A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) divulgou, nesta segunda-feira (11), uma nova edição da lista dos 100 filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos. A seleção marca os 15 anos da entidade e atualiza a primeira votação realizada há uma década.
Segundo a associação, a nova lista reflete mudanças no olhar crítico sobre o cinema nacional, com maior presença de diretoras mulheres e cineastas negros.
Entre os títulos escolhidos aparecem clássicos históricos do Cinema Novo, produções marginais, documentários, animações e obras contemporâneas que dialogam com memória, política, identidade e transformações sociais do Brasil.
A votação reuniu cerca de 180 críticos ligados à Abraccine e analisou 1.169 filmes entre curtas e longas-metragens. Diferente da primeira edição, desta vez os títulos não aparecem em ordem de ranking, mas como uma seleção coletiva considerada essencial para a história do audiovisual brasileiro.
O presidente da associação, Orlando Margarido, afirmou que a atualização da lista acompanha mudanças sociais e culturais ocorridas na última década.
Entre os filmes presentes estão marcos como Limite, Deus e o Diabo na Terra do Sol, Macunaíma, Pixote: A Lei do Mais Fraco, Cidade de Deus e Central do Brasil.
A lista também incorpora produções mais recentes que ganharam relevância crítica e internacional, como Que Horas Ela Volta?, Aquarius, Marte Um, Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto.
Entre os destaques apontados pela Abraccine está o crescimento da presença feminina na seleção, com obras dirigidas por cineastas como Helena Solberg, Suzana Amaral, Anna Muylaert, Lúcia Murat e Adélia Sampaio.
A nova edição também amplia o reconhecimento de obras fundamentais para a representação negra no cinema brasileiro, como Alma no Olho, Branco Sai, Preto Fica e Madame Satã.
Os 100 filmes selecionados serão tema de um livro crítico que será lançado no fim do ano pela editora Letramento, reunindo ensaios, análises e textos históricos sobre as produções escolhidas.
Confira a lista dos 100 filmes brasileiros mais influentes:
- 1. Limite (1931), Mário Peixoto
- 2. Ganga bruta (1933), Humberto Mauro
- 3. O ébrio (1946), Gilda de Abreu
- 4. Também somos irmãos (1949), José Carlos Burle
- 5. Carnaval Atlântida (1952), José Carlos Burle
- 6. O cangaceiro (1953), Lima Barreto
- 7. Rio, 40 graus (1955), Nelson Pereira dos Santos
- 8. Rio, Zona Norte (1957), Nelson Pereira dos Santos
- 9. O grande momento (1958), Roberto Santos
- 10. O homem do Sputnik (1959), Carlos Manga
- 11. Aruanda (1960), Linduarte Noronha
- 12. O assalto ao trem pagador (1962), Roberto Farias
- 13. O pagador de promessas (1962), Anselmo Duarte
- 14. Os cafajestes (1962), Ruy Guerra
- 15. Porto das caixas (1962), Paulo Cezar Saraceni
- 16. Vidas secas (1963), Nelson Pereira dos Santos
- 17. À meia noite levarei sua alma (1964), José Mojica Marins
- 18. A velha a fiar (1964), Humberto Mauro
- 19. Deus e o diabo na terra do sol (1964), Glauber Rocha
- 20. Noite vazia (1964), Walter Hugo Khouri
- 21. Os fuzis (1964), Ruy Guerra
- 22. A falecida (1965), Leon Hirszman
- 23. A hora e vez de Augusto Matraga (1965), Roberto Santos
- 24. São Paulo Sociedade Anônima (1965), Luiz Sergio Person
- 25. A entrevista (1966), Helena Solberg
- 26. O padre e a moça (1966), Joaquim Pedro de Andrade
- 27. Todas as mulheres do mundo (1966), Domingos de Oliveira
- 28. A margem (1967), Ozualdo Candeias
- 29. Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967), José Mojica Marins
- 30. O caso dos irmãos Naves (1967), Luiz Sergio Person
- 31. O menino e o vento (1967), Carlos Hugo Christensen
- 32. Terra em transe (1967), Glauber Rocha
- 33. O bandido da luz vermelha (1968), Rogério Sganzerla
- 34. A mulher de todos (1969), Rogério Sganzerla
- 35. Macunaíma (1969), Joaquim Pedro de Andrade
- 36. Matou a família e foi ao cinema (1969), Julio Bressane
- 37. O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), Glauber Rocha
- 38. O despertar da besta (Ritual dos sádicos) (1970), José Mojica Marins
- 39. Sem essa, Aranha (1970), Rogério Sganzerla
- 40. Um é pouco, dois é bom (1970), Odilon Lopez
- 41. Bang bang (1971), Andrea Tonacci
- 42. S. Bernardo (1972), Leon Hirszman
- 43. Toda nudez será castigada (1972), Arnaldo Jabor
- 44. Alma no olho (1973), Zózimo Bulbul
- 45. Compasso de espera (1973), Antunes Filho
- 46. Os homens que eu tive (1973), Tereza Trautman
- 47. A rainha diaba (1974), Antonio Carlos da Fontoura
- 48. Iracema, uma transa amazônica (1975), Jorge Bodanzky e Orlando Senna
- 49. Dona Flor e seus dois maridos (1976), Bruno Barreto
- 50. Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Hector Babenco
- 51. Mar de rosas (1977), Ana Carolina
- 52. A lira do delírio (1978), Walter Lima Jr.
- 53. Tudo bem (1978), Arnaldo Jabor
- 54. A mulher que inventou o amor (1980), Jean Garrett
- 55. Bye bye Brasil (1980), Carlos Diegues
- 56. O homem que virou suco (1980), João Batista de Andrade
- 57. Pixote, a lei do mais fraco (1980), Hector Babenco
- 58. Eles não usam black-tie (1981), Leon Hirszman
- 59. Os saltimbancos trapalhões (1981), J.B. Tanko
- 60. Das tripas coração (1982), Ana Carolina
- 61. Pra frente Brasil (1982), Roberto Farias
- 62. Onda Nova (1983), Ícaro Martins e José Antonio Garcia
- 63. Amor maldito (1984), Adélia Sampaio
- 64. Cabra marcado para morrer (1984), Eduardo Coutinho
- 65. Memórias do cárcere (1984), Nelson Pereira dos Santos
- 66. A hora da estrela (1985), Suzana Amaral
- 67. A marvada carne (1985), André Klotzel
- 68. Filme demência (1986), Carlos Reichenbach
- 69. Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado
- 70. Que bom te ver viva (1989), Lúcia Murat
- 71. Superoutro (1989), Edgard Navarro
- 72. Alma corsária (1993), Carlos Reichenbach
- 73. Carlota Joaquina, princesa do Brazil (1995), Carla Camurati
- 74. Terra estrangeira (1995), Daniela Thomas e Walter Salles
- 75. Baile perfumado (1996), Lírio Ferreira e Paulo Caldas
- 76. Central do Brasil (1998), Walter Salles
- 77. O auto da compadecida (2000), Guel Arraes
- 78. Bicho de sete cabeças (2001), Laís Bodanzky
- 79. Lavoura arcaica (2001), Luiz Fernando Carvalho
- 80. Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund
- 81. Edifício Master (2002), Eduardo Coutinho
- 82. Madame Satã (2002), Karim Aïnouz
- 83. Cinema aspirinas e urubus (2005), Marcelo Gomes
- 84. O céu de Suely (2006), Karim Aïnouz
- 85. Serras da desordem (2006), Andrea Tonacci
- 86. Jogo de cena (2007), Eduardo Coutinho
- 87. Saneamento básico, o filme (2007), Jorge Furtado
- 88. Santiago (2007), João Moreira Salles
- 89. Trabalhar cansa (2011), Juliana Rojas e Marco Dutra
- 90. O som ao redor (2012), Kleber Mendonça Filho
- 91. O menino e o mundo (2013), Alê Abreu
- 92. Branco sai, preto fica (2014), Adirley Queirós
- 93. Que horas ela volta? (2015), Anna Muylaert
- 94. Aquarius (2016), Kleber Mendonça Filho
- 95. Arábia (2017), Affonso Uchoa, João Dumans
- 96. As boas maneiras (2017), Juliana Rojas e Marco Dutra
- 97. Marte um (2022), Gabriel Martins
- 98. Mato seco em chamas (2022), Adirley Queirós e Joana Pimenta
- 99. Ainda estou aqui (2024), Walter Salles
- 100. O agente secreto (2025), Kleber Mendonça Filho

