O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta um impasse para registrar sua candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026. Embora seja o nome do PL para a disputa, ele aparece no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao partido Missão, que afirma ter sido vítima de uma fraude.
O caso está sob análise do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ocorre às vésperas do encerramento do prazo para registro das candidaturas, marcado para as 19h deste sábado (15).
O Missão, que tem Renan Santos como candidato à Presidência, afirma que não solicitou nem autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro na legenda e que tentou cancelar o registro assim que identificou a situação.
Missão afirma que filiação foi fraudulenta
Em nota, o partido declarou ter sido vítima de uma “tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro”.
Segundo a legenda, seu sistema detectou a irregularidade e uma tentativa de cancelamento da filiação foi realizada no mesmo dia. A operação, entretanto, teria sido rejeitada pelo TSE.
Com o nome de Flávio aparecendo vinculado ao Missão no sistema eleitoral, o senador encontra dificuldades para formalizar sua candidatura presidencial pelo PL.
A legislação eleitoral exige que o candidato esteja filiado ao partido pelo qual pretende concorrer. Agora, a situação depende da análise da Justiça Eleitoral.
Partido diz ter avisado gabinete de Flávio dez dias antes
O Missão afirma ainda que alertou o gabinete de Flávio Bolsonaro no Senado em 2 de agosto, dez dias antes de o caso ganhar repercussão.
De acordo com a legenda, mensagens foram encaminhadas ao endereço eletrônico do gabinete e os registros do sistema indicariam que os e-mails foram abertos no dia seguinte, 3 de agosto, mas não receberam resposta.
O partido divulgou imagens que, segundo ele, mostram os e-mails encaminhados e a confirmação de abertura das mensagens.
A legenda informou que pretende entregar às autoridades um relatório contendo logs, e-mails e endereços de IP relacionados ao episódio.
Kim Kataguiri afirma que partido sofreu ataque hacker
O deputado federal Kim Kataguiri, integrante do Missão, afirmou ao g1 que o sistema partidário teria sido alvo de um hackeamento.
Segundo ele, as autoridades serão acionadas para identificar os responsáveis pela suposta invasão.
Até o momento, porém, as informações apresentadas pelo partido constituem sua versão sobre o episódio. A autoria e a dinâmica da suposta fraude ainda deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.
Missão procura PF e TSE
O partido informou que está adotando providências junto à Polícia Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral para investigar como a filiação foi realizada e identificar eventuais responsáveis.
Em nota, o Missão também fez críticas políticas a Flávio Bolsonaro e afirmou que não teria interesse em recebê-lo em seus quadros por considerar que existe “desalinhamento ideológico” entre o senador e a legenda.
O partido também mencionou acusações e suspeitas envolvendo o parlamentar. A manifestação, contudo, representa o posicionamento político da própria legenda e não uma conclusão da Justiça sobre o episódio da filiação.
Prazo aumenta pressão por solução
O problema ocorre em um momento decisivo do calendário eleitoral. O prazo para os partidos e candidatos apresentarem os pedidos de registro termina neste sábado (15), às 19h.
Flávio Bolsonaro é o candidato escolhido pelo PL para disputar a Presidência, enquanto o Missão lançou Renan Santos.
Por isso, a divergência cadastral precisa ser solucionada para que a situação partidária de Flávio seja regularizada e o pedido de candidatura pelo PL possa avançar.
O caso está agora nas mãos do TSE, enquanto o Missão afirma que buscará também uma investigação criminal para descobrir quem realizou a filiação, de que maneira ela foi inserida no sistema e quem seria responsável pela suposta fraude.

