Uma discussão entre vereadoras na Câmara Municipal de Curitiba terminou em acusação de xenofobia após uma parlamentar dizer para uma colega “voltar para o Ceará” durante um debate em plenário. A declaração gerou forte repercussão entre vereadores, entidades e nas redes sociais, com críticas ao teor da fala e pedidos de apuração do caso.
A frase foi dirigida a uma vereadora cearense radicada na capital paranaense durante uma troca de acusações entre as parlamentares. Após o episódio, a autora da declaração passou a ser acusada de preconceito contra nordestinos, prática conhecida como xenofobia regional. O caso provocou manifestações de solidariedade à parlamentar alvo da ofensa e reacendeu o debate sobre a discriminação enfrentada por migrantes de outras regiões do país.
A vereadora que recebeu a declaração classificou a fala como desrespeitosa e afirmou que comentários desse tipo reforçam estereótipos e preconceitos históricos contra a população nordestina. Ela também ressaltou que exerce um mandato legitimado pelo voto dos curitibanos e que sua origem não pode ser utilizada como instrumento de ataque político.
O episódio levou parlamentares a defenderem a adoção de medidas disciplinares pela Câmara Municipal. Além da possibilidade de representação por quebra de decoro parlamentar, o caso poderá ser analisado pelos órgãos internos da Casa para verificar eventual responsabilização da autora da declaração.
A Constituição Federal proíbe qualquer forma de discriminação em razão da origem das pessoas. Especialistas em direito e direitos humanos destacam que manifestações de xenofobia contra brasileiros de outras regiões podem gerar responsabilização nas esferas cível, administrativa e, dependendo das circunstâncias, criminal. O caso segue repercutindo no meio político e deve continuar sendo debatido nos próximos dias.

