Mais de 4,3 mil crianças e adolescentes foram retirados de situações de trabalho infantil no Brasil ao longo de 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na última sexta-feira (12), data em que é celebrado o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil.
O levantamento também mostra que as ações de fiscalização alcançaram o maior volume da última década, reforçando o enfrentamento à exploração de crianças e adolescentes em todo o país.
Fiscalizações bateram recorde
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, foram realizadas 10.234 ações fiscais em 2025. Como resultado, 4.318 crianças e adolescentes foram identificados e afastados de atividades consideradas trabalho infantil.
Nos quatro primeiros meses de 2026, outros 1.108 jovens já foram retirados dessas situações em diferentes regiões do país.
Os números reforçam a permanência do problema, mas também evidenciam o fortalecimento das ações de fiscalização e proteção da infância.
Maioria estava exposta a atividades perigosas
Os dados apontam que mais de 70% dos casos identificados envolviam atividades classificadas como de alto risco.
As crianças e adolescentes estavam submetidos a situações que poderiam comprometer a saúde, a segurança, o desenvolvimento físico, psicológico e até mesmo a integridade moral.
Entre os setores mais fiscalizados estão:
- comércio varejista;
- venda ambulante de alimentos;
- restaurantes e lanchonetes;
- supermercados;
- oficinas mecânicas;
- atividades industriais.
Estados concentram maior número de casos
Em 2025, os maiores registros de afastamentos foram observados em:
- Minas Gerais;
- São Paulo;
- Mato Grosso do Sul;
- Pernambuco;
- Rio Grande do Sul;
- Espírito Santo;
- Bahia;
- Rio de Janeiro.
Já entre janeiro e abril de 2026, destacaram-se:
- Minas Gerais;
- São Paulo;
- Mato Grosso do Sul;
- Pernambuco;
- Paraná;
- Rio Grande do Sul;
- Goiás;
- Bahia;
- Espírito Santo.
Trabalho infantil compromete direitos fundamentais
Segundo Roberto Padilha Guimarães, coordenador de Erradicação e Fiscalização do Trabalho Infantil da Secretaria de Inspeção do Trabalho, os resultados demonstram a importância da atuação dos auditores fiscais para interromper situações de exploração e garantir direitos básicos de crianças e adolescentes.
Para o coordenador, a fiscalização tem papel decisivo não apenas na retirada imediata dos jovens dessas atividades, mas também na prevenção de novas ocorrências.
Como denunciar
Casos de trabalho infantil podem ser denunciados por meio do Sistema Ipê Trabalho Infantil, plataforma criada pelo Ministério do Trabalho e Emprego para receber denúncias e encaminhá-las aos órgãos responsáveis pela fiscalização.
O combate ao trabalho infantil é considerado uma das principais políticas de proteção à infância, garantindo o direito à educação, ao lazer e ao desenvolvimento integral de crianças e adolescentes.

