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Lula é reeleito para quarto mandato e vitória leva milhares às ruas pelo Brasil
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25) e governará o Brasil pela quarta vez. A confirmação da vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) desencadeou comemorações em diferentes cidades do País, com milhares de apoiadores ocupando ruas e praças após uma das disputas presidenciais mais acirradas da história recente brasileira.
São Paulo, Brasília, Recife e Porto Alegre estiveram entre as cidades que registraram grandes concentrações depois que o resultado se tornou matematicamente irreversível. Bandeiras do Brasil e do PT, música, buzinaços e gritos de “É tetra” marcaram a noite.
O resultado também representa uma virada inédita nas eleições presidenciais brasileiras: Lula terminou o primeiro turno em segundo lugar e conseguiu reverter a desvantagem na votação decisiva.
Lula conquista o quarto mandato
O Tribunal Superior Eleitoral considerou Lula matematicamente reeleito às 21h08, quando 97,69% das seções já haviam sido totalizadas.
Naquele momento, o presidente tinha 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro. Com o avanço da totalização, a vantagem ficou em torno de 51,77% a 48,23%.
Lula conquistou mais de 64 milhões de votos, enquanto Flávio ficou próximo dos 60 milhões.
QUADRO — RESULTADO DO SEGUNDO TURNO
Luiz Inácio Lula da Silva (PT): cerca de 51,77%
Flávio Bolsonaro (PL): cerca de 48,23%
Diferença: aproximadamente 4,4 milhões de votos
Mandato: 2027–2030
Vice-presidente: Geraldo Alckmin (PSB)
Com a vitória, Lula se torna o primeiro brasileiro eleito quatro vezes para a Presidência da República.
Ele venceu as eleições de 2002, foi reeleito em 2006, retornou ao Palácio do Planalto após vencer o pleito de 2022 e agora conquistou mais um mandato em 2026.
Paulista vira palco de festa
Em São Paulo, milhares de apoiadores ocuparam a Avenida Paulista depois da confirmação da reeleição.
A concentração cresceu à medida que a apuração avançava e explodiu em comemoração quando a eleição foi considerada definida.
Entre os gritos ouvidos na avenida estavam “É tetra” e o tradicional “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.
Pessoas de diferentes idades tomaram a região, muitas carregando bandeiras brasileiras, faixas e símbolos da campanha.
Motoristas também participaram da comemoração com buzinaços.
A Paulista teve papel simbólico durante toda a campanha de segundo turno. Foi no local que Lula participou de grandes mobilizações nas semanas anteriores à votação, em uma estratégia para ampliar a presença da militância nas ruas.
QUADRO — A FESTA NA PAULISTA
• milhares de pessoas nas ruas;
• bandeiras do Brasil e do PT;
• gritos de “É tetra”;
• músicas e palavras de ordem;
• buzinaços após a confirmação do resultado.
Brasília também comemora
Na capital federal, apoiadores de Lula também foram às ruas para celebrar a vitória.
As comemorações ocorreram depois de uma campanha em que Brasília havia se transformado em um dos centros de mobilização dos dois candidatos.
O resultado eleitoral na capital também apresentou uma mudança importante: Lula terminou o segundo turno à frente de Flávio Bolsonaro no Distrito Federal, alcançando cerca de 54% dos votos válidos.
A comemoração reuniu militantes, movimentos sociais e eleitores que acompanharam a apuração em pontos da cidade.
Recife celebra vitória de Lula
No Recife, onde a candidatura de Lula teve forte votação, apoiadores também se reuniram para celebrar.
A capital pernambucana deu ao presidente mais de 61% dos votos válidos no segundo turno.
Pernambuco tem um significado particular na trajetória do presidente. Lula nasceu em Garanhuns, no Agreste pernambucano, antes de migrar ainda criança com a família para São Paulo.
As imagens das comemorações mostraram bandeiras, camisas vermelhas e grupos acompanhando juntos a confirmação do resultado.
QUADRO — RECIFE
Lula recebeu aproximadamente 61,3% dos votos válidos na capital pernambucana.
Flávio Bolsonaro ficou com cerca de 38,7%.
Festa também em Porto Alegre
Mesmo no Sul do País, região onde Flávio Bolsonaro obteve forte votação, apoiadores do presidente também celebraram nas ruas.
Em Porto Alegre, grupos vestidos de vermelho se reuniram após a confirmação da vitória nacional.
A comemoração ganhou força à medida que os números mostravam que a vantagem alcançada por Lula já não poderia ser revertida.
Virada começou depois do primeiro turno
A vitória de Lula ganha dimensão adicional porque o presidente havia terminado o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro.
Em 4 de outubro, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%.
A diferença entre os dois era superior a 2,2 milhões de votos.
QUADRO — A VIRADA
1º turno
Flávio Bolsonaro: 47,03%
Lula: 45,16%
2º turno
Lula: cerca de 51,77%
Flávio Bolsonaro: cerca de 48,23%
Foi a primeira vez desde a instituição do sistema de dois turnos nas eleições presidenciais brasileiras que o candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu reverter o resultado e vencer a disputa final.
Campanha mudou estratégia no segundo turno
Depois do resultado de 4 de outubro, a campanha de Lula passou por uma reorganização.
A mobilização nas ruas ganhou maior peso, assim como a comunicação nas redes sociais.
Atos em defesa da reeleição foram realizados em dezenas de cidades e envolveram estudantes, trabalhadores, artistas, movimentos sociais, partidos e apoiadores sem ligação orgânica com as estruturas partidárias.
A Avenida Paulista recebeu uma das maiores mobilizações. Recife, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Goiânia, Belo Horizonte, Manaus e outras cidades também tiveram manifestações durante as semanas de segundo turno.
A campanha ainda intensificou a tentativa de reduzir a abstenção e recuperar eleitores que não haviam comparecido às urnas no primeiro turno.
Mobilização digital ganhou milhões de participantes
Outro elemento que marcou o segundo turno foi a organização de apoiadores pela internet.
O canal “Exército do Lula”, associado ao deputado federal André Janones, tornou-se uma das principais estruturas de mobilização digital da campanha.
O grupo cresceu rapidamente durante as semanas que antecederam a votação e passou a organizar missões, compartilhamento de conteúdos e ações simultâneas nas redes e fora delas.
A estratégia digital caminhou paralelamente ao retorno das grandes manifestações de rua.
Lula agradeceu mobilização antes mesmo do resultado
Ao votar em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Lula já havia destacado a intensidade da participação dos apoiadores nesta eleição.
O presidente afirmou que, apesar de disputar eleições desde 1989, nunca havia visto uma mobilização semelhante.
Lula votou acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de aliados políticos.
Horas depois, a mobilização à qual ele havia se referido se transformaria em festa após a confirmação da reeleição.
Apuração teve reviravoltas
A noite também foi marcada pela tensão durante a contagem.
Lula apareceu na frente nos primeiros números divulgados, mas Flávio Bolsonaro chegou a assumir a liderança durante parte da apuração.
Em determinado momento, o candidato do PL abriu vantagem de centenas de milhares de votos.
Com o avanço da totalização, principalmente das urnas ainda não contabilizadas em diferentes regiões do País, Lula retomou a primeira posição.
A partir daí, sua vantagem cresceu até que o TSE informou que matematicamente Flávio já não tinha votos suficientes a serem contabilizados para ultrapassá-lo.
Às 21h08, a eleição estava definida.
Lula consegue feito inédito
A reeleição acrescenta outro capítulo à trajetória política do ex-metalúrgico que chegou pela primeira vez à Presidência há 24 anos.
Lula disputou sua primeira eleição presidencial em 1989. Depois de derrotas em 1989, 1994 e 1998, chegou ao Planalto em 2002.
Quatro anos depois, conquistou a primeira reeleição.
Em 2022, retornou à Presidência depois de derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno.
Agora, aos 80 anos, venceu Flávio Bolsonaro e garantiu o quarto mandato presidencial.
QUADRO — AS QUATRO VITÓRIAS DE LULA
2002: eleito presidente pela primeira vez
2006: reeleito
2022: eleito para o terceiro mandato
2026: reeleito para o quarto mandato
Posse será em janeiro de 2027
Lula e Geraldo Alckmin iniciarão o novo mandato em janeiro de 2027.
Pelas regras constitucionais que passaram a valer para os mandatos iniciados após as eleições de 2026, a posse presidencial está marcada para 5 de janeiro de 2027.
O novo mandato seguirá até 2030.
Até lá, o resultado ainda passa pelas etapas formais da Justiça Eleitoral, incluindo totalização definitiva, julgamento das contas de campanha e diplomação.
Das ruas da campanha à festa da vitória
As comemorações registradas após a divulgação do resultado encerraram uma campanha de segundo turno marcada justamente pela retomada das ruas.
Durante as três semanas entre as duas votações, apoiadores de Lula organizaram caminhadas, bandeiraços, carreatas e grandes atos em diferentes regiões.
Na noite deste domingo, muitas dessas mesmas ruas voltaram a ser ocupadas — desta vez para celebrar a reeleição.
Na Avenida Paulista, o grito que resumiu a festa foi simples: “É tetra.”

