Os candidatos Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede) estiveram no centro de alguns dos principais confrontos do debate entre postulantes ao Senado pelo Ceará, realizado nesta quinta-feira (24), em Fortaleza. Os dois concentraram parte significativa de suas intervenções na comparação entre os governos de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), além de cobrarem dos adversários posicionamentos sobre a disputa presidencial deste ano.
O encontro, promovido pelo Grupo de Comunicação O POVO no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE), reuniu também Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL). O Ceará terá duas vagas para o Senado em disputa nas eleições de 4 de outubro.
Cid cobra de Wagner posicionamento sobre eleição presidencial
Um dos principais embates ocorreu quando Cid Gomes direcionou uma pergunta a Capitão Wagner e cobrou do candidato uma posição clara sobre quem apoiará para presidente.
Cid apresentou sua candidatura e a de Luizianne como integrantes do campo político de Lula no Ceará e relacionou a parceria com o governo federal à realização de investimentos no Estado.
O candidato do PSB afirmou que a eleição presidencial também tem impacto direto sobre o Ceará e defendeu a continuidade da relação entre os governos estadual e federal.
Durante a intervenção, Cid resumiu o alinhamento político afirmando que a chapa ligada ao presidente no Estado é formada por Elmano de Freitas, Luizianne Lins e ele próprio.
Capitão Wagner respondeu sem evitar o posicionamento e confirmou que pretende votar em Flávio Bolsonaro (PL) para presidente. Ao mesmo tempo, afirmou que gostaria de concentrar o debate nas questões específicas do Ceará.
Luizianne questiona legado do governo Bolsonaro no Ceará
Luizianne Lins também direcionou boa parte de suas intervenções à comparação entre os dois campos nacionais.
Logo na abertura das perguntas livres, a candidata questionou Alcides Fernandes sobre a atuação do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Luizianne criticou a condução da crise sanitária e cobrou do candidato do PL uma avaliação sobre as decisões tomadas pelo ex-presidente naquele período.
Alcides respondeu reafirmando sua identificação com Bolsonaro e desviou o confronto para a destinação das emendas parlamentares de Luizianne, questionando o envio de recursos para outros estados.
Em outro momento, Luizianne ampliou a cobrança e desafiou Alcides Fernandes e Capitão Wagner a citarem grandes obras ou ações estruturantes realizadas pelo governo Bolsonaro no Ceará.
A candidata citou setores como habitação popular, saúde e ensino superior ao defender que os investimentos do governo federal têm impacto direto no desenvolvimento do Estado.
Alcides reagiu mencionando a transposição do Rio São Francisco e recursos destinados por meio de emendas para instituições cearenses, entre elas o Instituto do Câncer do Ceará.
Lula e Flávio Bolsonaro atravessam debate estadual
Embora os quatro candidatos disputem vagas no Senado pelo Ceará, a corrida presidencial esteve presente desde os primeiros minutos.
Cid e Luizianne buscaram associar suas candidaturas ao presidente Lula, enquanto Capitão Wagner e Alcides Fernandes foram cobrados sobre o alinhamento com o campo bolsonarista e com a candidatura de Flávio Bolsonaro.
A estratégia levou para o debate estadual temas nacionais como a pandemia, investimentos federais, segurança pública e a relação institucional entre o Ceará e o Palácio do Planalto.
Cid argumentou que a parceria com o governo federal é importante para garantir obras, geração de emprego e desenvolvimento econômico. Luizianne concentrou suas cobranças na comparação entre as políticas implementadas nas gestões Lula e Bolsonaro.
Luizianne confronta Wagner sobre facções criminosas
Outro embate relevante ocorreu no bloco sobre segurança pública.
Capitão Wagner questionou Luizianne sobre a proposta de classificar organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas.
Wagner defendeu a medida como instrumento para endurecer o enfrentamento às facções e também mencionou propostas como a redução da maioridade penal.
Luizianne discordou e argumentou que decisões sobre a classificação e o enfrentamento de organizações criminosas brasileiras não deveriam estar subordinadas a diretrizes internacionais ou aos Estados Unidos.
A candidata relacionou o tema à defesa da soberania nacional e sustentou que o combate ao crime organizado precisa ocorrer dentro da legislação e das instituições brasileiras.
Cid defende maior participação federal na segurança
Cid também levou propostas para a discussão sobre segurança pública.
O candidato do PSB defendeu mudanças na legislação que permitam uma atuação mais direta do Governo Federal no combate às organizações criminosas.
Segundo ele, o enfrentamento das facções exige integração entre União e estados, além de políticas preventivas ligadas à educação e à geração de renda.
Cid afirmou que uma mudança constitucional poderia ampliar a capacidade do governo federal de coordenar ações nacionais de segurança.
Wagner cobra Cid sobre caso de Bebeto do Choró
Capitão Wagner direcionou um dos momentos mais tensos do debate a Cid Gomes.
O candidato questionou o adversário sobre sua relação partidária com o ex-prefeito de Choró Bebeto do Choró, investigado por suspeitas de envolvimento em crimes e ligações com organização criminosa.
Wagner afirmou que Cid teria defendido a inocência do ex-prefeito.
Cid negou ter feito essa declaração e respondeu que sempre defendeu o direito constitucional à ampla defesa. Ele afirmou ainda que teve poucos contatos pessoais com Bebeto e lembrou que o partido adotou medidas contra o político depois que ele passou à condição de foragido.
As suspeitas envolvendo Bebeto fazem parte de investigações e não equivalem a uma condenação definitiva.
Debate teve trocas de acusações e pedidos de resposta
O encontro também foi marcado por confrontos diretos entre os participantes.
Em determinado momento, Alcides Fernandes chamou Cid Gomes de “traíra”. Cid respondeu pedindo que o adversário mantivesse a urbanidade durante o debate.
Houve ainda acusações envolvendo emendas parlamentares.
Alcides questionou Luizianne sobre recursos destinados a outros estados. Ela rejeitou a acusação e afirmou que suas emendas atendem projetos de interesse da população cearense.
Os confrontos provocaram diversos pedidos de direito de resposta, mas todos foram rejeitados pela comissão jurídica responsável pelo debate.
Cid e Luizianne reforçam vínculo com Lula
Ao longo do encontro, Cid e Luizianne apresentaram de forma reiterada sua vinculação ao projeto político do presidente Lula e utilizaram esse alinhamento como um dos principais pontos de contraste com os adversários.
Cid concentrou parte de sua participação em investimentos federais, relação institucional com o Ceará e segurança pública, enquanto Luizianne colocou no centro de suas intervenções temas como pandemia, políticas sociais, soberania e ações do Governo Federal no Estado.
Do outro lado, Capitão Wagner confirmou apoio a Flávio Bolsonaro e procurou deslocar os confrontos para segurança pública e questões estaduais. Alcides Fernandes reafirmou sua identificação com o bolsonarismo e contestou as críticas feitas por Luizianne e Cid.
Assim, além da disputa pelas duas cadeiras cearenses no Senado, o debate reproduziu uma das principais divisões da eleição nacional de 2026: de um lado, candidatos associados a Lula; do outro, nomes que se identificam com o campo político de Flávio e Jair Bolsonaro.

