Mais de 30 anos após o lançamento do primeiro filme da franquia, “Toy Story 5” chega aos cinemas nesta quarta-feira (17) trazendo um conflito que faz parte da rotina de milhões de famílias: a relação das crianças com as telas.
A nova animação da Pixar coloca a tecnologia no centro da história ao apresentar uma tablet infantil que passa a disputar a atenção da pequena Bonnie com os brinquedos que a acompanham desde a infância.
A mudança marca uma nova fase da franquia. Com Woody e Buzz em participações secundárias, a liderança da narrativa fica nas mãos de Jessie, a vaqueira apresentada em “Toy Story 2”, que assume de vez o protagonismo da série.
A principal preocupação da personagem surge quando Bonnie recebe o dispositivo eletrônico com a intenção de facilitar sua socialização e ajudá-la a fazer amigos. Jessie, porém, enxerga a novidade com desconfiança e acredita que conexões reais não podem ser substituídas por uma tela.
Segundo a produtora Lindsey Collins, que trabalha na Pixar desde os anos 1990 e participou de produções como WALL-E, o tema foi escolhido justamente por fazer parte da realidade contemporânea.
“Todas as crianças, todos os pais e praticamente todas as pessoas lidam hoje com a presença da tecnologia em suas vidas e com os conflitos relacionados ao tempo dedicado a ela”, afirmou.
A ideia do filme surgiu a partir de uma proposta do diretor Andrew Stanton, roteirista de todos os longas da franquia e responsável por sucessos como Finding Nemo. Desta vez, ele assume pela primeira vez a direção de um capítulo da série ao lado de McKenna Harris.
Para os criadores, o embate entre Jessie e a tecnologia funciona como uma releitura moderna da rivalidade que marcou o primeiro filme entre Woody e Buzz Lightyear.
Além de aprofundar a trajetória da vaqueira, o novo longa também dedica mais espaço ao desenvolvimento de Bonnie, algo pouco comum em uma franquia tradicionalmente focada nos brinquedos.
A aposta da Pixar é alta. Especialistas do mercado projetam que “Toy Story 5” possa ultrapassar US$ 1,5 bilhão em bilheteria mundial, consolidando-se entre as maiores animações da história recente.
Mais do que uma continuação, o filme procura dialogar com uma preocupação atual de pais e educadores: como equilibrar tecnologia e relações humanas em um mundo cada vez mais conectado.
Ao colocar uma tablet como antagonista, a Pixar não demoniza a tecnologia, mas propõe uma reflexão sobre seu papel na infância. E, ao fazer isso, atualiza uma das franquias mais populares do cinema para uma geração que cresceu cercada por telas.

