O número de estudantes cearenses entre 15 e 17 anos que conciliam estudo e trabalho caiu pela metade nos últimos dez anos e atingiu o menor patamar da série histórica analisada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Educação 2025).
Segundo o levantamento, cerca de 16 mil adolescentes nessa faixa etária exerciam algum tipo de atividade ocupacional em 2025, seja de forma remunerada ou auxiliando em negócios familiares. Em 2016, esse contingente era de aproximadamente 32 mil jovens.
Em termos percentuais, apenas 4,4% dos estudantes cearenses de 15 a 17 anos trabalhavam além de frequentar a escola. O índice coloca o Ceará entre os estados com os menores percentuais do país, atrás apenas do Rio Grande do Norte (3%) e do Rio de Janeiro (3,7%).
A faixa etária de 15 a 17 anos corresponde ao período considerado ideal para cursar o Ensino Médio. Especialistas apontam que a redução do trabalho entre adolescentes pode contribuir para a permanência na escola e para a melhoria do desempenho educacional.
Os dados mostram ainda que, após uma alta registrada em 2024, quando cerca de 23 mil jovens conciliavam estudo e trabalho no Ceará, o número voltou a cair em 2025.
Entre os fatores apontados para esse cenário está a ampliação de políticas de permanência escolar. O programa Pé-de-Meia, criado pelo Governo Federal, oferece incentivo financeiro a estudantes do Ensino Médio da rede pública e busca reduzir a necessidade de ingresso precoce dos jovens no mercado de trabalho. Embora a pesquisa não estabeleça relação direta entre o benefício e os resultados, especialistas avaliam que a iniciativa pode contribuir para manter mais adolescentes focados nos estudos.
No cenário nacional, mais de 1 milhão de estudantes entre 15 e 17 anos ainda conciliam escola e trabalho. Apesar disso, o IBGE também registrou avanço na escolarização dessa faixa etária. Em 2025, a taxa de frequência escolar no Brasil chegou a 93,2%, o maior nível da série recente.
Os números reforçam uma tendência de maior permanência dos jovens na escola e indicam avanços no enfrentamento da evasão escolar, especialmente entre estudantes de famílias em situação de vulnerabilidade social.

