A Polícia Civil concluiu que o assassinato do soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, teve motivação passional. A investigação aponta que ele mantinha um relacionamento extraconjugal com a também policial militar Júlia Natália Girão Gomes, enquanto ambos eram casados com outras pessoas.
Júlia e o marido, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, foram indiciados por homicídio qualificado, por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Raphael foi morto no dia 11 de agosto, depois de deixar o serviço acompanhado de Júlia. Segundo a Perícia Forense, ele levou três tiros na cabeça e, depois de morto, teve o corpo carbonizado dentro do próprio carro, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Investigação aponta ciúme e conhecimento do relacionamento
De acordo com o inquérito, testemunhas afirmaram que Antoneudo sabia do relacionamento entre Júlia e Raphael e demonstrava ciúme intenso.
A investigação também registrou que, na véspera do crime, Raphael teria contado a uma pessoa próxima que ele e Júlia pretendiam assumir publicamente o relacionamento e se separar dos respectivos cônjuges.
Para a Polícia Civil, esses elementos dão suporte à tese de motivação passional e afastam a ideia de que o crime teria ocorrido por uma razão aleatória.
Antoneudo é apontado como provável autor dos disparos
A análise da polícia indica que Antoneudo pode ter sido o responsável pelos tiros que mataram Raphael.
Imagens de câmeras de segurança mostram que o carro da vítima, um Hyundai I30, foi seguido por um Chevrolet Prisma ligado a Antoneudo. O veículo havia sido comprado por ele em setembro de 2025.
Nas imagens, um ocupante do Prisma desce do carro e, pouco depois, aparecem três clarões compatíveis com disparos de arma de fogo. A perícia confirmou que Raphael foi atingido exatamente três vezes na cabeça.
Depois do crime, o Prisma foi registrado entrando na residência de Júlia e Antoneudo. Impressões digitais de Antoneudo também foram encontradas no interior do veículo.
Outro elemento destacado pela polícia foi uma lesão no punho direito de Antoneudo, identificada três dias depois do homicídio e descrita como compatível com queimadura de segundo grau.
Júlia teria participado ativamente da ação
Segundo a Polícia Civil, Júlia não teve papel apenas posterior ao crime. O inquérito afirma que ela teria atuado como agente ativa na ação.
Testemunhas relataram que Júlia não estava originalmente escalada para trabalhar com Raphael entre os dias 10 e 11 de agosto, mas insistiu para integrar o plantão dele. Ela teria inclusive oferecido R$ 50 para outra policial trocar de lugar na escala.
Depois do expediente, Júlia saiu do batalhão no carro de Raphael e seguiu com ele até uma rua próxima à própria residência.
Após o homicídio, ela afirmou aos investigadores que os dois haviam sido abordados por criminosos e que ela teria sido sequestrada, amarrada e deixada em um matagal.
A versão, porém, entrou em conflito com as imagens de segurança.
Câmeras contradisseram versão de sequestro
Menos de quatro horas depois do crime, Júlia foi filmada ao lado de Antoneudo levando a filha à escola.
Na sequência, o casal também foi registrado em uma oficina, onde deixou o Chevrolet Prisma e saiu em outro veículo.
Júlia apareceu usando um vestido rosa, embora tivesse saído do serviço fardada. Segundo a investigação, ela não conseguiu explicar em que momento teria trocado de roupa.
Para a Polícia Civil, a versão do sequestro foi incompatível com os registros objetivos e reforçou os indícios de participação no crime.
Veja a cronologia apontada pela investigação
Raphael e Júlia trabalharam juntos entre as 16h do dia 10 e as 2h do dia 11 de agosto.
Às 2h19, os dois deixaram o 16º Batalhão da Polícia Militar no carro de Raphael.
Por volta das 2h40, o veículo chegou à rua onde Júlia morava com Antoneudo.
Às 3h02, um carro branco se posicionou atrás do Hyundai I30.
Quatro minutos depois, câmeras registraram três clarões e sons compatíveis com tiros.
Às 3h07, os dois veículos deixaram o local juntos.
Às 3h22, o Chevrolet Prisma foi filmado sozinho, a cerca de 226 metros do ponto onde o carro de Raphael seria encontrado incendiado.
Dentro do veículo da vítima, a perícia encontrou ainda uma algema no banco traseiro e um recipiente com gasolina nas proximidades.
Defesas se manifestam
A defesa de Júlia Natália informou que pretende pedir a soltura da policial.
Já a defesa de Antoneudo Ribeiro afirmou que não comentará o caso.
Com o indiciamento concluído, o inquérito segue agora para análise do Ministério Público, que poderá decidir sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça.

