Questionada sobre a origem dos dados, a Alerj informou que as informações publicadas nos perfis dos deputados são encaminhadas pelos próprios parlamentares.
Flávio Bolsonaro foi deputado estadual pelo Rio de Janeiro durante quatro mandatos consecutivos antes de chegar ao Senado.
No caso do Senado, a referência à suposta pós-graduação aparecia em um conteúdo produzido pela agência de notícias da própria Casa.
Informação também aparecia em página do LinkedIn
A mesma formação acadêmica incorreta também constava em uma página do LinkedIn atribuída a Flávio Bolsonaro. A página foi suspensa após a divulgação do caso.
A campanha não esclareceu se o perfil era efetivamente administrado pelo senador ou por integrantes de sua equipe.
A referência à suposta pós-graduação não é recente. Registros encontrados pela imprensa mostram que a informação de que Flávio teria cursado a especialização já aparecia em reportagens publicadas desde 2011.
Até nome do curso apresentava inconsistência
Além de não haver registro da passagem do senador pela UFRJ, a própria nomenclatura utilizada nas páginas apresentava uma inconsistência.
Os perfis mencionavam uma pós-graduação em “ciências políticas”. No meio acadêmico, a denominação usual da área é Ciência Política, no singular.
Com a repercussão do caso, a equipe do candidato informou ter solicitado a correção das informações. A formação acadêmica reconhecida pela campanha não inclui, portanto, pós-graduação em Ciência Política pela UFRJ.

