O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta terça-feira (16), da foto oficial da cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França. O registro reuniu chefes de Estado e de governo das principais economias do mundo, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um momento de crescente tensão comercial entre Brasília e Washington.
Embora o Brasil não faça parte do grupo, Lula foi convidado pelo presidente francês Emmanuel Macron para participar das discussões ampliadas do encontro, que reúne os líderes dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão e representantes da União Europeia.
Durante a tradicional foto de família, Lula apareceu ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz. Atrás dele estava a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Trump, por sua vez, ficou posicionado próximo ao anfitrião do encontro, Emmanuel Macron.
Após o registro oficial, Lula conversou brevemente com Ursula von der Leyen. Os dois têm reunião bilateral prevista ainda nesta terça-feira para discutir temas relacionados ao acordo entre Mercosul e União Europeia, comércio internacional e cooperação em áreas estratégicas.
Apesar de estarem presentes no mesmo evento, não houve registro de encontro formal ou cumprimento público entre Lula e Trump até o início da tarde.
Tarifaço amplia tensão diplomática
A participação de Lula no G7 ocorre em meio ao agravamento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Recentemente, o governo norte-americano concluiu uma investigação comercial e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
O relatório elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) alega que o Brasil adota práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas, citando temas como regulamentação do Pix, políticas ambientais, combate à corrupção e proteção à propriedade intelectual.
As medidas ainda dependem de consultas públicas antes de uma decisão definitiva, prevista para julho. Mesmo assim, o anúncio provocou reação imediata do governo brasileiro, que classificou a iniciativa como unilateral e incompatível com as regras do comércio internacional.
Defesa do multilateralismo
Segundo integrantes da diplomacia brasileira, Lula deve utilizar sua participação na cúpula para defender o fortalecimento das instituições multilaterais e criticar medidas protecionistas adotadas de forma unilateral.
A estratégia do presidente é manifestar a posição brasileira sem transformar o encontro em um confronto direto com Donald Trump. O objetivo é reforçar a defesa de organismos como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e destacar a necessidade de diálogo nas disputas comerciais.
Inteligência artificial na pauta
Outro tema que será debatido durante a reunião é o avanço da inteligência artificial. Lula deve defender que o Brasil está aberto a investimentos de empresas de tecnologia, desde que as plataformas respeitem a legislação nacional.
A questão ganhou relevância porque o governo americano também citou decisões do Judiciário brasileiro envolvendo empresas de tecnologia como um dos argumentos para justificar as tarifas propostas contra produtos brasileiros.
A participação do presidente brasileiro no G7 ocorre em um momento de crescente polarização econômica e geopolítica, marcado por disputas comerciais, debates sobre regulação digital e desafios relacionados à governança global.
Foto: Evelyn Hockstein/ Reuters

