A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Ceará definiu como uma das prioridades para o segundo turno reduzir a abstenção e conquistar eleitores que votaram em branco ou anularam o voto no primeiro turno. A estratégia também prevê uma comunicação mais regionalizada, com foco em temas concretos e de impacto direto na vida da população.
No primeiro turno, realizado no domingo (4), Lula recebeu 3.555.263 votos no Ceará, o equivalente a 63,29% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) obteve 1.756.850 votos, ou 31,27%. Foram ainda 103.295 votos brancos e 189.362 nulos.
A abstenção chegou a 15,52% do eleitorado apto a votar, o equivalente a 1.086.074 pessoas. Apesar de o índice ter ficado abaixo do registrado em 2022, aliados do presidente veem esse contingente como um dos principais públicos a serem mobilizados nas próximas semanas.
Meta é levar Lula a pelo menos 70% no Ceará
O governador reeleito Elmano de Freitas (PT) já havia antecipado, ainda no domingo, a intenção de aumentar a votação de Lula no Estado dos atuais 63,29% para pelo menos 70% no segundo turno.
Segundo o coordenador da campanha de Lula no Ceará, Chagas Vieira (PDT), a expectativa é acrescentar aproximadamente 500 mil votos ao resultado obtido no primeiro turno.
QUADRO — META DA CAMPANHA NO CEARÁ
Primeiro turno: 3.555.263 votos para Lula
Percentual: 63,29% dos votos válidos
Meta anunciada: chegar a pelo menos 70%
Objetivo adicional: conquistar cerca de 500 mil votos a mais no segundo turno.
A mobilização deve envolver prefeitos, deputados, lideranças partidárias e militantes, inclusive candidatos que não foram eleitos no primeiro turno.
PT quer diminuir abstenção
Para o deputado estadual De Assis Diniz, vice-presidente nacional do PT, reduzir a ausência de eleitores nas urnas será uma das frentes fundamentais da campanha.
O dirigente afirmou que o partido pretende diminuir a abstenção em um ou dois pontos percentuais no Nordeste e recuperar percentuais de votação registrados em eleições anteriores.
QUADRO — DE ASSIS DINIZ
O vice-presidente nacional do PT defendeu reduzir a abstenção no Nordeste e ampliar a votação de Lula na região.
A estratégia, segundo ele, também inclui atenção especial a São Paulo e Minas Gerais, além de buscar percentuais entre 70% e 75% em estados nordestinos onde o presidente já teve votação expressiva.
Cid aponta eleitor de baixa renda como público prioritário
O senador reeleito Cid Gomes (PSB) avalia que parte do eleitorado mais propenso a votar em Lula também está entre os segmentos que enfrentam maior dificuldade para comparecer às urnas.
Segundo ele, pessoas de menor renda e que vivem longe dos grandes centros urbanos aparecem entre os públicos mais suscetíveis à abstenção.
Cid também chamou atenção para o uso do voto como prova de vida por beneficiários de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), mecanismo que pode reduzir a necessidade de deslocamentos a agências do INSS.
QUADRO — CID GOMES
Cid destacou que votar pode servir como prova de vida para beneficiários de programas previdenciários e assistenciais.
Para o senador, a informação pode contribuir para aumentar o comparecimento às urnas, especialmente entre pessoas que moram longe dos centros urbanos.
Votos nulos também entram na estratégia
Outro alvo da campanha são os eleitores que compareceram às urnas, mas votaram em branco ou anularam o voto.
No Ceará, foram mais de 292 mil votos nessas duas categorias no primeiro turno. A avaliação entre aliados de Lula é que parte desse eleitorado pode ser convencida a escolher um candidato na segunda etapa da eleição.
Cid Gomes também observou que a votação do segundo turno será mais simples, já que o eleitor precisará digitar apenas os números referentes às disputas restantes, reduzindo o tempo dentro da cabine.
Redes sociais e influenciadores ganham espaço
A campanha também pretende ampliar sua atuação digital.
De Assis Diniz afirmou que o partido quer fortalecer a relação com influenciadores, intelectuais e setores do campo progressista, além de intensificar a comparação entre os projetos políticos em disputa.
A avaliação interna do PT é de que o desempenho digital da campanha no primeiro turno ficou abaixo do esperado, sobretudo entre jovens, mulheres e eleitores de centro. O marqueteiro Otávio Antunes foi chamado para reforçar essa área.
Campanha quer falar de temas práticos
A orientação é aproximar a comunicação de assuntos que tenham relação direta com o cotidiano dos eleitores.
Entre os temas citados estão o fim da escala 6×1 e as entregas dos governos federal e estadual em áreas como infraestrutura e políticas sociais.
QUADRO — ELMANO DEFENDE COMPARAÇÃO DE ENTREGAS
Elmano de Freitas defendeu que a campanha mostre, estado por estado, as obras e políticas públicas realizadas durante o governo Lula.
Para o governador, o debate eleitoral deve priorizar resultados concretos e demonstrar de que forma essas ações afetam a vida da população.
Lideranças cearenses participaram de reunião com Lula
Após o primeiro turno, uma comitiva do Ceará viajou a Brasília para participar de uma reunião com a coordenação nacional da campanha no Palácio da Alvorada.
Participaram do encontro, entre outros, Elmano de Freitas, Camilo Santana, Cid Gomes e Luizianne Lins, além de dirigentes partidários, governadores, deputados, senadores e integrantes da coordenação nacional.
Camilo Santana deve dividir a coordenação nacional da campanha com o presidente do PT, Edinho Silva.
Lula pode ter agenda no Ceará
A campanha também avalia ampliar a presença de Lula no Nordeste durante o segundo turno.
Uma agenda já está prevista para o Rio Grande do Norte, e há expectativa de visitas ao Ceará, Maranhão, Piauí, Bahia e Pernambuco.
Segundo De Assis Diniz, a intenção é que Lula dialogue de forma mais regionalizada, destacando ações realizadas em cada estado e propostas para os próximos anos.
Região Metropolitana é um dos desafios
Apesar da ampla votação de Lula no Ceará, aliados identificam como desafio o crescimento do eleitorado conservador na Região Metropolitana de Fortaleza.
Em 14 municípios, incluindo Fortaleza, Caucaia e Maracanaú, Lula ficou abaixo de 60% dos votos válidos no primeiro turno.
Ao mesmo tempo, o presidente venceu Flávio Bolsonaro nos dez maiores colégios eleitorais do Ceará e registrou percentuais acima de 76% em cidades como Crato e Iguatu.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a estratégia dos aliados no Estado combina mobilização territorial, reforço nas redes sociais e tentativa de transformar abstenções, votos brancos e nulos em votos válidos.

