A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) atualizou o protocolo de vigilância para a Febre do Nilo Ocidental (FNO) e a Encefalite de Saint Louis, doenças transmitidas por mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como muriçocas ou pernilongos. Apesar da nova orientação, não há registro de novos casos nem indicação de surto das doenças no Estado.
A nota técnica, publicada em julho, estabelece medidas para prevenção, identificação de casos suspeitos, coleta de amostras e monitoramento da possível circulação dos vírus.
Segundo a Sesa, as orientações sobre a Febre do Nilo já existiam no Ceará desde 2019. A atualização faz parte do aprimoramento contínuo da vigilância epidemiológica e busca preparar os profissionais de saúde para uma eventual ocorrência da doença.
O Ceará teve apenas um registro confirmado de Febre do Nilo Ocidental. Em 2019, um cavalo morreu em Boa Viagem, no Sertão Central, após ser infectado pelo vírus. Desde então, nenhum caso humano foi confirmado no Estado.
Até o momento, segundo a Secretaria, o Ministério da Saúde também não emitiu alerta aos estados relacionado à ocorrência de casos da doença em 2026.
Doença é transmitida por muriçocas
A Febre do Nilo Ocidental é uma arbovirose transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex infectados. As aves silvestres têm papel importante no ciclo do vírus, enquanto seres humanos e outros animais, como cavalos, podem ser infectados.
Na maioria das pessoas, a infecção não provoca sintomas. De acordo com dados citados pelo Ministério da Saúde, aproximadamente 20% dos infectados desenvolvem manifestações entre dois e 14 dias depois da contaminação.
Entre os sintomas estão febre, cansaço, dores musculares, fraqueza, problemas gastrointestinais, manchas na pele e alterações neurológicas.
Os quadros graves são mais raros. Cerca de um em cada 150 infectados pode desenvolver complicações neurológicas, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. Também podem ocorrer convulsões, perda de equilíbrio e alterações de coordenação motora.
Não existe vacina ou tratamento antiviral específico contra a Febre do Nilo. O atendimento é direcionado ao controle dos sintomas e, nos casos graves, pode ser necessária internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Ceará registrou caso em cavalo
O primeiro e único registro confirmado da doença no Ceará ocorreu durante uma investigação realizada em 2019, após a morte de equídeos em diferentes municípios.
A Sesa e a Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri) investigaram as ocorrências e encaminharam amostras de tecido nervoso dos animais para análise laboratorial. Um cavalo de Boa Viagem teve diagnóstico positivo para o vírus.
No Brasil, segundo as informações apresentadas pelo Ministério da Saúde, foram registrados dois casos humanos da Febre do Nilo Ocidental, ambos no Piauí: um em Aroeiras do Itaim, em 2014, e outro em Picos, em 2019.
Protocolo também monitora Encefalite de Saint Louis
A nova orientação da Sesa inclui ainda a Encefalite de Saint Louis, provocada por outro vírus do gênero Flavivirus e também transmitida por mosquitos.
A maioria das infecções é assintomática. Quando aparecem, os sintomas podem incluir fadiga, dor de cabeça, náuseas, vômitos e dores no corpo. Em situações mais graves, pode ocorrer comprometimento neurológico.
Os seres humanos são considerados hospedeiros acidentais e não apresentam quantidade suficiente do vírus no sangue para infectar novos mosquitos e manter a cadeia de transmissão.
Prevenção inclui repelente e combate à água parada
Sem vacina disponível, a recomendação é reduzir a exposição aos mosquitos. Entre as medidas estão o uso de repelentes, eliminação de água parada e cuidados com ambientes que favoreçam a proliferação dos vetores.
A vigilância também envolve animais. Casos de aves silvestres e equídeos com sintomas neurológicos ou mortes suspeitas podem servir como alerta para a circulação dos vírus e devem ser comunicados às autoridades.
A Sesa considera a presença dos vetores, a mobilidade da população e as mudanças ambientais fatores que justificam a manutenção do monitoramento, mesmo sem casos humanos registrados no Ceará.

