Uma pesquisa internacional revelou um mecanismo de fossilização capaz de preservar tecidos moles e até moléculas orgânicas extremamente delicadas em um pterossauro que viveu há cerca de 113 milhões de anos na região da atual Bacia do Araripe, no Ceará. A descoberta ajuda a explicar por que os fósseis encontrados no Cariri cearense apresentam um nível de conservação considerado excepcional pela comunidade científica.
Descoberta ajuda a explicar fósseis extraordinários do Araripe
O estudo analisou um exemplar de pterossauro encontrado na Formação Romualdo, uma das mais importantes áreas fossilíferas do mundo. Os pesquisadores identificaram vestígios de tecidos moles e de compostos orgânicos que normalmente desaparecem pouco tempo após a morte de um organismo.
Segundo os cientistas, a preservação ocorreu graças à ação de bactérias oxidantes de enxofre, que aceleraram o processo de mineralização do cadáver e criaram condições capazes de impedir a degradação completa dos tecidos.
Processo de fossilização surpreendeu pesquisadores
A investigação aponta que a decomposição inicial do animal gerou um ambiente químico favorável ao desenvolvimento de microrganismos específicos. Esses organismos desencadearam uma série de reações minerais que envolveram sulfatos, fosfatos e carbonatos.
O resultado foi a formação de uma espécie de cápsula protetora ao redor do corpo do animal, permitindo que estruturas extremamente frágeis permanecessem preservadas por mais de 100 milhões de anos.
Tecnologia avançada permitiu a descoberta
Para compreender o fenômeno, os pesquisadores utilizaram tomografia computadorizada em três dimensões, microscopia eletrônica, geoquímica isotópica e espectrometria de massa.
As análises revelaram detalhes microscópicos do processo de fossilização e permitiram identificar substâncias orgânicas raramente encontradas em fósseis tão antigos.
Animal viveu durante o período Cretáceo
O exemplar estudado pertence ao grupo dos Anhangueridae, uma família de pterossauros que habitou a região durante o período Cretáceo. Os pesquisadores estimam que o animal possuía aproximadamente oito metros de envergadura.
Os pterossauros foram os primeiros vertebrados a desenvolver voo ativo e conviveram com os dinossauros durante milhões de anos, ocupando diferentes ambientes ao redor do planeta.
Araripe reforça importância para a ciência mundial
A descoberta reforça a relevância da Bacia do Araripe como um dos mais importantes sítios paleontológicos do mundo. A região é reconhecida internacionalmente pela riqueza e pela qualidade de conservação de fósseis de peixes, plantas, insetos, répteis e pterossauros.
Para os autores do estudo, os resultados ajudam a compreender melhor os processos de fossilização e podem abrir novas possibilidades de pesquisa sobre a preservação de tecidos e biomoléculas em organismos pré-históricos. Além disso, o trabalho amplia o conhecimento sobre a fauna que habitava o território cearense há mais de 100 milhões de anos.

