O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Sílvio dos Santos, foi suspenso do cargo por determinação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A medida ocorre enquanto a Comissão de Ética da entidade nacional apura denúncias apresentadas por quatro árbitras cearenses.
Paulo Sílvio já estava afastado das atividades desde julho, inicialmente por solicitação própria. Com a decisão da CBF, no entanto, deixa de ter a condição de presidente licenciado e passa a estar formalmente suspenso da função.
A CBF instaurou uma sindicância para investigar as acusações e comunicou a decisão à Federação Cearense de Futebol por meio de ofício. A apuração nacional ocorre paralelamente ao procedimento interno aberto pela própria FCF.
O dirigente nega as acusações.
FCF também investiga o caso
A Federação Cearense de Futebol mantém uma sindicância própria para analisar as denúncias. O procedimento foi aberto em julho e já ouviu as árbitras envolvidas no caso.
Após receber documentos solicitados às autoridades, a investigação interna entrou na fase final. Paulo Sílvio deverá ter prazo de dez dias para apresentar oficialmente sua manifestação à entidade.
A expectativa é que a presidência em exercício da Federação Cearense de Futebol avalie as medidas cabíveis após a conclusão da sindicância, prevista para ocorrer ainda neste mês.
A suspensão determinada pela CBF também altera a situação administrativa do dirigente e permite que a FCF avalie, entre as medidas possíveis, a exoneração do cargo.
Justiça determinou uso de tornozeleira eletrônica
Além das investigações no âmbito esportivo, o caso também tramita na Justiça. Na última quarta-feira (12), o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) concedeu uma medida protetiva cautelar em favor de uma das árbitras que apresentaram acusações contra Paulo Sílvio.
A decisão determina que ele mantenha distância mínima de 300 metros da profissional e não estabeleça contato com ela.
Para fiscalizar o cumprimento da medida, a Justiça determinou ainda o uso de tornozeleira eletrônica pelo dirigente. A árbitra deverá receber um dispositivo capaz de emitir alerta em caso de eventual aproximação.
O descumprimento das determinações poderá resultar na decretação de prisão preventiva.
Denúncias começaram em julho
Paulo Sílvio pediu afastamento temporário da presidência da Comissão de Arbitragem em 14 de julho, mesmo dia em que as quatro árbitras procuraram a Polícia Civil para denunciar os fatos.
Desde então, o caso passou a ser investigado em diferentes frentes. A Polícia Civil indiciou o dirigente por importunação e assédio sexual, e o Ministério Público recebeu o inquérito e posteriormente apresentou denúncia contra ele por assédio sexual.
Outras mulheres também procuraram as autoridades posteriormente para apresentar acusações contra o dirigente.
Defesa nega acusações
Desde o início do caso, Paulo Sílvio nega ter praticado os atos relatados pelas denunciantes.
Quando os primeiros boletins de ocorrência foram registrados, a defesa afirmou que o dirigente rejeitava de forma veemente as acusações e sustentava que ele jamais havia praticado assédio sexual, importunação sexual, violência sexual ou qualquer outro ato ilícito.
O caso permanece sob investigação, tanto na esfera esportiva quanto pelas autoridades competentes.

