A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira (11) cercada por expectativas dentro e fora dos gramados. A partida entre México e África do Sul, no histórico Estádio Azteca, na Cidade do México, marca o início de uma edição inédita do torneio, disputada em três países e sob forte influência de questões geopolíticas.
Pela primeira vez na história, o Mundial contará com 48 seleções. O novo formato amplia o número de participantes e de partidas, que passam de 64 para 104 jogos. As equipes foram distribuídas em 12 grupos de quatro seleções. Avançam para a fase eliminatória os dois primeiros colocados de cada chave, além dos oito melhores terceiros colocados.
Também será a primeira Copa realizada simultaneamente por três países: México, Estados Unidos e Canadá. Apesar da abertura acontecer em solo mexicano, os Estados Unidos concentram a maior parte da competição, recebendo 78 dos 104 jogos previstos, incluindo praticamente toda a fase de mata-mata.
A predominância norte-americana na organização do torneio, no entanto, tem sido acompanhada por controvérsias relacionadas à política externa e migratória do presidente Donald Trump.
Guerra e futebol se cruzam
Um dos casos mais emblemáticos envolve a seleção do Irã. O país chega ao Mundial em meio à escalada das tensões provocadas pela guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o governo iraniano no início do ano.
Embora um cessar-fogo tenha sido firmado em abril, os reflexos do conflito continuam presentes. A delegação iraniana alterou seus planos de preparação e decidiu instalar sua base em Tijuana, no México, após dificuldades impostas pelas autoridades norte-americanas.
Além disso, membros da comissão técnica tiveram vistos negados e os jogadores receberam autorização para entrar nos Estados Unidos apenas poucos dias antes da estreia. Torcedores iranianos também foram afetados por restrições adicionais impostas pelo governo norte-americano.
Os episódios aumentaram o debate sobre o impacto das decisões políticas no maior evento esportivo do planeta.
Restrições atingem delegações
As medidas adotadas pelos Estados Unidos não afetaram apenas o Irã.
O atacante iraquiano Aymen Hussein foi submetido a horas de interrogatório ao desembarcar em Chicago. Já o fotógrafo oficial da delegação iraquiana teve a entrada no país negada após inspeções em seus dispositivos eletrônicos.
Outro caso que ganhou repercussão internacional foi o do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Considerado um dos principais árbitros da África e escalado pela FIFA para atuar no Mundial, ele foi impedido de entrar nos Estados Unidos e precisou retornar à Somália.
A situação gerou críticas de entidades esportivas e organizações ligadas aos direitos humanos. A FIFA evitou confrontar diretamente o governo norte-americano, mas reconheceu o desconforto causado pelos episódios.
Copa histórica
Apesar das controvérsias, a expectativa esportiva segue elevada. O torneio reunirá 48 seleções de todos os continentes e contará com sedes espalhadas por 16 cidades.
O Estádio Azteca, que já recebeu as finais das Copas de 1970 e 1986, volta a entrar para a história ao sediar a abertura de mais um Mundial. Já a final está marcada para acontecer nos Estados Unidos.
Dentro de campo, a competição promete uma disputa mais ampla e diversa. Fora dele, a Copa de 2026 já entra para a história como um dos torneios mais influenciados por questões políticas, diplomáticas e migratórias dos últimos tempos.
Com a bola prestes a rolar, o desafio da FIFA será garantir que o espetáculo esportivo consiga superar as tensões que cercam a competição desde antes de seu início.
Foto: Divulgação/Seleção iraniana

