O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) que irá classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A medida passa a valer oficialmente em 5 de junho.
O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos um dia após o senador Flávio Bolsonaro se reunir, em Washington, com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Segundo Flávio, Rubio teria demonstrado apoio à classificação das facções brasileiras como grupos terroristas. O senador também afirmou ter tratado do tema diretamente com o presidente Donald Trump durante encontro realizado na Casa Branca na terça-feira (26).
Em comunicado oficial, o governo americano informou que PCC e CV serão enquadrados como “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs) e “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs). Segundo Washington, as facções estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e possuem atuação internacional.
Marco Rubio afirmou, em publicação nas redes sociais, que os grupos criminosos brasileiros extrapolam as fronteiras nacionais e alcançam outros países da América Latina e também os Estados Unidos.
“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”, escreveu.
A medida permite ao governo norte-americano ampliar sanções financeiras, bloquear ativos, restringir transações e criminalizar qualquer tipo de apoio material às facções em território americano. Integrantes ligados aos grupos também poderão sofrer restrições migratórias, deportações e bloqueio de vistos.
Nos bastidores, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou evitar a classificação. A avaliação no Palácio do Planalto era de que a medida poderia abrir precedentes para ações mais agressivas dos Estados Unidos em relação ao Brasil.
Uma fonte ouvida pela imprensa afirmou que o governo brasileiro não foi comunicado previamente sobre a decisão.
O tema já vinha sendo discutido entre os dois países desde 2025. Naquele ano, representantes do governo americano pediram formalmente que o Brasil classificasse PCC e CV como organizações terroristas, solicitação rejeitada pelo Ministério da Justiça.
À época, o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, argumentou que as facções brasileiras não se enquadram na Lei Antiterrorismo do país, sancionada em 2016.
A legislação brasileira considera terrorismo atos motivados por xenofobia, discriminação racial, religiosa ou ideológica, com objetivo de provocar terror social. Segundo o governo brasileiro, PCC e CV atuam principalmente com finalidade econômica e lucrativa, por meio do tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes organizados.
Nos Estados Unidos, porém, a interpretação jurídica é diferente. Autoridades americanas alegam que o PCC possui atuação internacional consolidada, presença em diversos estados norte-americanos e capacidade de ameaçar a segurança nacional do país.
Segundo investigações citadas por autoridades dos EUA, o PCC atua em cerca de 30 países e possui mais de 40 mil integrantes. Relatórios também apontam presença de membros ligados à facção em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee.

