O Ceará registrou uma redução de 68% na mortalidade infantil ao longo dos últimos 25 anos, resultado que evidencia uma mudança significativa nas condições de sobrevivência das crianças no Estado. O indicador considera os óbitos de menores de um ano para cada mil nascidos vivos e é utilizado para avaliar não apenas a assistência à saúde, mas também as condições sociais e de vida da população.
A trajetória de queda ocorre após décadas em que o Ceará conviveu com índices elevados. Dados históricos mostram que, em 1991, 63 crianças morriam antes de completar um ano a cada mil nascidos vivos no Estado. Em 2000, esse índice já havia recuado para 41 por mil, uma redução de 34,4% em apenas nove anos.
Nas décadas seguintes, a tendência continuou. Dados da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) mostram que a taxa passou de 13,6 mortes por mil nascidos vivos, em 2011, para 11,2 em 2024, redução de 17,6% nesse período.
A queda está relacionada a uma combinação de políticas públicas e transformações sociais. Entre os fatores associados à redução da mortalidade infantil estão a ampliação da vacinação, maior acesso ao pré-natal e aos serviços de saúde, incentivo ao aleitamento materno, atuação dos agentes comunitários, programas de nutrição e melhorias nas condições de saneamento, renda e escolaridade.
Maior desafio está nos primeiros dias de vida
Apesar da evolução, o Ceará ainda enfrenta dificuldades para reduzir as mortes que acontecem logo após o nascimento. A mortalidade infantil é dividida em três componentes: neonatal precoce, que compreende os primeiros seis dias de vida; neonatal tardia, dos sete aos 27 dias; e pós-neonatal, entre 28 dias e menos de um ano.
No Ceará, a maior concentração está justamente no período neonatal precoce. Entre 2011 e 2024, essa faixa apresentou média de 6,6 mortes por mil nascidos vivos. Mesmo com uma redução de 19,4% no período, a Sesa considera esse componente o principal desafio para que o Estado consiga baixar ainda mais a mortalidade infantil.
A mortalidade pós-neonatal também diminuiu. A taxa média foi de 3,7 óbitos por mil nascidos vivos entre 2011 e 2024, com redução de 16,2% na comparação entre o primeiro e o último ano da série. Já a mortalidade neonatal tardia permaneceu relativamente estável, com média de dois óbitos por mil.
Maioria das mortes ainda pode ser evitada
Um dos pontos que mais preocupam autoridades sanitárias é a quantidade de mortes consideradas evitáveis. Dados recentes apontam que uma parcela expressiva dos óbitos de crianças menores de um ano no Ceará poderia ser prevenida por meio de ações adequadas de atenção à gestante, ao parto, ao recém-nascido e à criança.
Em 2025, o Unicef informou que o índice estadual estava em 11,18 mortes por mil nascidos vivos e destacou que quase 68% dos óbitos eram decorrentes de causas evitáveis. O organismo mantém parceria com o Governo do Ceará para reduzir a mortalidade infantil a menos de dez óbitos por mil nascidos vivos.
A meta estabelecida no Plano Estadual de Saúde 2024-2027 é chegar a uma taxa de 9,5 mortes por mil nascidos vivos até 2027. Para atingir esse patamar, a redução das mortes nos primeiros dias de vida será determinante.
Os números mostram, portanto, duas faces do cenário cearense: de um lado, uma redução expressiva da mortalidade infantil ao longo das últimas décadas; de outro, a necessidade de avançar na prevenção das mortes que ainda poderiam ser evitadas, especialmente durante a gestação, o parto e os primeiros dias de vida.

