Um relatório preliminar da Polícia Federal divulgado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, revela que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria solicitado a intimidação de uma funcionária ligada à atriz Monique Alfradique.
Segundo os investigadores, a ordem foi dada em fevereiro de 2025 durante uma troca de mensagens entre Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela PF como um dos principais operadores do grupo denominado “A Turma”, responsável por ações de monitoramento, coleta ilegal de informações e intimidação de pessoas consideradas ameaças aos interesses da organização investigada.
De acordo com o documento, após encaminhar o nome e o telefone da funcionária, Vorcaro enviou uma mensagem a Mourão afirmando estar sendo ameaçado por ela.
“Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”, escreveu o ex-banqueiro, segundo o relatório.
Na sequência, Sicário teria enviado a Vorcaro um arquivo contendo dados pessoais e uma fotografia da mulher.
Motivo da ameaça não foi esclarecido
A Polícia Federal afirma que os documentos analisados não esclarecem quais teriam sido as supostas ameaças feitas pela funcionária nem indicam se alguma ação efetiva foi tomada após a troca de mensagens.
Apesar disso, os investigadores consideram o episódio mais um indício do funcionamento da estrutura paralela que, segundo a investigação, era utilizada para pressionar, monitorar e intimidar pessoas consideradas inconvenientes para o grupo liderado por Vorcaro.
Outros casos de intimidação
O relatório destaca que este não teria sido um episódio isolado. A mesma documentação apresenta outras mensagens nas quais Daniel Vorcaro solicita ações semelhantes contra diferentes pessoas.
Entre os alvos mencionados estariam um chefe de cozinha e um capitão de embarcação que prestava serviços ao empresário.
Para a Polícia Federal, os registros reforçam a suspeita de que existia uma rede organizada para obtenção ilegal de informações pessoais, vigilância de indivíduos e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo.
Papel de Sicário
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, é apontado pela PF como responsável operacional pela execução dessas atividades.
Segundo a investigação, ele atuava diretamente na coleta de dados sigilosos, monitoramento de pessoas e cumprimento de demandas apresentadas por Daniel Vorcaro.
Mourão foi preso durante uma das fases da Operação Compliance Zero e morreu posteriormente após uma tentativa de suicídio registrada enquanto estava sob custódia da Polícia Federal.
Investigações continuam
A revelação integra um conjunto de documentos tornados públicos após a retirada parcial do sigilo do inquérito que apura a atuação de uma suposta organização criminosa ligada ao antigo controlador do Banco Master.
As investigações seguem em andamento e analisam suspeitas de monitoramento ilegal, intimidação de adversários, lavagem de dinheiro, corrupção e obtenção clandestina de informações sigilosas.
Até o momento, a assessoria de Monique Alfradique não havia se manifestado sobre o conteúdo do relatório.

