O ex-banqueiro Daniel Vorcaro está em busca de uma nova equipe jurídica para apresentar uma terceira proposta de delação premiada às autoridades. Segundo informações divulgadas neste fim de semana, familiares dele procuraram ao menos três escritórios de advocacia em Brasília com o objetivo de reforçar sua defesa e retomar as negociações com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Vorcaro está preso desde março deste ano e já teve duas propostas de colaboração rejeitadas. A intenção agora seria apresentar um material considerado mais consistente, com novas informações que possam convencer os investigadores a avançar em um eventual acordo.
Medo de transferência teria acelerado mudança na defesa
De acordo com pessoas próximas ao ex-banqueiro, a possibilidade de retorno ao Complexo da Papuda teria aumentado a preocupação de Vorcaro, levando à busca por advogados criminalistas com experiência em acordos de colaboração premiada. Atualmente, sua defesa é conduzida pelo advogado Sérgio Leonardo, ex-presidente da OAB de Minas Gerais.
Desde o início das investigações, Vorcaro já promoveu mudanças em sua equipe jurídica. Em maio, o advogado José Luís Oliveira Lima deixou o caso após a rejeição de uma das propostas de delação pela Polícia Federal.
PF mantém desconfiança
Apesar da nova movimentação da defesa, investigadores demonstram ceticismo sobre a possibilidade de Vorcaro apresentar fatos inéditos e relevantes. Integrantes da Polícia Federal avaliam que um eventual acordo só seria considerado caso as informações sejam comprovadas e envolvam elementos ainda desconhecidos pelas autoridades.
Segundo relatos, o ex-banqueiro acredita haver resistência da PF em relação ao material apresentado até agora. Já os investigadores sustentam que as propostas anteriores não trouxeram elementos suficientes para justificar os benefícios previstos em um acordo de colaboração premiada.
Investigações continuam
Daniel Vorcaro é apontado como figura central das investigações da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o extinto Banco Master. A palavra final sobre qualquer acordo de colaboração caberá ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator dos processos relacionados ao caso.
Caso a nova proposta seja aceita pelas autoridades, ela ainda precisará ser homologada pelo Supremo antes de produzir efeitos jurídicos.

