A Polícia Civil do Ceará ouviu nesta quinta-feira (24) novos depoimentos no inquérito que investiga as circunstâncias da morte da estudante Isabelle Caracristi, de 22 anos. Entre as pessoas chamadas à delegacia estavam Sara Regina Alexandre Munhoz, mãe de João Munhoz Neto, e o irmão dele. João era namorado da universitária e está preso preventivamente.
Segundo balanço divulgado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 15 pessoas já haviam sido ouvidas oficialmente no inquérito até a noite de quinta-feira. Só naquele dia, prestaram depoimento familiares e pessoas próximas de João, uma amiga de Isabelle e uma moradora do condomínio onde ocorreu a morte.
Mãe de João chegou à delegacia pela manhã
Sara Regina chegou à 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, na Aldeota, por volta das 11 horas. Ela não falou com jornalistas na entrada da unidade.
Além dela, foram ouvidos o irmão de João, a namorada dele e uma pessoa próxima ao grupo. Uma amiga de Isabelle e uma moradora do prédio também prestaram depoimento, conforme a SSPDS.
A mãe de João não é apontada como investigada no caso. Um telefone celular e um tablet ligados a ela já haviam sido apreendidos anteriormente para análise pericial, assim como aparelhos relacionados a João.
Polícia fez buscas no carro do irmão de João
O veículo utilizado pelo irmão de João também foi alvo de um mandado judicial de busca e apreensão nesta quinta-feira.
Segundo a SSPDS, após a vistoria, nenhum objeto considerado de interesse para a investigação foi localizado no interior do automóvel, e o carro foi liberado ao proprietário.
O Opinião CE informou que o irmão, a namorada dele e outra pessoa que os acompanhava foram chamados porque estavam no grupo que levou João de volta ao condomínio depois que souberam da morte de Isabelle.
A Polícia tenta reconstruir não apenas as horas que antecederam a morte da estudante, mas também o comportamento das pessoas próximas após o ocorrido.
Testemunhas que estavam próximas ao local da queda também são ouvidas
Entre os depoimentos colhidos estão relatos de pessoas que estavam no condomínio na noite de 13 de setembro.
Segundo o Opinião CE, um homem e uma mulher que se encontravam próximos à área da piscina foram convocados porque estavam nas proximidades do local onde Isabelle caiu.
Uma amiga de infância da universitária também foi ouvida. A Polícia continua reunindo relatos de familiares, amigos, moradores e outras pessoas que possam ajudar a reconstruir a rotina de Isabelle e o contexto do relacionamento.
João está preso preventivamente
João Munhoz Neto, de 34 anos, foi preso preventivamente na terça-feira (22). No dia seguinte, a Justiça decidiu manter a prisão durante audiência de custódia, e ele foi encaminhado ao sistema prisional.
A Polícia Civil informou que apura possíveis crimes de violência psicológica e induzimento ao suicídio, além de outros fatos relacionados ao período posterior à morte. A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação.
A defesa de João contesta as acusações e ele mantém direito à presunção de inocência enquanto o inquérito e eventual processo judicial estiverem em andamento.
Depoimentos apontam possível relação de controle
Durante coletiva realizada na quarta-feira (23), o delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutiérrez, afirmou que os depoimentos reunidos até então apontavam para uma possível relação marcada por controle e violência psicológica.
Segundo o delegado, testemunhas relataram limitações impostas à rotina de Isabelle e tentativas de afastá-la do convívio com outras pessoas.
Esses relatos ainda estão sendo confrontados com mensagens, áudios, imagens, dados dos celulares e demais elementos técnicos. As alegações fazem parte da investigação e ainda dependem da conclusão do inquérito e da avaliação da Justiça.
Perícia concluiu que queda foi voluntária
A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) informou nesta semana que os exames realizados indicam uma “precipitação voluntária” de Isabelle.
A conclusão pericial afasta, segundo as autoridades, a hipótese de que a estudante tenha sido fisicamente arremessada do prédio. Isso, contudo, não encerra a investigação sobre o contexto que antecedeu a morte.
A Polícia Civil busca esclarecer se houve condutas anteriores que possam ter contribuído criminalmente para o desfecho, especialmente diante dos relatos de possível violência psicológica.
Mais de 700 horas de imagens estão sob análise
A investigação também analisa um grande volume de gravações do condomínio e de áreas próximas.
Segundo informações apresentadas pelas autoridades, cerca de 700 horas de imagens estão sendo examinadas. A Pefoce informou que as gravações utilizadas na perícia não apresentaram sinais de alteração.
Não havia câmera instalada diretamente no rooftop de onde ocorreu a queda, mas imagens captadas em outros pontos do prédio ajudaram os peritos a reconstruir os deslocamentos da estudante e a dinâmica do episódio.
Pefoce já produziu 11 laudos
A investigação também é subsidiada por 11 laudos periciais já produzidos pela Pefoce.
Entre os trabalhos realizados estão necropsia, exame toxicológico, perícia no local, análise de imagens e outros exames técnicos destinados a esclarecer a dinâmica da morte.
A causa médica da morte foi definida como politraumatismo decorrente do impacto da queda.
Polícia apura acontecimentos posteriores à morte
Outro ponto sob análise é o que ocorreu no apartamento depois da morte da estudante.
Depoimentos citados pela Polícia indicam que João teria retornado ao imóvel no dia seguinte e procurado o celular de Isabelle. Também há relatos de que o apartamento teria sido limpo, objetos teriam sido retirados e o imóvel colocado à venda.
Esses fatos ainda estão sendo investigados para determinar se tiveram alguma relevância criminal ou interferiram na preservação de provas.
A existência dessa linha de apuração não significa, por si só, que tenha sido comprovada tentativa de obstrução.
Investigação reúne Polícia Civil, Delegacia da Mulher e DHPP
O caso é conduzido por um Grupo Especial de Investigação (GEI) formado por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Isabelle Caracristi morreu no dia 13 de setembro, após cair de um edifício residencial na Aldeota, em Fortaleza.
A investigação ganhou maior repercussão depois que a mãe da estudante, Isorlanda Caracristi, publicou um vídeo cobrando esclarecimentos sobre a morte da filha. Ela e Rafael Magalhães, irmão de Isabelle, também já prestaram depoimento.
Com os novos depoimentos, a Polícia amplia a reconstrução dos últimos dias de Isabelle, da relação com João e dos acontecimentos registrados depois da morte. Outras análises periciais e diligências continuam em andamento, e o inquérito ainda não foi concluído.

