O Ceará alcançou o menor nível de endividamento dos últimos 15 anos, segundo os dados apresentados pela Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz) durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) para prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2026.
De acordo com o relatório fiscal, o índice da Dívida Consolidada Líquida (DCL) caiu para 24,4% da Receita Corrente Líquida Ajustada (RCLA), resultado que representa uma redução de quase seis pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.
Durante a apresentação, o secretário da Fazenda, Fabrízio Gomes, destacou que o indicador reforça a solidez das finanças estaduais.
“Segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal, esse percentual poderia chegar a 200%. Estarmos em 24,4% demonstra a consistência da gestão fiscal do Estado”, afirmou.
Investimentos crescem 56%
O equilíbrio das contas públicas tem permitido ao Ceará ampliar sua capacidade de investimento. Após registrar, em 2025, o maior volume de investimentos da história do Estado — R$ 4,8 bilhões —, o ritmo de crescimento foi mantido neste início de ano.
Nos quatro primeiros meses de 2026, os investimentos empenhados cresceram 56% em comparação com o mesmo período de 2025, alcançando aproximadamente R$ 1,3 bilhão adicionais.
Segundo a Sefaz, os recursos têm sido direcionados para áreas estratégicas e para a ampliação de políticas públicas em todo o Estado.
“O resultado mostra que a política econômica e fiscal do Governo está funcionando. Isso se traduz em mais capacidade de investimento e mais recursos para melhorar a vida da população”, destacou Fabrízio Gomes.
Receita avança acima da inflação
Outro indicador positivo apresentado foi o crescimento da Receita Corrente Líquida (RCL), que atingiu R$ 40,9 bilhões nos últimos 12 meses, representando alta de 12% em relação ao primeiro quadrimestre de 2025.
O relatório também aponta que o indicador de Poupança Corrente — que mede a diferença entre receitas e despesas correntes — chegou a 85,12% entre janeiro e abril deste ano.
O índice é um dos critérios utilizados pelo Tesouro Nacional para definir a Capacidade de Pagamento (Capag) dos estados. Com os resultados apresentados, a expectativa da equipe econômica é manter a nota máxima Capag A+.
“O sinal de mais na nota A+ demonstra não apenas a qualidade dos indicadores fiscais, mas também a transparência e a consistência das informações prestadas pelo Estado”, explicou o secretário.
Educação e saúde seguem entre as prioridades
No primeiro quadrimestre de 2026, o Ceará empenhou R$ 14,9 bilhões em despesas, sendo R$ 7,6 bilhões destinados ao custeio de pessoal.
Os dados mostram ainda a manutenção dos investimentos em áreas consideradas prioritárias. A educação recebeu 22,02% da receita resultante de impostos, enquanto a saúde ficou com 13,62%, ambos acima dos percentuais mínimos exigidos pela legislação.
Reconhecimento na Assembleia
A audiência foi presidida pelo vice-presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Tributação da Alece, Missias Dias, que destacou a importância da transparência fiscal e elogiou o desempenho da gestão estadual.
Segundo o parlamentar, os resultados demonstram a capacidade do Ceará de manter o equilíbrio das contas públicas sem comprometer os investimentos.
O líder do Governo na Assembleia, Guilherme Sampaio, também ressaltou que o desempenho atual é resultado de uma política fiscal construída ao longo de diferentes administrações.
“A longevidade das boas práticas de gestão fiscal tornou-se um patrimônio do Ceará e explica boa parte dos resultados que estamos colhendo hoje”, afirmou.
A secretária-executiva do Tesouro Estadual, Roberta de Alencar Pita, destacou que a integração entre arrecadação e gestão das despesas dentro da Sefaz contribui para decisões mais eficientes e para o acompanhamento permanente dos impactos das políticas públicas.
Todos os dados detalhados da execução fiscal do Estado estão disponíveis para consulta pública no portal da Secretaria da Fazenda do Ceará.

