Os valores revelados nas investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), chamaram atenção pela dimensão do investimento. Segundo reportagem publicada pelo site Intercept Brasil nesta quarta-feira (13), ao menos R$ 61 milhões já teriam sido destinados à produção do longa.
O montante supera com folga o orçamento total de O Agente Secreto, produção brasileira dirigida por Kleber Mendonça Filho e estrelada por Wagner Moura. O filme, que ganhou repercussão internacional e chegou ao circuito do Oscar, custou cerca de R$ 28 milhões, conforme dados da Agência Nacional do Cinema.
A produção brasileira foi viabilizada por meio de uma coprodução internacional envolvendo Brasil, França, Alemanha e Holanda.
De acordo com os documentos obtidos pelo Intercept, o valor negociado para Dark Horse poderia chegar a US$ 24 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época. As informações fazem parte de mensagens, áudios e comprovantes de pagamento atribuídos a conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro.
O filme sobre Jair Bolsonaro é protagonizado por Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo, e dirigido por Cyrus Nowrasteh. A história foi desenvolvida a partir de material escrito pelo deputado federal Mario Frias.
Pressão por pagamentos
Ainda segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro teria pressionado Vorcaro diante dos atrasos no repasse de parcelas destinadas à produção do longa.
Em um dos áudios divulgados, o senador afirma que a equipe do filme atravessava um momento decisivo e demonstrava preocupação com compromissos financeiros pendentes.
“Está num momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso”, diz trecho da gravação revelada pelo Intercept.
As transferências teriam ocorrido em seis operações realizadas entre fevereiro e maio de 2025. Parte dos recursos, conforme a publicação, saiu da empresa Entre Investimentos e Participações, ligada ao grupo de Vorcaro, em direção ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos.
Uma das conversas divulgadas teria acontecido em 15 de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central.
Nos diálogos, Flávio Bolsonaro também cita o risco de desgaste internacional caso a produção deixasse de honrar contratos com nomes ligados ao cinema norte-americano. Entre eles, o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

