A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o quarto mandato também projetou definitivamente o senador cearense Camilo Santana (PT) para o centro da articulação política nacional. Convocado para reforçar a campanha depois do resultado do primeiro turno, Camilo assumiu uma das posições de maior responsabilidade na reta final e participou diretamente da reorganização que antecedeu a virada histórica nas urnas.
Chamado pelo próprio Lula de “Rei da Virada”, o ex-governador do Ceará ganhou protagonismo nas três semanas entre os dois turnos, participou de decisões estratégicas, esteve à frente de coletivas, articulou mobilizações e se tornou uma das principais vozes públicas da campanha.
A ascensão ocorreu depois de Camilo participar ativamente da campanha que garantiu a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT) ainda no primeiro turno no Ceará.
Com a disputa estadual resolvida, o senador foi chamado para Brasília e passou a concentrar esforços na reeleição presidencial.
De Fortaleza para o comando nacional
O primeiro turno terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula nacionalmente.
Diante do resultado, o presidente promoveu alterações na estrutura da campanha e incorporou Camilo à coordenação política.
Até então, o comando estava concentrado principalmente em Edinho Silva, presidente nacional do PT.
Na nova divisão de tarefas, Camilo passou a cuidar da articulação política, enquanto Rui Costa, senador eleito pela Bahia, assumiu a coordenação da agenda e Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, ganhou espaço na comunicação.
QUADRO — O NÚCLEO NORDESTINO
Camilo Santana: coordenação e articulação política
Rui Costa: organização da agenda
Rafael Fonteles: estratégia de comunicação
Edinho Silva: coordenação-geral e direção partidária
O grupo ganhou espaço na campanha depois do resultado do primeiro turno.
Lula já o chamava de ‘Rei da Virada’
O apelido dado por Lula não surgiu apenas durante a disputa presidencial.
Camilo acumulou nos últimos anos resultados eleitorais expressivos no Ceará e ganhou fama dentro do grupo governista pela capacidade de participar de campanhas que conseguiram recuperar terreno durante a disputa.
Em 2026, essa imagem se fortaleceu novamente.
No início da eleição estadual, Elmano de Freitas chegou a aparecer 19 pontos percentuais atrás de Ciro Gomes (PSDB) na primeira pesquisa Datafolha divulgada por O Povo.
Ao final do primeiro turno, Elmano garantiu a reeleição.
Com a disputa estadual encerrada, Lula decidiu levar para a campanha nacional parte da estrutura política que havia atuado no Ceará.
Camilo chegou a Brasília acompanhado de Chagas Vieira, que havia coordenado a campanha de Elmano.
QUADRO — DO CEARÁ PARA O BRASIL
Após a vitória de Elmano no primeiro turno, Camilo e integrantes da equipe cearense passaram a colaborar diretamente com a campanha presidencial.
A estratégia utilizada no Ceará, com intensa mobilização de rua e articulação política, também ganhou espaço no segundo turno nacional.
Mobilização nas ruas ganhou força
Uma das características mais visíveis da campanha depois da reorganização foi a retomada das mobilizações presenciais.
Durante os 21 dias entre o primeiro e o segundo turno, atos, caminhadas, bandeiraços e encontros foram realizados em diferentes partes do País.
A estratégia se aproximava do modelo utilizado pela campanha governista no Ceará.
O objetivo era mobilizar a militância, aumentar o comparecimento eleitoral e aproximar a campanha de setores que não haviam participado do primeiro turno.
Camilo esteve presente em diversas dessas articulações e passou a aparecer diariamente em compromissos políticos e entrevistas.
‘Pelotão do Nordeste’ entra em campo
A entrada de Camilo ocorreu dentro de uma estratégia mais ampla de Lula de dar maior espaço às lideranças nordestinas.
Além do senador cearense, Rafael Fonteles e Rui Costa ganharam posições estratégicas.
O grupo passou a ser tratado nos bastidores como uma espécie de “pelotão do Nordeste”.
A missão era ampliar a vantagem de Lula na região, reduzir a abstenção e, ao mesmo tempo, ajudar a reorganizar nacionalmente a campanha.
No Ceará, essa estratégia encontrou um dos resultados mais expressivos do segundo turno.
Lula vence nos 184 municípios do Ceará
A votação no Ceará terminou com Lula na frente em todos os 184 municípios.
O presidente recebeu mais de 4 milhões de votos no estado e ganhou aproximadamente 480 mil votos adicionais em comparação com o primeiro turno.
Flávio Bolsonaro ampliou sua votação em cerca de 60 mil votos.
Lula cresceu, portanto, aproximadamente oito vezes mais em números absolutos no estado entre as duas votações.
QUADRO — RESULTADO NO CEARÁ
Lula: mais de 4 milhões de votos
Crescimento entre os turnos: cerca de 480 mil votos
Municípios vencidos: 184 de 184
Cidades com mais de 75% para Lula: 96
Em Santana do Cariri, Lula alcançou 87,17% dos votos válidos.
Até Morrinhos, única cidade cearense em que Flávio havia vencido no primeiro turno, virou para Lula na votação decisiva.
Camilo também entra no debate sobre segurança pública
O protagonismo do senador não ficou restrito à organização interna da campanha.
Quando a redução da maioridade penal entrou no centro da disputa eleitoral, Camilo apresentou uma alternativa à proposta defendida por integrantes da oposição.
Uma emenda apresentada pelo senador previa redução da maioridade de 18 para 16 anos especificamente para crimes hediondos.
A proposta surgiu em contraposição a uma iniciativa que defendia redução para até 14 anos em determinadas situações.
Lula posteriormente declarou apoio à discussão da redução para 16 anos em casos de crimes hediondos, mas defendeu que o tema fosse tratado separadamente da PEC da Segurança Pública.
A movimentação colocou Camilo também entre os principais interlocutores da campanha em uma das pautas que dominaram a reta final.
Senador assume linha de frente no caso dos sigilos
Outro episódio que deu visibilidade nacional a Camilo foi a disputa em torno da abertura dos sigilos dos candidatos.
Depois de Lula desafiar Flávio Bolsonaro durante o debate da Band a abrir os sigilos bancários e telefônicos, a discussão foi levada ao Tribunal Superior Eleitoral.
Camilo passou a representar publicamente a campanha petista no caso.
Ele participou das negociações, esteve no TSE para protocolar documentos e concedeu diversas entrevistas sobre o tema.
QUADRO — CAMILO NO CASO DOS SIGILOS
• participou das negociações entre as campanhas;
• esteve no Tribunal Superior Eleitoral;
• apresentou documentação em nome da campanha de Lula;
• concedeu coletivas sobre o cumprimento do acordo;
• tornou-se um dos principais porta-vozes da campanha no assunto.
Na última semana antes da eleição, o tema ocupou parte significativa do debate político nacional.
Presença constante nas coletivas
A nova função também mudou a exposição pública de Camilo.
Durante o primeiro turno, o senador havia concentrado esforços principalmente no Ceará.
No segundo, passou a aparecer com frequência em Brasília e em eventos nacionais.
Coletivas de imprensa, reuniões de coordenação, entrevistas e atos políticos transformaram Camilo em um dos rostos mais presentes da campanha.
A estratégia também serviu para dividir a comunicação política da candidatura entre diferentes lideranças, evitando que toda a reação aos acontecimentos do dia ficasse concentrada em Lula.
Virada nacional se confirma nas urnas
A eleição terminou com uma mudança inédita.
Flávio Bolsonaro havia encerrado o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Três semanas depois, Lula terminou o segundo turno com cerca de 51,8% e conquistou a reeleição.
Foi a primeira vez desde a redemocratização que o candidato derrotado no primeiro turno conseguiu virar uma eleição presidencial na etapa final.
QUADRO — A VIRADA
Primeiro turno
Flávio Bolsonaro: 47,03%
Lula: 45,16%
Segundo turno
Lula: cerca de 51,8%
Flávio Bolsonaro: cerca de 48,2%
Lula conquistou mais de 10 milhões de votos adicionais entre as duas etapas.
A vitória não pode ser atribuída a uma única liderança ou estratégia. O resultado envolveu mobilização digital, atos de rua, maior comparecimento eleitoral, articulações regionais, migração de votos e mudanças na organização da campanha.
Dentro dessa estrutura, porém, Camilo ocupou uma posição formal de destaque durante todo o segundo turno.
Comemoração ao lado de Lula
A nova posição ficou evidente também nas imagens divulgadas depois da confirmação do resultado.
Camilo apareceu ao lado de Lula durante a comemoração da vitória e foi citado pelo presidente entre os integrantes da equipe que participaram da reação da campanha.
Nas redes sociais, o senador comemorou o quarto mandato.
“É tetraaaaaa! Vamos juntos, meu presidente Lula”, escreveu ao publicar imagens da celebração.
Durante a comemoração, Lula voltou a fazer referência ao histórico eleitoral do aliado e ao apelido de “Rei da Virada”.
Ceará ganha espaço no novo cenário nacional
A atuação durante o segundo turno também aumenta o peso político de Camilo e do grupo cearense dentro do PT e do próximo governo.
Ex-governador por dois mandatos, ex-ministro da Educação e senador, Camilo já ocupava posição relevante dentro do partido.
A participação na coordenação da campanha presidencial acrescenta agora uma dimensão nacional ainda maior à sua trajetória.
O desempenho eleitoral do Ceará reforça esse movimento.
Além de Lula vencer em todas as cidades do estado, o Ceará registrou a menor abstenção do Brasil no segundo turno.
Um dos rostos da reação do segundo turno
A trajetória de Camilo durante a eleição resume parte da mudança ocorrida dentro da campanha de Lula.
No primeiro turno, ele esteve concentrado na disputa estadual e na reeleição de Elmano.
No segundo, foi chamado para Brasília, assumiu a coordenação política e passou a atuar diariamente na estratégia presidencial.
Esteve nas articulações, nas ruas, nas coletivas e em temas centrais da reta final.
Quando as urnas foram fechadas, Lula havia transformado uma desvantagem superior a 2 milhões de votos em uma vitória por mais de 4 milhões e conquistado o quarto mandato.
Dentro da campanha, Camilo terminou a eleição não apenas como uma das principais lideranças do PT no Ceará, mas como um dos nomes que ganharam maior projeção nacional durante a virada do segundo turno.
Outras manchetes com destaque para Camilo e Lula:
- ‘Rei da Virada’: Camilo ganha força nacional após atuação na reeleição de Lula
- De articulador no Ceará a coordenador nacional: Camilo ganha protagonismo na virada de Lula
- Camilo leva estratégia do Ceará à campanha nacional e emerge fortalecido após reeleição de Lula
- Camilo assume linha de frente no segundo turno e ganha projeção com vitória histórica de Lula
- Lula vence de virada e Camilo se consolida entre principais articuladores nacionais do PT
- Após ajudar na reação do segundo turno, Camilo ganha novo peso político com reeleição de Lula

